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sábado, março 02, 2019

vozes da biblioteca

«Este cão parece que tinha sobrancelhas amarelas, que é coisa de rafeiro lusitano.» José Cardoso Pires, Balada da Praia dos Cães (1982)

«Hoje o tempo não me enganou.» José Luís Peixoto, Nenhum Olhar (2000)

«Naturalmente, também, se vieste aqui hoje foi para não estares fechada... -- disse João Garcia, sorrindo e desenrolando um fio de despiques pequeninos, a linha mais excitante de um namoro em que era a quarta ou quinta vez que se falavam.» Vitorino Nemésio, Mau Tempo no Canal (1944)

segunda-feira, março 02, 2015

um parágrafo perfeito: tudo está no seu lugar: nem uma palavra a menos nem uma palavra a mais

«Entra na cozinha. Cozinha, pia de pedra e janela para as traseiras onde há varandas com pombais e roupa estendida a secar; vasos e caixotes de flores nas janelas, ervas selvagens a crescerem nos telhados por onde passeia a rataria, antenas de televisão. Elias, com lume brando e desencanto que baste, aquece o leite da manhã.»

José Cardoso Pires, Balada da Praia dos Cães (1982)

sexta-feira, setembro 19, 2014

conspiração de cães

«Viu no fundo duma cova uma conspiração de cães à volta do cadáver dum homem; alguns saltaram para o lado assim que ele apareceu mas logo retomaram a presa; outros nem isso, estavam tão apostados na sua tarefa que se abocanhavam entre eles por cima do corpo do morto.»

José Cardoso Pires, Balada da Praia dos Cães (1982)