Sexta-feira, 27 de Julho de 2012
Fruto de certa concepção...

 Hoje falaram-me numa (apareceu-me diante, escrito) colega concetora e formadora...
 Os espanhóis têm a Inmaculada Concepción. Não sei se para os portugueses há alguma Nossa Senhora da Concepção. Nossa Senhora da Conceição há há muito; é padroeira do reino de Portugal (que já acabou) e é do tempo em que o bom povo português ditongava de seu natural em -ei-, -eu-, -oi-, -ou- e -ui- os grupos -pt- e -ct- latinos. Daí ter o génio da língua (o bom povo desses tempos) concebido «conceição» (< conceptionem) e gerado fruito (< fructum). Desde, porém, que a instrução passou formação (uma espécie de moldagem) Nossa Senhora deixou de guiar o bom povo e passaram a ser os governos. Governos de doutos (< docti) letrados que alatinaram o idioma tornando cá prenhes da concepção e dos fructos. E, finalmente, governos de analphabetos licenciados que são gênios de conceção. Seus fruto é qui são azedo.

Portal da Língua, «Concetor» -- Palavra não encontrada



Escrito com Bic Laranja às 13:50
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Quinta-feira, 26 de Julho de 2012
Ódio a quê?!...

 Um artigo de 17 de Julho no Jornal de Oleiros — «Acordo Ortografico? Não, obrigado» —, pelo advogado dr. António Moreira, provocou uns perdigotos dum João acordita que cuspiu «a verdadeira base da aversão ao A.O. [de] 90 em Portugal» é o «ódio latente antibrasileiro». — Formidável! — E logo ali, como português contrito de o ser, bolça que a reforma de 1911 é que feriu os brasileirinhos durante décadas, tadinhos; a eles, pobres ostracizados, mai-la sua ortoépia (ele diz prolixamente «traços de fonética e de sintaxe levados pelos 'valentes marinheiros' e 'heróis do mar'») de antigo e genuíno sabor português. Como contraponto, a nós portugueses (quais insectos), borrifa-nos de cacofonia (ele chama-lhe «mal falar»...) pelo castiço nortenho «vâlho» e «Tâjo» (notai já agora que o étimo latino aqui é Tagus — está justificado o «a»).
 Pois bem, por desfastio larguei-lhe lá uma rabecada que vai levar tempo a publicar. E por certo não na há o destinatário de entender. Mas aqui o benévolo leitor entende-me.

« Ódio latente antibrasileiro? Não desvie a questão. Porque haverão os portugueses em Portugal de sujeitar-se a uma grafia brasileira quando o Brasil firmou de livre vontade o Acordo de 45 e não honrou a palavra? Ainda agora, depois desta despropositada e desqualificada reforma [de 90], o Vocabulário da Academia Brasileira ignora imperialmente os neografismos absurdamente portugueses como "receção", "deceção", &c. [v. «Busca, Malaka! Busca!»]
  Pior do que chamar ódio latente antibrasileiro ao sentimento pátrio legítimo dos portugueses (ou não podem já os portugueses pugnar pelo que é seu sem serem enxovalhados como racistas?), pior que isso, dizia, é o comprovado desprezo da Academia Brasileira pelo português legítimo (*) dos portugueses; tão legítimo como o português de qualquer outro. Foi isso que Angola tão bem entendeu e por tal se não sujeitou a ditame tão abrasileirado na forma como no motivo.
  O Brasil roeu a corda ao acordo de 45 e desafio quem quere que seja a mostrar-me uma palavra de ódio antibrasileiro dos portugueses quando se isso deu em 1955. Os brasileiros sim, faltando à palavra, destilaram ódio aos colonizadores portugueses (**) esquecendo-se (ou não no sabendo entender) que os colonizadores do Brasil são aqueles mesmos que lhe regeram e regem o destino. Tratantes falhos de entendimento e sem palavra que intentam agora despudoradamente colonizar Portugal, Angola, &c.
   Em suma, vergar a cerviz em 1990 a quem não teve palavra em 45 e negociar o que já fora negociado rastejar como se nada fosse é duma humilhação inqualificável. Proclamar um presidente de Portugal em 2008 o ratificar da humilhação em terra brasileira, e dizê-lo assim — e dizê-lo assim! — que foi por pressão de algo ou alguém (***), isto então é já qualquer coisa que nem sei dizer o nome! — Mas talvez venham daí os acorditas novíssimos do Restelo esclarecer-me que este presidente de ópera bufa nutre um ódio antiportuguês latente, a verdadeira base da imposição do A.O. de 1990 em Portugal.»

As vergonhas do Malaca
(O. Braga. Série d' «As Vergonhas do Malaca».)

 


(*) O português dos portugueses é por definição legítimo. Por mais abastardado que se torne. O mesmo se diria do brasileiro dos brasileiros...
(**) «[...] à mistura com o Acordo, segundo consta o anedotário, os distintos Senadores brasileiros consumiram largo tempo a discutir os malefícios da colonização lusitana e o ouro levado do Brasil, no tempo de D. João V [...]». António Viriato, «O Trigo e o Joio, a propósito do Desacordo Ortográfico», in Alma Lusíada, 23/III/2011.
(***) «Quando fui ao Brasil em 2008, face à pressão que então se fazia sentir no Brasil, o Governo português disse-me que podia e devia anunciar a ratificação do acordo, o que fiz.» Cavaco Silva sobre o seu papel na ratificação do Acordo Ortográfico («Cavaco elogia Acordo Ortográfico mas confessa que em casa ainda escreve à moda antiga», Público, 22/V/2012.)



Escrito com Bic Laranja às 23:02
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Quarta-feira, 25 de Julho de 2012
Rodando mui ligeiramente a vista

Abarcando á esquerda a Av. Antonio Maria Avellar.


Avenidas Novas em construcção, Lisboa, c. 1900-10.
A.N.T.T, «O Século», Joshua Benoliel, Lote 9,cx. 2, neg. 8.



Escrito com Bic Laranja às 09:01
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Segunda-feira, 23 de Julho de 2012
Avenidas Novas em construcção

 Há algum tempo topei com esta no Archivo da Torre do Tombo, na collecção d' O Seculo. Ao fundo, á esquerda, topa-se o Campo Pequeno; a deante um palacete. Pelo angulo pareceu-me que o gaioleiro que se constroe podia ser na Av. José Luciano (agora Elias Garcia) ou na Barbosa du Bocage, n'um dos quarteirões occidentaes da Av. Ressano Garcia (agora dicta da República). Succede que o palacete, que é a melhor referência, não se assemelha ao que houve em tempos no n.º 50 da hoje chamada Av. da República antes da construcção do horrendo mamarracho onde há uma B.D.O.; nem pode ser a Avenida José Luciano (ou Elias Garcia) porque o gaveto d'esta com a Av. Ressano Garcia (ou da República) é preenchido por um largo predio de rendimento da auctoria do architecto Ventura Terra, que jaz por lá esventrado (o predio de rendimento, não o architecto) por umas obras que faz que andam mas não andam.
 ...
 Podia ser na Visconde de Valmor (esta não foi chrismada pelos carbonarios não sei porquê) e o palacete ser n'êste caso o n.º 40 da dicta Av. da República, ainda de pé (quanto mais durará) — uma casa adjacente ao Club de Emprezarios. — Mas será...?

Av. Barbosa du Bocage, Lisboa (A.N.T.T., s.d.)
Avenidas Novas em construcção, Lisboa, c. 1900-10.
A.N.T.T, «O Século», Joshua Benoliel, Lote 9, cx. 2, neg. 8.



Escrito com Bic Laranja às 22:57
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Sábado, 21 de Julho de 2012
Av. da República, esquina com a Av. de Berna

Pouco mais duma dúzia de anos volvidos da demolição do palacete da Av. da República, 77 parece que havia um maior orgulho no edifício novo ali plantado. Tanto que a câmara mandou lá o fotógrafo João Goulart tirar-lhe o retrato. Hoje parece que não é já prédio de apreciar. Pelo menos a julgar das telas de publicidade que sempre o tapam...

Av. da Reública, esquina com a Av. de Berna, Lisboa (J.H. Goulart, 1970)
Av. da República, 77, Lisboa, 1970.
João H. Goulart, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..



Escrito com Bic Laranja às 12:53
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Sexta-feira, 20 de Julho de 2012
Um português
O Professor José Hermano Saraiva aposentou-se. Foi Deus hoje servido de o ter em descanso. Amou as gentes e as coisas portuguesas. Ofereceu-nos um legado homérico de histórias, lendas e narrativas de Portugal. Para jamais a gente esquecer a nossa terra, a nossa História, a nossa alma. Fez o seu último da série "Alma e a Gente" ainda há pouco, no fim do ano passado; foi para o ar na própria noite de Natal a aconchegar-nos mais a Consoada. Enfim! Reformou-se o aedo da nossa alma de portugueses. Deus tenha a sua em descanso.

fotografia.JPG
(Imagem na Alma Algarvia.)

Escrito com Bic Laranja às 17:51
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Quarta-feira, 18 de Julho de 2012
Para ajustar ao verbete anterior


All About Eve, Martha's Harbour
(Top Of The Pops, c. 1988)



Escrito com Bic Laranja às 21:55
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...


Praia da Falésia, Algarve, 2011.



Escrito com Bic Laranja às 09:35
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Domingo, 15 de Julho de 2012
...

Praia da Falésia, 2011
Algarve, 2011.



Escrito com Bic Laranja às 12:00
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Sábado, 7 de Julho de 2012
Entrevalo (cont.)


Algarve, 2011.



Escrito com Bic Laranja às 17:19
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Sexta-feira, 29 de Junho de 2012
Entrevalo


Escrito com Bic Laranja às 17:25
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Quarta-feira, 27 de Junho de 2012
Proibição afixada

IMG_3567.JPG
Algarve, 2011.



Escrito com Bic Laranja às 23:01
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Vendem-se...

Não porque se vendam pròpriamente. Mas pelo que mais se pode saber de estarem à venda (v. comentários de Montexto).

Santiago, Alandroal (O.A., 1955)
Estas casas vendem-se, Santiago do Alandroal, 1955.
Arquivo da Ordem dos Arquitectos, PT-OA-IARP-EVR-ADL03-006.



Escrito com Bic Laranja às 00:03
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Terça-feira, 26 de Junho de 2012
Lubrificação e lavagem

Sorel, Lisboa (M. Novaes, s.d)
Lubrificação e lavagem, Garagem Sorel, [s.d.].
Estúdio de Mário de Novaes, in Bibliotheca de Arte da F.C.G.



Escrito com Bic Laranja às 22:17
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Sábado, 23 de Junho de 2012
Fozeta
 O étimo é «foz» e não «fuso». «Segundo José Pedro Machado (Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa), a confusão na sílaba inicial (pré-tónica) entre Fo- e Fu- impôs a grafia actual, tanto do topónimo como do apelido homónimo» (J.M.C., Ciberdúvidas, 16/II/2006).
 Dois comentários (e meia conclusão):
 – Se a etimologia manda zê (Fuzeta) e não esse (Fuseta), porque não impõe então «o» em lugar de «u» em vez de caucionar a confusão metafónica?
 – Se a metafonia do português deu com a grafia Fozeta em Fuzeta, o que a impedirá de dar com a «adoção» do estúpido acordo ortografico em «adução»? Como pode assim ser a pronúncia a fixar a grafia?!...

Fuzeta, Olhão (O.A., 1955)

Olhão, 1955. Arquivo da Ordem dos Arquitectos, PT-IARP-FAR-OLH01-006.
(Revisto às dez e um quarto.)

Escrito com Bic Laranja às 21:35
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O café Mitra santanense, de José Nunes


Decoração de café, Santana de Portel, 1955. Ordem dos Arquitectos, PT-OA-IARP-EVR-PRL06-013.

Escrito com Bic Laranja às 10:11
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Cabo Espichel


Santuário da Senhora do Cabo, Cabo Espichel, 1955. Arquivo da Ordem dos Arquitectos, PT-OA-IARP-STB-SSB00-010.

Escrito com Bic Laranja às 08:26
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Sexta-feira, 22 de Junho de 2012
Nova taberna de José II


Pègões, 1955. Arquivo da Ordem dos Arquitectos, PT-OA-IARP-STB-STB00-002.

Escrito com Bic Laranja às 22:15
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