"paulo m. oliveira" foi o pseudônimo usado por aristides lobo em suas traduções, geralmente feitas nos períodos que passou no cárcere nos anos 1930 - ver aqui. a tradução dos pensamentos de pascal foi publicada pela athena editora em 1936, com algumas reedições nos anos 40. infelizmente não localizei imagem de capa.
em 1957, a difel inaugura sua coleção "clássicos garnier" com os pensamentos pascalinos, em tradução que se dizia de sérgio milliet.
hoje, cá estou eu relendo alguns artigos de paulo rónai apanhados em escola de tradutores e lá encontro à p. 92 (minha edição é de 1987):
Teria gostado de compará-lo com os trabalhos de seus vários predecessores, mas só tive à mão, no momento, uma única versão em português, a de Paulo M. Oliveira, da Atena Editora (São Paulo, s.d.). O confronto dessa versão com a de Sérgio Milliet mostra que este, embora tenha aproveitado trechos inteiros do trabalho de seu antecessor, soube divergir dele quando a interpretação carecia de exatidão, clareza ou elegância. [destaque meu, db]bom, conheço esse trabalho de alterar um texto para melhorar a precisão, a clareza e o torneio de frase pelo nome de "revisão" ou "copidesque". quanto a "aproveitar trechos inteiros do trabalho de seu antecessor" sem dar a fonte nem os créditos correspondentes, em minha terra isso se chama "plágio".
diplomático, paulo rónai não usa o termo, mas não deixa margens de dúvidas em sua incisiva descrição do procedimento adotado: como diz ele, sérgio milliet aproveitou trechos inteiros do trabalho de paulo m. oliveira.
a partir de 1966, essa "tradução" de milliet passa a ser publicada pela tecnoprint, em sua coleção de "clássicos de bolso":

que fique então aqui registrada a constatação de mestre tão abalizado, já desde a época do lançamento da obra pela difel.
