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terça-feira, 10 de julho de 2018

As florestas tropicais perderam 40 campos de futebol de árvores por minuto em 2017

Além de causas naturais como os furacões ou os incêndios, os autores de um novo estudo mundial atribuem a perda de área florestal a práticas como a agricultura, a exploração mineira, a extracção ilegal de madeira ou as plantações de óleo de palma.

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O ano de 2017 foi o segundo pior ano de que há registo (imediatamente atrás de 2016) no que à redução de florestas tropicais diz respeito, com 15,8 milhões de hectares de árvores devastados, segundo novos dados obtidos por satélite da Universidade de Maryland revelados nesta quarta-feira.

No total, as florestas tropicais de todo o mundo sofreram uma perda de cobertura vegetal de 15,8 milhões de hectares – que praticamente corresponde à área geográfica do Bangladesh –, divulgou em comunicado o World Resources Institute, de acordo com dados do Global Forest Watch, uma ferramenta de monitorização das áreas florestais em tempo real. Posto de outra forma: o equivalente a perder cerca de 40 campos de futebol (0,73 hectares por campo) de árvores a cada minuto, durante um ano.

Apesar de esforços no sentido da reflorestação e dos alertas dos ambientalistas, as perdas superam os ganhos e o abate de árvores nos principais países tropicais tem vindo a aumentar exponencialmente nos últimos 17 anos (o estudo analisou dados entre 2001 e 2017). As causas são, por um lado, desastres naturais como incêndios e tempestades tropicais – cuja frequência e severidade estão directamente relacionadas com as alterações climáticas, e por outro, as actividades humanas que continuam a causar um desflorestamento em larga escala.

A Colômbia foi um dos países mais afectados, com mais 46% de área florestal devastada face ao ano anterior, registada maioritariamente em três províncias do país: Meta, Guaviare e Caquetá (parte da região amazónica colombiana). E se o acordo estabelecido em 2016 entre o Governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) trouxe paz ao país, trouxe também aspectos negativos. De acordo com os investigadores, a ex-guerrilha mantinha um controlo rígido daquelas áreas e impunha limites à exploração dos recursos para fins comerciais, pelo que a desmobilização das FARC permitiu o acesso a zonas anteriormente remotas e conduziu à apropriação e limpeza ilegal dos terrenos por outros grupos armados, que agora são utilizados para outros fins como a plantação de cocaína, a extracção de madeira e mineral e a criação de gado. Face a um pedido de reforço das medidas de combate à desflorestação na Amazónia pelo Supremo Tribunal Federal (a mais alta instância do poder judiciário brasileiro), o Governo colombiano mostrou-se empenhado: anulou o projecto de uma auto-estrada que ligava a Venezuela e o Equador; expandiu a área do Chiribiquete National Park (parque natural em Guaviare) em mais de um milhão de hectares; e lançou uma iniciativa chamada "Green Belt" para proteger e reflorestar uma área de 9,2 milhões de hectares.

O Brasil registou a maior perda de área florestal em 2016 mas foi no ano seguinte que a Amazónia sofreu o maior número de incêndios desde 1999, que levaram a uma redução de 31% das florestas e contribuíram para o aumento das emissões de dióxido de carbono. Um ciclo vicioso, uma vez que a falta de árvores aliada às alterações climáticas e à acção humana aumentam a prevalência de períodos de seca que, por sua vez, tornam os terrenos mais vulneráveis aos fogos. A falta de fiscalização e a instabilidade política e económica que assolou o Brasil nos últimos tempos, assim como a desvalorização por parte do actual Governo em relação às políticas de conservação ambiental poderão estar na base deste problema, dizem os investigadores.

Indonésia, um caso de sucesso 

A Indonésia, por outro lado, tornou-se o exemplo a seguir. Viu a sua perda de floresta diminuir em 2017, com um declínio de 60% no que diz respeito às florestas primárias (as florestas antigas que mantém o seu estado natural sem sinais de exploração), com algumas províncias de Samatra como excepção à regra. Os cientistas atribuem estes resultados a uma moratória nacional, em vigor desde 2016, sobre a drenagem das turfeiras (zonas de solos orgânicos com elevada concentração de humidade e dióxido de carbono) levadas a cabo pelos agricultores nas últimas décadas por causa das plantações de óleo de palma. Nestas zonas, a perda de florestas primárias diminuiu 88% entre 2016 e 2017, atingindo o nível mais baixo de sempre. Além disso, em 2017 não houve sinais do El Niño (fenómeno cíclico de aquecimento das águas do oceano Pacífico), o que proporcionou condições mais húmidas e menos incêndios. 

Na República Democrática do Congo, a perda de cobertura vegetal aumentou 6% desde 2016, devido essencialmente à agricultura, extracção ilegal de madeira para fins artesanais e a produção de carvão. A intensificação das práticas agrícolas faz com que os períodos de pousio sejam cada vez menores, o que dificulta a regeneração natural da vegetação. Já nas Caraíbas, os furacões que assolaram a região em 2017 (Irma e Maria), causando a morte a várias pessoas e inúmeros danos materiais, também tiveram impacto negativo nas florestas daquela região, com a Ilha Dominica (conhecida como "a ilha da Natureza") a registar uma diminuição de 32% na sua área florestal. Porto Rico viu a sua área verde reduzida em 10% com perdas significativas na Floresta Nacional de El Yunque.

"A principal razão pela qual as florestas tropicais estão a desaparecer não é um mistério: vastas áreas continuam a ser desflorestadas para soja, carne bovina, óleo de palma, madeira e outros produtos comercializados globalmente", disse Frances Seymour, porta-voz do World Resources Institute citada pelo diário britânico Guardian. "Grande parte dessa limpeza é ilegal e está ligada à corrupção", acrescentou. Apenas 2% do financiamento internacional para o combate às alterações climáticas é direccionado para a preservação das florestas. "Estamos a tentar apagar um incêndio em casa com uma colher de chá", disse Seymour. Perante os resultados, os investigadores alertaram para o facto de a biodiversidade estar também em risco. As florestas tropicais são ainda fundamentais na regulação do clima e para a qualidade da água e do ar, sendo que o abate de árvores leva à libertação de dióxido de carbono de volta para a atmosfera. De acordo com estimativas do diário New York Times, a desflorestação é responsável por mais de 10% das emissões de dióxido de carbono todos os anos. O mesmo jornal avança que, nesta semana, ministros de várias nações reúnem-se em Oslo para debater formas de intensificar os esforços de conservação das florestas tropicais em todo o mundo.
Texto editado por Maria Paula Barreiros
Publicada por João Soares à(s) 11:06 0 comentários
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Etiquetas: Academia, Agenda 2030, Agricultura, Agua, Alterações Climáticas, Ar, CETA, Desertificação, Floresta, Incêndios, Legalidade, Politica, Poluição, Solos, TISA, TTIP

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Movimento pela Abolição da Caça à Raposa

Petição Já Assinaste? >> então, Assina e  Partilha: 🦊


A RAPOSA

-> Segundo o seguinte estudo realizado na vizinha Galiza, este pequeno canídeo, que inclui frutas na sua dieta, está a prestar um importante serviço à Natureza, ajudando na dispersão de sementes de até 40 espécies de árvores, gerando assim por sua vez, casa e alimento a muitos outros animais. Chega a percorrer até 7Km/dia, de montanhas a matas e a terrenos abandonados, onde prepara o caminho para a floresta madura.

-> Como sabemos, este predador menor é altamente perseguido em Portugal (e noutros países), de forma cruel e insustentável - sem dados populacionais que comprovem a necessidade do dito "controlo cinegético" e interferindo com os Princípios de Conservação da espécie ao ser caçada aquando se reproduz. Temos que encarar este assunto, somando-lhe os conhecimentos que a ciência nos traz, evoluir, perceber que a caça à raposa não deve continuar. PROTEGER, É PRECISO! 

🚫


Publicada por João Soares à(s) 13:37 0 comentários
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Etiquetas: Academia, Activismo, Biodiversidade, Conselhos Ecológicos, Conservação da Natureza, Floresta, Petição

domingo, 8 de julho de 2018

Conheça a história do homem que viveu nu durante 30 anos numa ilha

Japonês Masafumi Nagasaki foi retirado de Sotobanari contra a sua vontade. Tem 82 anos e obrigaram-no agora a voltar a sobreviver em sociedade
Texto e fonte da imagem aqui

Um pequeno filme do Herald Sun e outro no Facebook "The Japaneses Robinson"

Leu bem! Esta é mesmo a história de um homem que fugiu da civilização há 30 anos para viver numa ilha deserta. Andou nu, até que passadas três décadas, foi retirado contra a sua vontade do refúgio onde queria morrer.

Masafumi Nagasaki chegou à ilha de Sotobanari, no Japão, em 1989. Aí viveu uma vida em solidão até se tornar conhecido como o “eremita nu”, aos 76 anos de idade.

Agora, de acordo com o site news.com.au., em abril deste ano, a polícia recebeu um aviso de que Masafumi Nagasaki, de 82 anos, estaria muito fraco. Foram buscá-lo à ilha e levaram-no de volta para a civilização, de onde dificilmente vai conseguir sair.

Feliz na ilha 

Foi em Sotobanari que Nagasaki se sentiu e sentia em casa. Onde não há telefones, nem água fresca e as roupas são muito poucas. Nenhumas mesmo, no seu caso, quando um tufão passou pela ilha e estragou todo o pouco que tinha.

Mas, mesmo tendo de enfrentar intempéries e tufões, nada fez com que Nagasaki tivesse tido vontade de mudar de casa. Aliás, era ali mesmo que queria morrer. 


Encontrar um lugar para morrer é uma coisa importante que se deve fazer. Eu decidi que aqui é o lugar onde quero morrer", disse em entrevista à agência Reuters em 2012.

Estranho ou não, Nagasaki viveu literalmente sozinho durante quase três décadas. E dizia que sempre fora feliz.

Nunca me senti triste aqui. As coisas aqui são mais reais." (...) "Não vou sair daqui, mesmo que alguém me diga que há um lugar melhor. Tudo o que quero, tenho aqui. Não preciso de mais nada.”, disse na entrevista, em 2012.

Fuga da sociedade

Engana-se quem possa pensar que Masafumi Nagasaki não tinha família. Antes de partir para a ilha chegou mesmo a despedir-se e deixou esclarecido que o regresso poderia nunca acontecer.
Não tenho opção. Já disse à minha família que vou morrer aqui. O meu desejo é morrer aqui sem incomodar ninguém. Por isso, não quero ficar doente ou ferido. Quero ser morto por um tufão e assim ninguém me pode tentar salvar. Morrer aqui é o melhor. É simplesmente perfeito para mim", contou Nagasaki.

Nunca se soube como foi a viagem até Sotobanari. Nem se Nagasaki tem filhos, até porque tentou sempre evitar falar do passado e da família que tinha deixado para trás.

Sabe-se que, quando "vivia na civilização", Nagasaki trabalhava numa fábrica em Osaka. Foi aí que um colega lhe terá falado sobre um misterioso arquipélago de ilhas desabitadas, o que o levou a fugir.

Tomou a sua decisão final quando estava dentro de um avião e viu o mar bastante poluído. Aí, foi de vez. Arranjou maneira de chegar à ilha de Sotobanari, onde pretenderia passar um par de anos. Ficou por lá quase trinta.

Vida maravilhosa

Sobre a vida na ilha, o japonês realçou a Alvaro Cerezo, responsável por uma série de documentários sobre experiências de viver em ilhas desertas, que estar longe das regras dos humanos era o que o deixava mais feliz.
Aqui, na ilha, não faço o que as pessoas me dizem para fazer. Sigo apenas as regras da natureza. Ninguém consegue dominar a natureza, então só podemos obedecer-lhe completamente.”
Ainda quanto às regras da sociedade que Nagasaki não gostava, percebe-se que o andar nu foi um fato feito à medida da ilha. Ainda andou vestido nos primeiros anos, até que um tufão lhe terá levado o pouco que tinha.

Nagasaki contou ainda à Reuters, há seis anos, que deixou de comer carne e peixe e também se recusou a comer os ovos das tartarugas postos pelas mães na praia.
Vi os filhotes a nascer e a rastejar em direção ao mar. Fico arrepiado todas as vezes que vejo isso acontecer... Só me faz pensar como a vida é maravilhosa."
Apesar de viver sob as regras da natureza, Nagasaki até tinha uma rotina própria: ginástica de manhã e depois dedicava-se, essencialmente, à limpeza da praia com um par de luvas brancas e um ancinho.

Agora, em 2018, Nagasaki despediu-se da ilha que foi a sua casa durante trinta anos. A contra gosto, levaram-no e tiraram-no de Sotobanari. O seu paradeiro é agora incerto.
Publicada por João Soares à(s) 11:12 0 comentários
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Etiquetas: Anarquismo, Antropologia, Jornalismo, Naturismo, Redes Sociais, Sustentabilidade, Video

sábado, 7 de julho de 2018

Carl Sagan sobre o Planeta Terra

Deviant art by Mainer 82 -"Earth Rise - Large Earth"

"Nós podemos explicar o azul-pálido desse pequeno mundo que conhecemos muito bem. Se um cientista alienígena, recém-chegado às imediações de nosso Sistema Solar, poderia fidedignamente inferir oceanos, nuvens e uma atmosfera espessa, já não é tão certo. Netuno, por exemplo, é azul, mas por razões inteiramente diferentes. Desse ponto distante de observação, a Terra talvez não apresentasse nenhum interesse especial. 

Para nós, no entanto, ela é diferente. Olhem de novo para o ponto. É ali. É a nossa casa. Somos nós. Nesse ponto, todos aqueles que amamos, que conhecemos, de quem já ouvimos falar, todos os seres humanos que já existiram, vivem ou viveram as suas vidas. Toda a nossa mistura de alegria e sofrimento, todas as inúmeras religiões, ideologias e doutrinas económicas, todos os caçadores e saqueadores, heróis e covardes, criadores e destruidores de civilizações, reis e camponeses, jovens casais apaixonados, pais e mães, todas as crianças, todos os inventores e exploradores, professores, políticos corruptos, celebridades, "líderes supremos", todos os santos e pecadores da história de nossa espécie, ali - num grão de poeira suspenso num raio de sol. 

A Terra é um palco muito pequeno numa imensa arena cósmica. Pensem nos rios de sangue derramados por todos os generais e imperadores para que, na glória do triunfo, pudessem ser os senhores momentâneos de uma fração desse ponto. Pensem nas crueldades infinitas cometidas pelos habitantes de um canto desse pixel contra os habitantes mal distinguíveis de algum outro canto, nos seus frequentes conflitos, na sua ânsia de recíproca destruição, nos seus ódios ardentes. 

Nossas atitudes, nossa pretensa importância de que temos uma posição privilegiada no Universo, tudo isso é posto em dúvida por esse ponto de luz pálida. O nosso planeta é um pontinho solitário na grande escuridão cósmica circundante. Na nossa obscuridade, no meio de toda essa imensidão, não há nenhum indício de que, de algum outro mundo, virá em socorro que nos salve de nós mesmos. (...)"- Carl Sagan

Publicada por João Soares à(s) 11:17 0 comentários
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Etiquetas: As minhas leituras, Astronomia, Etica Ambiental, Opinião, Pintura

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Poluição acústica está a ensurdecer cetáceos no Mediterrâneo

Todos os sons emitidos debaixo de água são amplificados e os ruídos dos motores dos barcos desorientam e ensurdecem golfinhos, cachalotes e baleias, entre outras espécies.


Trata-se de um problema crescente para alguns elementos da fauna marinha, como é o caso dos golfinhos, cachalotes e baleias-piloto, que habitam o mar entre os continentes europeu e africano.

Entre as milhares de espécies que vivem no habitat marítimo mediterrânico, encontramos os cetáceos - mamíferos que comunicam entre si através do som. Estas espécies debatem-se atualmente com um inimigo comum: o ruído produzido pelos seres humanos.

Diferentes estudos sugerem que as funções vitais das espécies marinhas são cada vez mais dificultadas pelas atividades como o tráfego marítimo ou obras nos portos, embora a informação sobre as áreas e os animais afetados seja escassa. Motivo que levou alguns países da região mediterrânica a desenvolver um projeto conjunto. 

Para a primeira fase do programa, que será financiado pela Comissão Europeia e liderado pelo Centro de Tecnologia Naval e Marinha de Múrcia (CTN), está prevista a colocação de sondas acústicas em alguns pontos do Mediterrâneo, que vão utilizar a técnica de geolocalização sonora, a tratar online.

Noelia Ortega, diretora do CTN, explica que "o som debaixo de água tem uma velocidade de propagação muito superior à do ar e atinge uma distância maior", motivo pelo qual todo o ruído provocado num determinado ponto pode ser escutado pelos seres marinhos a dezenas ou mesmo centenas de quilómetros.

Entre as diferentes fontes de poluição sonora no mar Mediterrâneo, bem no topo da tabela surgem os sons provenientes do tráfego marítimo, que corresponde a 30 por cento do volume mundial, de acordo com os dados compilados ao abrigo do Accobams - Acordo para a Conservação de Cetáceos do Mar Negro, Mediterrâneo e Atlântico contíguo.

O barulho causado pelos barcos é um ruído de tipo contínuo, explica ainda Noelia Ortega. Mas além deste ruído, principal fonte emissora, a poluição sonora surge das mais variadas formas, entre as quais os barulhos causados por obras em portos e instalações de óleo ou aerogeradores. Ocasionalmente, devido a atividades militares neste mar interior, "os sons provocados são mesmo autênticas explosões sonoras que poderiam deixar qualquer ser humano debaixo de água surdo", nas palavras da responsável pelo CTN. 

Comunicar é cada mais vez mais difícil

A comunicação é uma consequência evolutiva dos seres vivos, visando informar onde estão os alimentos, onde está o perigo, rituais de acasalamento ou simplesmente por diversão. 

Entre seres humanos, é um ato que pode ser interrompido devido a elementos externos, como por exemplo a passagem de um avião, música alta ou obras. Imagine-se agora a conviver 24 sobre 24 horas com os sons de uma discoteca ou de um aeroporto. 

É a uma experiência análoga que os cetáceos do Mediterrâneo estão sujeitos. Um problema agravado pelo facto de o sistema de comunicação particular destes seres se basear em ondas sonoras reproduzidas debaixo de água.

A comunicação dos golfinhos divide-se em dois sistemas. Um deles é a ecolocalização, em que os golfinhos emitem chiados que funcionam como o sonar de um navio. Sistema natural que permite aos cetáceos saber a que distâncias se encontram dos objetos, além do tamanho, da forma, da textura e da densidade.

Os assobios ultrassónicos que os golfinhos emitem - inaudíveis para o ser humano - chocam com os objetos em redor e devolvem um eco percetível. Graças a isto podem guiar-se pelo mar e evitar serem a refeição de um predador. 

Marta Sánchez, responsável pelo ambiente marinho do CTN, explica que outras funções vitais desses animais, como a fase reprodutiva ou de alimentação, são afetadas pelo ruído. No Mediterrâneo, 11 espécies de cetáceos vivem em base regular, de acordo com a última resolução do Accobams. 

Mas não são só estes os animais afetados pelo ruído. Uma deles é a lula, cuja capacidade de flutuação depende do sentido da audição.

A comunidade científica sabe que o nível de pressão sonora no mar aumentou, porque há muito barulho antropogénico, mas quanto aumentou? 

A diretora do CTN argumenta que, para melhor enfrentar o problema, é necessário saber onde e com que intensidade o ruído está a ocorrer, calcular a abundância e distribuição geográfica e temporal das espécies marinhas no Mediterrâneo e medir os limiares de significado, isto é, um registo de dados para localizar o ruído, como o efetuado pelo programa QuietMED.

O CTN é responsável pelo QuietMED, um programa para reduzir a poluição sonora no Mediterrâneo. Este projeto, financiado pela Comissão Europeia, abarca todos os países da UE que têm costas mediterrânicas, exceto Chipre. 

"Os gestores públicos terão uma ideia de que áreas estão a sofrer o maior impacto, é uma ferramenta para propor medidas de mitigação e saber onde agir primeiro", afirma Marta Sánchez. A responsável acredita que a comunidade científica poderá também aproveitar esse registo, que conterá dados compilados de acordo com os padrões de qualidade estabelecidos pela União Europeia. 

As ações de proteção do mar dos países participantes do QuietMED são reguladas pela Diretiva Marinha Europeia, aprovada em 2008.

A colaboração internacional é um instrumento fundamental para enfrentar o inimigo comum dos golfinhos e de muitas outras espécies marinhas, segundo os responsáveis pelo projeto QuietMED. Para facilitar o seu desenvolvimento, o CTN e as outras entidades que nele trabalham querem incorporar no mapa os dados sobre os cetáceos coligidos na estrutura Accobams. 

Os 20 países que assinaram este acordo trabalham há algum tempo na questão da poluição sonora marítima. Num estudo publicado por esta organização internacional em 2016, a parte italiana do Mar Adriático, o mar Jónico, as costas da Campânia (Itália), as águas do sul de França e a noroeste da Córsega e o Golfo de Valência foram indicadas como as áreas mais ruidosas do Mediterrâneo.
Publicada por João Soares à(s) 11:33 0 comentários
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Etiquetas: Academia, Agenda 2030, Consciencia Animal, Conservação da Natureza, Globalização, Oceanos

quinta-feira, 5 de julho de 2018

O “safari subaquático” da Praia das Avencas já é área protegida

Cascais vai ter a primeira área marinha protegida de gestão local do país. Da Parede a S. Pedro do Estoril haverá mais interdições para banhistas e a fiscalização será mais apertada.




Entre as praias da Parede e S. Pedro do Estoril, há uma que rouba o nome às avencas que por ali pintam a paisagem. São uma espécie de feto com propriedades anti-inflamatórias e desintoxicantes, que despontam por entre as arribas, que se foram desenhando como uma escadaria natural de onde se vê toda a zona costeira. E que ali crescem devido à presença de água doce dos lençóis freáticos. Hoje, avistam-se muito menos do que há uns anos, porque as espécies invasoras foram colonizando estas arribas ao longo do tempo.

Dada a sua importância ecológica, estas plataformas rochosas, assim como o areal, eram já Zona de Interesse Biofísico, desde 1998. Agora, passam a integrar a Área Marinha Protegida das Avencas (AMPA), que será a primeira deste tipo na região de Lisboa Norte. E a segunda em Portugal, depois da do Parque Natural da Arrábida, criada há 20 anos, com cerca de 53 km2 de área correspondente aos 38 km de costa rochosa entre a praia da Figueirinha, na saída do estuário do Sado, e a praia da Foz a norte do Cabo Espichel.

A AMPA será também a primeira a ser gerida por um município, com a câmara de Cascais a assumir a protecção da biodiversidade das Avencas, depois de ter assinado, esta sexta-feira, um contrato de delegação de competências com a Agência Portuguesa de Ambiente (APA), na presença dos ministros do Mar e do Ambiente.

“Estes avanços por parte do governo de confiarem que há matérias em que as autarquias têm mais capacidade do que as entidades de governo central são muito positivos”, reconheceu, na sessão, o presidente da câmara de Cascais, Carlos Carreiras.

A AMPA compreende cerca de dois quilómetros de linha costeira, entre a Praia da Parede e a Praia de S. Pedro, sendo delimitada a norte pela Avenida Marginal e a sul pela distância à costa de um quarto de milha náutica (cerca de 500 metros) e contempla uma profundidade de 500 metros.

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Todos os dias, a baixa-mar põe a descoberto a vida marinha. E podem ser feitos passeios a pé, seguindo pelos trilhos marcados pelas cordas cor-de-laranja que foram desenhados há três anos para que as pegadas dos banhistas não tivessem tanto impacto no ecossistema. Sobretudo porque uma das principais ameaças à preservação do habitat entre marés são as pessoas que saem do areal de circulam pelas plataformas rochosas para ver os animais.

“Este local é um pequeno porto de abrigo que serve como maternidade às diversas espécies que utilizam esta plataforma rochosa para sobreviver nos seus estágios de vida mais inicial. É o berçário de toda a área marinha de Cascais”, diz Ana Margarida Ferreira, bióloga que esteve envolvida no processo de classificação da área.

Ali, nas estruturas rochosas que, ora ficam submersas, ora ficam a descoberto, “vivem os organismos mais resistentes deste local porque, de seis em seis horas, têm uma diferença brutal de temperatura”. Formam-se pequenos poços de mar que permitem a existência de espécies que só ocorrem na zona que está sempre coberta de água. É aí que se podem encontrar ouriços, estrelas-do-mar, peixes e caramujos e burriés, lapas ou cracas. "Mergulhar nesta zona é uma espécie de safari subaquático", havia de resumir assim a vereadora do Ambiente, Joana Pinto Balsemão.

Para que esse ecossistema se preserve, a pesca desportiva, os desportos náuticos motorizados e a ancoragem estão proibidos. Assim como a apanha de qualquer molusco. Está também interdita a actividade de aquacultura. Aquelas praias não podem também ser recarregadas com areia já que isso poderá causar “problemas de erosão das plataformas rochosas”, explicou a bióloga.

Segundo reconhecem os técnicos da câmara, os banhistas vão tendo já consciência e conhecendo o trabalho de preservação que ali está a ser feito. “Às vezes vemos as avós a apanhar lapas com os netos e pessoas a alertar de que não o podem fazer”, diz Ana Margarida Ferreira. Nas praias, estão também jovens, que integram o programa Marés Vivas, que ajudam à sensibilização do património natural que ali existe.

Face à classificação da área, haverá agora “uma fiscalização bastante rigorosa”, frisou a vereadora, adiantando que ainda será decidido como é que a Polícia Municipal vai fiscalizar.

30% de áreas marinhas protegidas até 2030

Na cerimónia, a ministra do Mar lembrou que a protecção do litoral deve ser salvaguardada num trabalho conjunto entre a administração central e local. Sendo a gestão municipal da AMPA um exemplo de descentralização - da qual Ana Paula Vitorino se diz uma "defensora acérrima" -, revela também a importância de uma política de "proximidade através das autarquias".

Lembrando que o Ministério do Mar saiu de Lisboa para se instalar em Pedrouços, Oeiras, a governante desafiou ainda Carlos Carreiras a fazer parte da criação de um “campus do mar”. Um “expositor” da economia e ciência marítimas e da “literacia oceânica”. A ideia deverá ser replicada a Norte, no eixo Leixões, Matosinhos, Porto.

O desafio foi aceite imediatamente pelo autarca que anunciou ainda a intenção de instalar no Forte de Santo António da Barra, em São João do Estoril, um centro de estudo do mar e da língua portuguesa. Para que se estudar a meteorologia e os impactos das alterações climáticas, adiantou Carlos Carreiras. "Estamos a falar de matérias em que ainda não há uma sensibilidade geral muito profunda", reconhece o autarca, adiantando que o município está a desenvolver um projecto para aquele espaço.

Tomando como exemplo a criação da segunda área marítima protegida do país, Ana Paula Vitorino fixou ainda como objectivo criar em 30% do seu mar áreas marinhas protegidas até 2030. A ministra lembrou ainda que o país se comprometeu, no âmbito da estratégia das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável, na delimitação de 14% do seu mar como área marinha protegida até 2020. Se se cumprir a meta de 2030, estas áreas de protecção mais do que duplicarão, ainda que, segundo ressalva Ana Paula Vitorino, haja muito a fazer “na definição das regras” das áreas marinhas protegidas.

O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, fez questão de lembrar que “não há hoje “qualquer semelhança” na forma como as autarquias olham para os seus territórios. “O território não é um sítio para usar, não é um sítio para vender, é um sítio para preservar, para valorizar, e é óbvio que quem está mais perto tende a gostar mais daquele que é o seu próprio território", frisou, notando que longe vão os tempos em que os autarcas pediam reuniões ao Governo para construir “um hotel à beira mar” ou casas “em leito de cheia”.

Como resultado das alterações climáticas, lembrou Matos Fernandes, a costa está a recuar uma média de sete metros ao ano” na região. É, por isso, necessário segurar a linha de costa, "mais não seja pela riqueza ecológica que se perde”, fixou.

Fonte: Publico 22/06/2018
Publicada por João Soares à(s) 13:46 0 comentários
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Etiquetas: Agenda 2030, Alterações Climáticas, Biodiversidade, Conservação da Natureza, Oceanos, Ordenamento Território, Praia

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Desmatamento na Amazônia está prestes a atingir limite irreversível

Com mudanças climáticas e uso indiscriminado do fogo, se o nível de desflorestamento atingir entre 20% e 25% o ciclo hidrológico do bioma pode ser severamente degradado, alertam cientistas (foto: Inpe)

O desmatamento da Amazônia está prestes a atingir um determinado limite a partir do qual regiões da floresta tropical podem passar por mudanças irreversíveis, em que suas paisagens podem se tornar semelhantes às de cerrado, mas degradadas, com vegetação rala e esparsa e baixa biodiversidade.

O alerta foi feito em um editorial publicado nesta quarta-feira (21/02/18) na revista Science Advances. O artigo é assinado por Thomas Lovejoy, professor da George Mason University, nos Estados Unidos, e Carlos Nobre, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas – um dos INCTs apoiados pela FAPESP no Estado de São Paulo em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – e pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

“O sistema amazônico está prestes a atingir um ponto de inflexão”, disse Lovejoy à Agência FAPESP. De acordo com os autores, desde a década de 1970, quando estudos realizados pelo professor Eneas Salati demonstraram que a Amazônia gera aproximadamente metade de suas próprias chuvas, levantou-se a questão de qual seria o nível de desmatamento a partir do qual o ciclo hidrológico amazônico se degradaria ao ponto de não poder apoiar mais a existência dos ecossistemas da floresta tropical.

Os primeiros modelos elaborados para responder a essa questão mostraram que esse ponto de inflexão seria atingido se o desmatamento da floresta amazônica atingisse 40%. Nesse cenário, as regiões Central, Sul e Leste da Amazônia passariam a registrar menos chuvas e ter estação seca mais longa. Além disso, a vegetação das regiões Sul e Leste poderiam se tornar semelhantes à de savanas.

Nas últimas décadas, outros fatores além do desmatamento começaram a impactar o ciclo hidrológico amazônico, como as mudanças climáticas e o uso indiscriminado do fogo por agropecuaristas durante períodos secos – com o objetivo de eliminar árvores derrubadas e limpar áreas para transformá-las em lavouras ou pastagens.

A combinação desses três fatores indica que o novo ponto de inflexão a partir do qual ecossistemas na Amazônia oriental, Sul e Central podem deixar de ser floresta seria atingido se o desmatamento alcançar entre 20% e 25% da floresta original, ressaltam os pesquisadores.

O cálculo é derivado de um estudo realizado por Nobre e outros pesquisadores do Inpe, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da Universidade de Brasília (UnB), publicado em 2016 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

“Apesar de não sabermos o ponto de inflexão exato, estimamos que a Amazônia está muito próxima de atingir esse limite irreversível. A Amazônia já tem 20% de área desmatada, equivalente a 1 milhão de quilômetros quadrados, ainda que 15% dessa área [150 mil km2] esteja em recuperação”, ressaltou Nobre.

Margem de segurança

Segundo os pesquisadores, as megassecas registradas na Amazônia em 2005, 2010 e entre 2015 e 2016, podem ser os primeiros indícios de que esse ponto de inflexão está próximo de ser atingido.

Esses eventos, juntamente com as inundações severas na região em 2009, 2012 e 2014, sugerem que todo o sistema amazônico está oscilando. “A ação humana potencializa essas perturbações que temos observado no ciclo hidrológico da Amazônia”, disse Nobre.

“Se não tivesse atividade humana na Amazônia, uma megasseca causaria a perda de um determinado número de árvores, que voltariam a crescer em um ano que chove muito e, dessa forma, a floresta atingiria o equilíbrio. Mas quando se tem uma megasseca combinada com o uso generalizado do fogo, a capacidade de regeneração da floresta diminui”, explicou o pesquisador.

A fim de evitar que a Amazônia atinja um limite irreversível, os pesquisadores sugerem a necessidade de não apenar controlar o desmatamento da região, mas também construir uma margem de segurança ao reduzir a área desmatada para menos de 20%.

Para isso, na avaliação de Nobre, será preciso zerar o desmatamento na Amazônia e o Brasil cumprir o compromisso assumido no Acordo Climático de Paris, em 2015, de reflorestar 12 milhões de hectares de áreas desmatadas no país, das quais 50 mil km2 são da Amazônia.

“Se for zerado o desmatamento na Amazônia e o Brasil cumprir seu compromisso de reflorestamento, em 2030 as áreas totalmente desmatadas na Amazônia estariam em torno de 16% a 17%”, calculou Nobre.

“Dessa forma, estaríamos no limite, mas ainda seguro, para que o desmatamento, por si só, não faça com que o bioma atinja um ponto irreversível”, disse

O editorial Amazon tipping point (doi: 10.1126/sciadv.aat2340), assinado por Thomas Lovejoy e Carlos Nobre, pode ser lido na revista Science Advances 

O artigo Land-use and climate change risks in the Amazon and the need of a novel sustainable development paradigm (doi: 10.1073/pnas.1605516113), de Carlos Nobre, Gilvan Sampaio, Laura Borma, Juan Carlos Castilla-Rubio, José Silva e Manoel Cardoso, pode ser lido na revista PNAS  
Publicada por João Soares à(s) 13:35 2 comentários
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Etiquetas: Acordo de Paris, Agenda 2030, Agua, Biologia, Ciencia, Conservação da Natureza, Desertificação, Floresta, Incêndios, TIC

terça-feira, 3 de julho de 2018

Projecto nacional usa cortiça para novas soluções de coberturas verdes

Fonte texto e imagem: Edifícios e Energia

Através da utilização de aglomerado de cortiça expandida (ICB), o projecto greenURBANLIVING quer encontrar novas soluções para o mercado das coberturas verdes. Mais “amigas do ambiente”, com “mais design” e mais “atentas” à gestão das águas pluviais em meio urbano.

As coberturas verdes têm vindo a conquistar cada vez maior aceitação. Para além de colorirem algum do cinzento das paisagens urbanas, apresentam-se como ferramentas de relevo para a retenção da precipitação – tão importante em áreas com grande densidade de construção, comummente caracterizadas por uma elevada taxa de impermeabilização dos solos –, mas também para o aumento do conforto térmico e para a melhoria da eficiência energética nos edifícios. Mas, como em tudo, há sempre espaço para melhorar e inovar. É precisamente essa a intenção por detrás do greenURBANLIVING, um projecto promovido pela Amorim Isolamentos (AISOL) e em desenvolvimento com Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico para a Construção, Energia, Ambiente e Sustentabilidade (ITeCons), a Neoturf e a Associação Nacional para a Qualidade nas Instalações Prediais (ANQIP).


A cortiça toma o lugar do sintético


O projecto apresenta como objectivo primário o desenvolvimento de novos sistemas de cobertura e fachada verdes, recorrendo, para isso, a um valioso recurso endógeno – a cortiça. Através da utilização de aglomerado de cortiça expandida (ICB), e tendo como finalidade a sustentabilidade e a funcionalidade das soluções encontradas, os promotores da iniciativa acreditam que a utilização deste recurso natural vai trazer vantagens evidentes relativamente aos sistemas de cobertura verde tradicionais.

As expectativas do promotor líder do projecto, cuja experiência no fabrico de novos produtos com a incorporação de cortiça é vasta, reflectem a ambição de “reforçar” as vendas “nos diversos mercados internacionais”. Carlos Manuel, da Amorim Isolamentos, acredita que a “concretização deste projecto permitirá uma nova aplicação de prestígio da cortiça”. E faz questão de lembrar que a utilização deste recurso natural, “devido às [suas] características únicas”, vem trazer “vantagens adicionais” aos sistemas de coberturas verdes, destacando o facto de permitir “uma solução absolutamente sustentável”, que apresenta maior “durabilidade” e possibilita um “melhor aproveitamento das águas pluviais” e uma “melhor conservação da vegetação”.

À especialista em cortiça, junta-se a especialista em coberturas verdes – a Neoturf. Paulo Palha, responsável da empresa parceira do projecto, espera que o sistema, desenvolvido “com materiais nacionais”, venha a ser “simples de instalar, com grande longevidade, superior termicamente e com capacidade de incorporação de mais design como elemento diferenciador”.

O projecto aposta na substituição de materiais sintéticos por cortiça, mas não se fica, só, pelo objectivo da sustentabilidade. O recurso ao aglomerado de cortiça expandido vem permitir a melhoria das funções de isolamento térmico e acústico, assim como possibilita a exploração de novas formas arquitectónicas, passando a ser possível modelar digitalmente coberturas e fachadas verdes com formas irregulares. Paulo Palha refere ainda a “redução do número de componentes do sistema”, a incorporação do design na implementação da fachada ou cobertura verde e o aumento da “longevidade” do sistema. “Os sistemas de cobertura e fachada verdes actuais recorrem frequentemente a materiais sintéticos para suportar a vegetação e para garantir as funções de drenagem e de retenção de água” – esta é a realidade que a iniciativa pretende mudar.

No desenvolvimento da nova solução, está envolvida também uma equipa multidisciplinar do ITeCons, nomeadamente nas áreas da acústica, química e higrotérmica. Nuno Simões é um dos responsáveis e membro dessa equipa e explica de que forma este projecto pode alterar a solução de coberturas verdes, privilegiando a sustentabilidade da nova solução, sem descurar a viabilidade e a eficiência do novo sistema: “As funções de retenção de água serão garantidas pela capacidade intrínseca que os grânulos de cortiça têm para reter água no seu interior. A capacidade drenante, por sua vez, será regulada pelo espaço intersticial existente entre grânulos, propriedade que varia com a massa volúmica do ICB”.

Por seu lado, a Neoturf tira partido do “conhecimento acumulado sobre o tipo de botânica” que mais bem funciona nas condições “exigentes e diversas do clima nacional”. Para além disso, o facto de a empresa nacional participar “em diversos fóruns nacionais e internacionais ligados à temática das coberturas verdes” permite-lhe “avaliar que tipo de sistemas e produtos podem ter sucesso numa perspectiva de exportação”.


Uma solução com várias formas e feitios


Uma das grandes vantagens, conferida pela utilização de aglomerado de cortiça expandida e amplamente referida pelos protagonistas do projecto, é a capacidade de “personalização geométrica e de pré-fabricação”. Nuno Simões revela que existe a pretensão de “garantir uma maior liberdade arquitectónica na execução de coberturas e fachadas verdes”, referindo a “possibilidade de modular diferentes formas de canteiros e de conceber sistemas de cobertura a aplicar em suportes inclinados”. As várias formas e feitios que o sistema pode apresentar devem-se à concepção e exploração de técnicas avançadas de produção, desenvolvidas pela Amorim Isolamentos no âmbito projecto, o que permite a “personalização geométrica tridimensional da cortiça, recorrendo a tecnologias de corte e fresagem robotizadas”.

No final do projecto, agendado para Setembro de 2018, o objectivo é poder apresentar um modelo de cobertura “com um perfil ambiental e energético superior ao das soluções convencionais”, que se revele viável e capaz de competir, no mercado, com os sistemas já existentes.


Solução à vista


Neste momento, há já uma solução desenvolvida que, segundo Nuno Simões, “apresenta viabilidade técnica”, com bons resultados ao nível do “desempenho térmico e acústico, capacidade de drenagem e retenção” e com “adequada compatibilização entre as espécies verdes e o novo sistema”. O especialista do instituto de Coimbra revela também que a solução desenvolvida está “numa fase em que já ocorreu a fabricação de provetes, estando em curso várias campanhas laboratoriais para avaliar o desempenho”. Para além do desenvolvimento de soluções alternativas, “outra das preocupações previstas [no projecto] é a realização de um guião de aplicação destes novos sistemas de coberturas e fachadas vivas”. 

Para Armando Silva Afonso, presidente da direcção da ANQIP, outra das parceiras da iniciativa, as coberturas e fachadas verdes são, “sem qualquer dúvida, a solução que o futuro irá impor nas nossas cidades”. O dirigente da associação destaca o potencial do sistema em desenvolvimento, revelado pelos resultados já obtidos, “em termos de controlo de escoamento de água e capacidade de retenção”, considerando que o contributo destes sistemas para a “eficiência hídrica nos edifícios e para a gestão urbana das águas pluviais é da maior importância”.
Publicada por João Soares à(s) 10:59 2 comentários
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Etiquetas: Bioconstrução, Biotecnologia, Ciencia, Economia, Educação Ambiental, Sustentabilidade, Tecnologia, Urbanismo

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Bactéria perigosa para árvores de fruto vai ser detetada por drones

A Xylella fastidiosa é uma bactéria muito perigosa para as plantas. Ainda não chegou a Portugal, mas todo o cuidado é pouco. Detetar a doença precocemente é importante para controlar a sua expansão.
"A Xylella fastidiosa pode infetar mais de 350 espécies de plantas em todo o mundo”, escrevem os autores do artigo.

Foto e texto de Observador, 25.06.18
E se fosse possível detetar uma infeção antes mesmo dela provocar sintomas no hospedeiro? Provavelmente isso não salvaria o ser vivo infetado, mas poderia ajudar a que os que se encontravam por perto fossem poupados. Neste caso falamos de oliveiras e da mais perigosa bactéria para as espécies vegetais — a Xylella fastidiosa. A proposta é de uma equipa internacional e foi publicada esta segunda-feira na Nature Plants.

É certo que a forma mais precisa de determinar se uma árvore está infetada com a bactéria é recolhendo amostras da própria árvore e analisando essas amostras, mas o tempo que demora, os custos e os requisitos de pessoal qualificado tornam o método incomportável. Especialmente se a ideia for detetar precocemente a infeção.

Existe um método que permite avaliar várias árvores ao mesmo, mapeando vastas áreas com sensores de infravermelhos em satélite, mas neste caso só é possível detetar a infeção numa fase avançado da doença, quando as folhas já perderam a clorofila (que dá a cor verde), estão murchas e a cair. A bactéria infeta o xilema — os vasos por onde circula a água e os sais minerais — espalhando-se pelas paredes dos vasos até bloquearem a circulação da seiva bruta. Como a água e os nutrientes não chegam às folhas, estas vão secando, perdendo a capacidade de desempenhar as suas funções e morrendo.

A proposta da equipa liderada por Pablo Zarco-Tejada, investigador no Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, é usar pequenos aviões ou drones para detetar as árvores infetadas ainda antes de estas mostrarem os primeiros sintomas da doença. Para isso analisaram imagens dos olivais usando todo o espetro eletromagnético (logo, todo o espetro de luz e não apenas o infravermelho) e o espetro de temperaturas e conseguiram determinar com bastante precisão quais as árvores infetadas. Algo que confirmaram depois com análises às próprias árvores.

Uma vez identificada a infeção a árvore tem de ser abatida e incinerada, o que tem significado enormes perdas económicas no setor. Logo, quando mais cedo se identificar a infeção, maior a probabilidade de se conter a sua disseminação — as árvores infetadas são perdidas, mas conseguem salvar-se as restantes.

É que a bactéria Xylella fastidiosa tem uma agravante, não infeta apenas oliveiras. Também infeta vinhas, amendoeiras, citrinos e outras árvores de fruto, assim como carvalhos, ulmeiros e árvores ornamentais, ou até gramíneas. E a bactéria é facilmente transmitida pelos insetos que picam as árvores para se alimentarem da seiva bruta porque não precisam de um vetor específico (veículo de transmissão, como um inseto).

A bactéria foi detetada pela primeira vez em Itália, em 2013. Neste país afeta sobretudo as oliveiras. Deste então já se espalhou para França, onde as árvores ornamentais têm sido o principal alvo, e Espanha, que tem visto as amendoeiras serem mais atingidas. Em Portugal ainda não foi detetada a bactéria, mas há uma equipa liderada pelo INIAV que está atento à expansão da doença.

Enquanto se tentam detetar precocemente as plantas doentes e se tenta controlar a doença, existem alguns conselhos para prevenir o seu aparecimento: não transportar plantas de um país para o outro; comprar apenas plantas com Certificado Fitossanitário; e combater os insetos que sugam a seiva das árvores e que podem transmitir a bactéria.
Publicada por João Soares à(s) 11:15 0 comentários
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Etiquetas: Agricultura, Artigo Científico, Biologia, Ciencia, Floresta, Saúde, Tecnologia

domingo, 1 de julho de 2018

Esta é a nova bandeira para as praias

Texto e Fonte de Imagem: DN, 28.06.18


As praias nacionais ganharam mais uma bandeira. Agora além da verde, amarela e vermelha, há a listada com as cores amarelo e vermelho: indica onde é seguro tomar banho

Esta época balnear há uma nova indicação a ter em conta quando for à praia: ver onde estão duas bandeiras listadas de cor amarela e vermelho. Será entre essas bandeiras a zona segura para ir água. Os nadadores salvadores colocam essa indicação em zonas onde não há, por exemplo, agueiros. E podem mudar a localização durante o dia de acordo com as marés, por exemplo.

A indicação faz parte do edital de praia - onde estão explicadas as regras de segurança, o significado das bandeiras, as coimas em que incorre quem não respeitar as indicações dos nadadores salvadores, os dispositivos de segurança existentes - e significa "zona recomendável para os banhistas entrarem na água".

Ao DN, fonte oficial da Autoridade Marítima Nacional explicou que com esta indicação os banhistas ficam a conhecer "as zonas mais seguras para tomar banho" e que são "sugeridas pelos nadadores salvadores".
Publicada por João Soares à(s) 11:24 1 comentários
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Etiquetas: Oceanos, Praia, Segurança
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