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domingo, 29 de janeiro de 2012

De cravo ao peito

Cavaco Silva teve a sua semana desastrosa, primeiro com uma declaração despropositada, e depois com uma desculpa ainda pior. Mas como esta figura pública conta com um grupo de influenciadores, bem pagos por nós, estes já estão no terreno (leia-se nos media) para limpar a imagem do actual Presidente da República. Nada como criar um “fait-diver”, em que alguns “cavaquistas”, devidamente não identificados, vem declarar que Vítor Gaspar deve ser substituído, como se pode ler aqui.

Tratam o Ministro das Finanças como “um ultraliberal” que está a “dar cabo” do modelo do modelo social e económico construído após o 25 de Abril, e consideram que as medidas de austeridade que são impostas pela crise da dívida pública sejam concretizadas com um enquadramento que vai conduzir, acreditam, à destruição da classe média e, consequentemente, do tecido económico português, que assenta em pequenas e médias empresas, que vivem do consumo.

Nada que eu não concorde totalmente, mas o que fez Cavaco Silva para impedir estas políticas “ultraliberais”?

Mais uma vez, os políticos portugueses primeiro agem sem olhar aos interesses gerais, e depois quando os resultados começam a dar para o torto preocupam-se a arranjar bodes expiatórios. Acredito, que estas declarações anónimas foram realizadas unicamente para disfarçar a trapalhada presidencial, mas é pena que estas opiniões “cavaquistas “ a serem verdade não sejam assumidas publicamente.

Ainda iremos ler que Cavaco Silva defendia a continuação das obras do TGV e do novo Aeroporto, que foi sempre contra os aumentos dos impostos e dos cortes dos subsídios, e “talvez” ainda tenhamos Cavaco Silva a realizar o seu discurso do 25 de Abril de cravo ao peito.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Uma moedinha

As “azaradas” declarações de Cavaco Silva estão a ter repercussões mediáticas, que não estaríamos à espera. Nos seus mandatos como Presidentes da República, na minha opinião, Cavaco Silva terá tido outros actos, ou omissões, muito mais criticáveis, mas estas últimas declarações estão a ser aproveitadas pelos portugueses para “descarregar” os seus ressentimentos pela classe política.

Esta “intolerância” popular é demonstrativa que a paciência dos portugueses poderá estar a esgotar-se à mesma velocidade que o nosso dinheiro desaparece das nossas carteiras. Como prova disso tem sido as várias demonstrações populares de desagrado, pelas declarações, que espantosamente trouxeram hoje, em Belém, para a rua um grupo significativo de portugueses de uma idade mais avançada, como se pode ler aqui.

Os mais novos utilizam o humor nas redes sociais, e promovem várias petições públicas, como esta, que já tem mais de 24.000 27.000 32.000 36.000 signatários.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Não vai chegar para pagar as minhas despesas ...



Mais de 10 mil euros não chegam para pagar as despesas de um "pobre" Presidente da República. Vergonho é que este senhor não perceba com que dificuldade é que a grande maioria dos portugueses chegam ao fim do mês com os seus salários ou pensões de miséria, mas a culpa é daqueles que o escoheram acreditando na muitas promessas, que realizou durante a última campanha eleitoral.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Eurobonds e opiniões diversas

A chanceler alemã (Merkel) disse aqui que criar títulos europeus de dívida pública -- os 'eurobonds' -- não é solução para os problemas da União Europeia e que só o defende quem "ainda não entendeu a crise".

Cavaco lembra aqui, no entanto, que «são cada vez mais os economistas de reputação internacional que, publicamente, têm vindo a defender que, para debelar a grave crise da zona euro» o caminho a seguir é esse (criar os 'eurobonds').

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse aqui, sobre a criação das eurobonds que, «olhar para esta solução como se fosse de curto ou médio prazo é estar a enganar-nos».

O secretário-geral do PS criticou aqui a lentidão da União Europeia, que "ainda não pôs em prática medidas apresentadas há três meses", e defendeu a criação de eurobonds.

E eu digo que estão a enganar-nos quando apresentam medidas que não são aplicadas rapidamente e depois mostram-se inadequadas. Afinal entre as opiniões de economistas de reputação internacional e a opinião de políticos de duvidosa credibilidade eu não tenho dúvidas.

Só fico espantado que alguns considerem agora que a solução passe por uma medida da União Europeia -- a criação dos 'eurobonds' --- quando antes só responsabilizavam o governo de José Sócrates pela crise.

O que é a Euro Bond?

Simples: emissão única e centralizada de dívida pública. Em vez de haver dívida pública alemã, espanhola ou portuguesa, emitida por cada Estado Membro, passa a haver um único emissor de dívida pública, um “instituto de dívida pública europeu”. Porquê? Citando directamente do site do PSD Europa, o proponente Silva Peneda argumenta:
      
Segundo Silva Peneda, para haver mais investimento é necessário que “o crédito seja acessível e barato, mas tudo aponta para que nos próximos tempos ele seja escasso e muito mais caro para países mais vulneráveis, como é o caso de Portugal.”

Estes países enfrentam dificuldades acrescidas de financiamento pelo que Silva Peneda defende a possibilidade de passar a haver, a nível da zona euro, um único emitente central de dívida pública europeia, que é, aliás, o cenário mais compatível com a sustentabilidade do euro a longo prazo.

Esta definição de Euro Bond foi retirada daqui, mas data de 27 de Março de 2009.

sábado, 12 de novembro de 2011

Visita ao memorial em honra de Franklin Roosevelt

Cavaco Silva visitou o memorial em honra de Franklin Roosevelt, o presidente que resgatou os Estados Unidos da Grande Depressão.

“Vim aqui porque o Roosevelt tomou decisões económicas da maior importância para tirar os Estados Unidos e o mundo da recessão”, declarou Cavaco aos jornalistas.

“É muito referido o New Deal, mas o mais importante, quanto a mim, dele foi a desvalorização do dólar. É isso que vai resolver a crise, muito forte, do sistema bancário então e dar um grande impulso à economia norte-americana.”

Pode-se ler aqui.

É importante esclarecer que o New Deal foi o nome dado à série de programas implementados nos Estados Unidos entre 1933 e 1937 com o objetivo de recuperar e reformar a economia norte-americana, e assistir aos prejudicados pela Grande Depressão.

Consistiu num investimento maciço em obras públicas, que geraram milhões de novos empregos, no controle sobre os preços e a produçao, para evitar a superprodução na agricultura e na indústria, na diminuição da jornada de trabalho, com o objetivo de abrir novos postos.

Além disso, fixou-se o salário mínimo, criaram-se o seguro-desemprego e o seguro-velhice.

Essas políticas econômicas já tinha começado a ser aplicadas por Hjalmar Schacht na Alemanha de Adolfo Hitler, que foram - cerca três anos mais tarde - racionalizadas por Keynes em sua obra clássica Teoria geral do emprego, do juro e da moeda.

Claro que ficaria mal para Cavaco Silva ter que admitir que foram as soluções Keynesianas que tiraram o mundo da Grande Depressão de 1929, mas o certo que estas políticas já tem provas dadas enquanto as políticas neo-liberais de austeridades são basicamente as mesmas que provocaram a Grande Depressão de 1929.

Qualquer pessoa com o mínimo conhecimentos e honestidade intelectual também sabe que a desvalorização do dólar foi uma consequência das políticas adoptadas e não a solução.

O que fica mal é que agora um pouco por toda a direita apareçam vozes a defender parte, ou até a totalidade, das medidas "keynesianas" para resolver o problema da actual crise, mas quando o segundo governo de José Sócrates (que não tinha uma maioria parlamentar) tentou adoptar algumas dessas medidas foi fortemente atacado e só conseguiu a aprovação dos orçamentos quando retirou dos orçamentos muitas desssas medidas.

É fácil de encontrar semelhanças entre as políticas de José Sócrates e as de Franklin Roosevelt, basta pensar no TGV, no novo Aeroporto de Lisboa, nos novos centros escolares, nos novos hospitais, etc.

Tudo políticas criticadas pela direita e que agora foram totalmente paradas criando desemprego, recessão económica e pobreza.

Afinal quem é que está a provocar a actual depressão?

Cavaco Silva deveria reflectir, pelo menos agora, nos ensinamentos de Franklin Roosevelt e tudo fazer para que eles sejam aplicados no nosso país.

sábado, 9 de abril de 2011

Mais um puxão de orelhas

O PR recusou qualquer intervenção na negociação com a Oposição do pacote de “ajuda”, leia-se resgate ou intervenção, financeira a Portugal, pode ler aqui e aqui.

Sustentou, insistindo que a Constituição é clara nesta matéria e estabelece que “o Presidente da República não governa, nem legisla”.

Mas o PR assinou no dia 7 de Abril o decreto que dissolve a Assembleia da República e que fixa o dia 5 de junho de 2011 para a realização das eleições legislativas", pode ler aqui, pelo que deveria saber que ficaremos sem poder legislativo até à posse dos deputados eleitos na sequência daquelas eleições.

O PR também sabia desde 23 de Março que José Sócrates tinha apresentado a demissão, que foi por ele aceite após os partidos da Oposição terem retirado todas as condições para o Governo continuar a governar, como se pode ler aqui.

Recordo que no Artigo 186º da Constituição da República Portuguesa se pode ler: “Após a sua demissão, o Governo limitar-se-á à prática de actos estritamente necessários para assegurar a gestão dos negócios públicos”.

A opção do PR de iniciar o seu segundo mandato de forma agressiva para com o Governo foi também sua, mas como pode ver aqui no discurso de tomada posse, também disse, que:

"De acordo com a leitura que faço dos poderes presidenciais inscritos na Constituição, considero que o Presidente da República deve acompanhar com exigência a acção governativa e deve empenhar-se decisivamente na promoção de uma estabilidade dinâmica no sistema político democrático".

Agora e como único órgão de soberania totalmente em funções não querer assumir responsabilidades, mas assume posições para passar a responsabilidade para terceiros, como é caso, quando afirmou que:

“Espero que os nossos parceiros tenham em consideração que vamos para eleições a 5 de Junho, por isso o que precisamos agora é de um programa interino para que o próximo Governo possa participar nas negociações finais, porque é o próximo Governo que vai implementar o programa”.

O cenário de uma negociação a “dois tempos”, defendido também pelo PSD e CDS, já tinha sido excluído pelos Ministros das Finanças Europeus aqui, pelo que como resposta leva um valente puxão de orelhas do Comissário Europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, que aqui afirma que:

“Para bem de Portugal preferimos não falar todos os dias com dirigentes portugueses na praça pública".

Juntamente com o PSD, e os restantes partidos da Oposição, criou este nó górdio que agora não quer assumir e também já se esqueceu que no seu discurso de tomada de posse disse:

"Como tenho dito repetidamente, neste momento que não é fácil, Portugal precisa de todos. Todos somos responsáveis pelo nosso futuro colectivo. A situação do País é demasiado complexa para que alguém pense que isto não é consigo, é só com os outros".

Agora o Presidente da República Cavaco Silva já pensa que este conselho não é para ele mas só para os outros.

Finalmente recordo a todos que o pedido de resgate foi enviado, mas falta a realização de uma negociação com sucesso e a aprovação final dessa negociação pelos nossos “parceiros europeus” para que os Euros comecem a chegar. Assim e até esse momento a situação financeira do país continua na mesma, pelo que não será de se excluírem cenários de atrasos nos pagamentos de salários e de outras responsabilidades por parte do Estado, das Autarquias ou das Empresas Públicas.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Portugal já pediu ajuda a Bruxelas

O primeiro-ministro confirma aqui que o Governo decidiu hoje dirigir um pedido de assistência financeira à Comissão Europeia. José Sócrates afirmou ter dado conhecimento ao Presidente da República, para que faça as diligências necessárias junto dos partidos para assegurar um entendimento sobre o pedido de socorro.

Agora a "bola" estará outra vez do lado do Presidente da República.

Entretanto o PSD gostou da medida que só a considerou tardia!

O BE e o PCP parece que não gostaram, mas eu não comprendo então porque não deram uma mão para que não tivessemos chegado aqui!

Fiquei com a dúvida de quem é que vai negociar este PEC V com a Comissão Europeia e quais serão agora as medidas exigidas pela Comissão Europeia e pelo FMI para que consigamos ter a ajuda externa que nos irá permitir pagar os nossos compromissos mas que de certo no irá obrigar a "apertar fortemente o cinto". Já não são tempos de vacas magras, mas de "vacas escanzeladas".

Podemos ver no gráfico acima quais os passos decisivos que foram realizados com firrmeza para que chegassemos ao ponto de ter que pedir "já" ajuda externa.  

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Verdade e Rigor

Do comunicado de Cavaco Silva, que pode ser lido na íntegra aqui, praticamente só gostei destes dois parágrafos:

"A campanha eleitoral deve ser uma campanha de verdade e de rigor. Ninguém deve prometer aquilo que não poderá ser cumprido. Este não é o tempo de vender ilusões ou falsas utopias. Prometer o impossível – ou esconder o inadiável – seria tentar enganar os Portugueses e explorar o seu descontentamento. Confio na maturidade cívica do nosso povo".

"A próxima campanha deve ser sóbria nos meios e esclarecedora nas propostas que cada partido irá fazer ao eleitorado. Estas propostas têm de ser construtivas, realistas e credíveis e a campanha deve decorrer com elevação nas palavras e nas atitudes".

Mas por aquilo que já se vai ouvindo e lendo por parte de todos os intervenientes políticos sem excepção a verdade é deturpada, o rigor é muito pouco. Fazem-se promessas que deveriam saber que não podem ser cumpridas, vendem-se ilusões e as utopias estão na ordem do dia.

As propostas ou não existem ou não são claras, muito menos credíveis e não existe elevação nem palavras nem nas atitudes.

Pior é que os actores políticos não se querem responsabilizar pelos seus actos e tem um discurso para os portugueses e outros para as instituições estrangeiras.

Mas o pior de tudo é que recentemente em campanha eleitoral quem prometeu que com a sua eleição teríamos garantia de estabilidade política e económica, que seria mais interveniente garantido um Portugal em alta, que afinal foi utópico, irrealista e pouco credível, ontem tenha pedido aos outros políticos que se comportem como HOMENS.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Harry Potter

E agora?

Espera-se que alguém com as melhores capacidades do jovem estudante da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts que encontre as soluções para endireitar a finanças e a economia portuguesa sem aumentar mais os impostos, sem despedir funcionários públicos, sem cortar nos benefícios sociais e sem cortar salários e reformas.

O pior é que quem venha acabar por aparecer para tentar resolver os nossos problemas orçamentais seja o próprio Lord Voldemort disfarçado de funcionário do FMI.

Para já fiquemos em suspenso por saber como será o enredo desta saga que só será totalmente desvendada lá para depois das férias de verão.

Ler mais aqui, aqui e aqui.

quarta-feira, 16 de março de 2011

O bom aluno do Estado Novo (2)


Outras opiniões desses "bichos-papões":

Lutai com determinação, lusitos. (via Delito de Opinião)

Desculpe importa-se de repetir? (via Activismo de Sofá)

Regresso ao Passado (via Defender o Quadrado)

E pedir escusa de vez? (via Jugular)

Deve ser isto que chamam escrever direito por linhas tortas (via Forma Justa)

Conta-me como foi (via Da Literatura)

A Guerra Colonial começou há 50 anos (via Alma Lusa)

O bom aluno do Estado Novo

Vale a pena ler esta crónica de Daniel Oliveira intitulada “Cavaco Silva: o bom aluno do Estado Novo” sobre as declarações proferidas pelo “nosso” PR ao assinalar os cinquenta anos da Guerra Colonial.

Cavaco Silva deveria é ter recordado o país como é que os tais jovens há 50 anos (um deles o meu próprio pai) foram arrebanhados à força como “voluntários” para uma guerra inútil, injusta, estúpida, ilegítima, sem sentido, entre irmãos para defender um regime não democrático, ultrapassado e que nada dizia aos portugueses.

Eram a “carne para canhão” atirada para as profundezas de África sem muitas das vezes perceber qual era “missão” além de terem que defender os muitos interesses de muito poucos portugueses. Eram os anos em que os filhos do regime tinham oportunidade de fazer carreira nas esplanadas das principais cidades coloniais portuguesas, enquanto muitos escapavam à guerra fugindo às escondidas para o estrangeiro e a maioria não lhes restava outra hipótese senão de passar pelo menos dois anos arriscando a vida por quem não gostavam (e não vale a pena mandarem bocas porque eu estive lá e sei quem eram esses filhos do regime dos quais muitos ainda andam por aí). 

A ironia é que foi a revolução de Salgueiro Maia e dos outros Capitães de Abril realizada contra essa Guerra Colonial que permitiu a este Cavaco Silva, que nunca foi capaz de comemorar o 25 de Abril de cravo ao peito, chegar ao mais alto cargo da República Portuguesa. E isto através de uma eleição democrática que esse regime nos negava.

Ironia é que também essa Guerra Colonial tenha tido à altura a oposição dos principais Sociais-Democratas Europeus e hoje alguém teoricamente social-democrata venha tomar uma posição destas publicamente.

Ironia é que estas palavras sejam dirigidas aos jovens de hoje que felizmente nunca tiveram que enfrentar o risco de uma guerra injusta unicamente pelo esforço daqueles que foram e são oposição a este Cavaco Silva. 

De facto concordo com Daniel Oliveira quando este diz que Cavaco Silva é um bom aluno do Estado Novo. Mas ainda mais concordo com o próprio Cavaco Silva quando ele escreve que estava “integrado no actual regime político”, referindo-se ao Estado Novo, como se pode ler aqui.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O mistério dos juros, por Manuel António Pina

É sabido que Cavaco Silva nunca se engana e raramente tem dúvidas. Por isso não se enganou decerto quando anunciou aos portugueses (e também decerto sem ter qualquer dúvida sobre isso) que, se houvesse segunda volta nas eleições presidenciais, uma apocalíptica "subida das taxas de juros" iria desabar sobre "empresas e famílias".

É certo que Cavaco não disse preto no branco que, não havendo segunda volta, os juros desceriam ou se manteriam. Mas deu-o a entender (preto no branco), e como qualquer pessoa tem que nascer duas vezes para ser tão sério quanto Cavaco, Cavaco não o daria a entender se não fosse verdade. Por isso, e para lhe agradecerem o aviso, é que "empresas e famílias" o elegeram no domingo uma absolutíssima maioria de 23% do total de eleitores.

Daí que agora não compreendam como é que, três dias depois de, como Cavaco pediu, o terem eleito à primeira volta, os juros da dívida pública continuam a ir olimpicamente por aí acima, "citius, altius, fortius", tendo ontem chegado no mercado secundário à bonita taxa de 7,119%.

Talvez Cavaco se tenha esquecido de dizer aos mercados que podem regressar aos quartéis porque não haverá segunda volta. Ou talvez ande ocupado a tentar saber os "nomes daqueles que estão por detrás" da "campanha de calúnias, mentiras e insinuações" contra si e ainda não tenha tido tempo de telefonar aos mercados.

Mas que urge que Cavaco faça alguma coisa, urge.

Opinião que pode ser lida aqui.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Juro por minha honra ...



Como se pode ver, ouvir ou ler aqui o Presidente da República, e agora candidato presidencial, Cavaco Silva ao ser abordado por uma mulher que se queixou de não ter dinheiro para alimentar o filho recomendou que esta procurasse "uma institução de solidariedade que não seja do Estado".
 
A Constituição Portuguesa no seu Artigo 63.º (Segurança social e solidariedade) diz que "todos têm direito à segurança social" e que "o sistema de segurança social protege os cidadãos na doença, velhice, invalidez, viuvez e orfandade, bem como no desemprego e em todas as outras situações de falta ou diminuição de meios de subsistência ou de capacidade para o trabalho".

Ainda diz que "incumbe ao Estado organizar, coordenar e subsidiar um sistema de segurança social unificado e descentralizado".

No Artigo 127.º (Posse e juramento) é dito que no acto de posse o Presidente da República eleito prestará a seguinte declaração de compromisso:

"Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa".

Logo me leva a dizer que Cavaco Silva em face de uma Portuguesa necessitada demonstra que ou não é um homem de honra e cumpridor do seu juramento ou simplesmente deconhece a constituição que jurou defender, cumprir e fazer cumprir.

Ou são estas as conquistas que os Portugueses conseguiram com o 25 de Abril que Cavaco Silva e o PSD querem eliminar da Constituição?

E será ainda que Cavaco Silva considera que é mais importante o Estado gastar o dinheiro a salvar os bancos onde investe as suas "poupanças"?

Recordo que em situações de necessidade extremas como esta já na nossa terra outros responsáveis da mesma cor política responderam a Marcoenses como Nós que deveriam recorrer a emprêstimos bancários. E antes que digam que estou a mentir recordem-se da última Assembleia Municipal.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Regalias dos Eleitos Locais

Segundo o Estatuto dos Eleitos Locais, Lei nº 29/87 os eleitos locais que não estejam em regime de permanência, segundo o artigo 5º, tem direito a senhas de presença, a ajudas de custo e subsídio de transporte, e a viatura municipal, quando em serviço da autarquia.

Para os Presidentes das câmaras municipais, vereadores em regime de permanência e membros das juntas de freguesia em regime de tempo inteiro tem ainda direito a uma remuneração ou compensação mensal e a despesas de representação, a dois subsídios extraordinários anuais, à segurança social e a férias.

Os Presidentes das câmaras têm como único direito exclusivo um passaporte especial, quando em representação da autarquia.

Os subsídios extraordinários tem o valor da remuneração mensal.

Pelo artigo 10º os eleitos locais tem direito a uma senha de presença por cada reunião ordinária ou extraordinária e das comissões a que participe. O quantitativo de cada senha de presença é de 3%, 2,5% e 2% do valor da remuneração do presidente da câmara municipal, respectivamente para o presidente, secretários, restantes membros da assembleia municipal e vereadores.

Nos artigos 11º e 12º pode-se ler que as ajudas de custo e subsídios de transporte só são devidas quando se desloquem, por motivo de serviço, para fora do município, ou quando se desloquem do seu domicílio para reuniões ordinárias e extraordinárias e das comissões.

Esta lei foi proposta por Aníbal António Cavaco Silva.

Assim, na minha interpretação desta lei, os direitos a ter viatura e motorista atribuídos são tão válidos para um presidente da câmara, um vereador, ou qualquer outro eleito local. Assim a pergunta realizada se um vereador da oposição se tivesse sido eleito presidente da câmara requisitaria motorista, não faz sentido.

O que faz sentido é perguntar porque é que um presidente da câmara tem uma viatura e motorista atribuídos?

Assim, e a propósito de alguns comentários neste blog, atribuir unicamente a um vereador da oposição o facto de receber senhas de presença ou ajudas de custo, é esquecer que existem dezenas de eleitos locais que recebem as mesmas senhas de presença e ajudas de custo. Claro que estando a falar de uma quantia, na generalidade, de 2% da remuneração base do presidente da câmara não será por ai que se vai resolver o problema financeiro da autarquia. Poderia ajudar, mas iria de certeza dificultar que alguns desses eleitos locais realizassem as tarefas para que foram eleitos.

Demagogicamente poderia dizer que se o presidente da câmara reduzisse a sua remuneração base para metade, estas quantias desceriam proporcionalmente.

Talvez mais realista é que o Presidente da República, e candidato presidencial, Aníbal António Cavaco Silva sugerisse um corte na sua remuneração base de 20%, que sendo aprovada na Assembleia da República, todos estes valores seriam reduzidos proporcionalmente.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

sábado, 9 de outubro de 2010

Pedro Passos Coelho continua com a birra

O líder do PSD continua com a ameaça de não aprovar orçamento, as exigências sucedem-se. Se num dia exige a diminuição das despesas quando o governo cede ele já diz que assim não vamos ter crescimento do PIB, se noutro dia coloca uma data limite para as decisões de Sócrates, a seguir entra em confronto com a Presidência da República. Ninguém percebe qual o orçamento que Passos Coelho pretende, todos já compreenderam que ele só quer chegar ao Poder.

Sócrates diz que não vai governar com o orçamento da oposição, isto é se alguém da oposição se entender em relação às medidas do orçamento. Se nem o PSD se entende como será possível a oposição chegar a um consenso.

Entretanto Cavaco Silva já se apercebeu que pode estar em perigo a sua reeleição, e dá recados. Mas estes esbarram na parede da intransigência de Pedro Passos Coelho.

Durão Barroso e Merkel, e praticamente todos os outros lideres europeus, devem ter todos os dias pesadelos com a arrogância de uma criança que está a fazer uma grande birra para os lados de S.Caetano.

Quais são então os possíveis cenários que teremos nos próximos dias:

A aprovação do Orçamento Geral do Estado pelo actual líder do PSD está totalmente posta de parte. Os seus conselheiros políticos mais próximos Miguel Relvas, Marco António, Filipe Menezes, Ângelo Correia não passam de profissionais da política e da máquina do partido. Pouco lhes importa o futuro do País, logo que possam ter uma breve passagem pelo corredores do poder. Vão até ao fim apoiando o voto contra o Orçamento Geral do Estado.

O BE e o PCP vão ser coerentes com a sua política, no caso indiferente com os interesses da própria Esquerda.


Será que Cavaco se arrisca a ficar com o problema entre mãos e acabar por perder a sua reeleição para a Presidência da República?

Penso que não. Nem Cavaco, nem um governo de sua iniciativa, nem o próprio país aguentariam sete ou oito meses de instabilidade política.

A este cenário catastrófico é preferível o cenário da revolta dos partidários do Presidente da República, na Assembleia da República, de modo a que estes permitam a passagem do Orçamento. E neste caso o PSD poderia ficar ingovernável, mas Cavaco Silva teria assegurado a sua reeleição, Sócrates o seu governo (para já) e a oposição interna do PSD a sua vingança.

domingo, 6 de junho de 2010

Porque nunca votaria em Cavaco Silva

Fiquei espantado ao ler aqui e aqui que o actual PR "apelou aos portugueses para que façam férias cá dentro".

Podemos todos pensar que a ideia pode ser boa, mas qualquer economista, social-democrata ou liberal, perceberá que este tipo de apelos é politicamente e economicamente errado. Estamos numa economia aberta, onde este tipo de proteccionismo nacionalista e populista não faz nenhum sentido. O nosso turismo precisa que ingleses, espanhóis, alemães, suecos e outros europeus venham cá passar férias, e para isso é necessário que continuemos todos a funcionar como uma economia europeia e não como uma pequena economia num canto da Europa orgulhosamente só. Aliás muitas das empresas que exploram em Portugal o turismo não são portuguesas e algumas das empresas para onde os portugueses vão lá fora gozar as suas férias são portuguesas. O que dirá a TAP e outras transportadoras áreas destas palavras. E se cada Presidente de Câmara apelasse aos seus munícipes para passarem as férias cá em casa.

Muito bem o Ministro da Economia Vieira da Silva, de Xangai, respondeu com a seguinte declaração "Eu só espero que outros chefes de Estado de outros países não façam o mesmo apelo, porque senão perdemos uma fonte importante de divisas em Portugal,", que pode ler na íntegra aqui.

As declarações de Cavaco Silva não ficariam bem a um europeísta, nem a uma qualquer social-democrata. Não ficariam bem a qualquer economista e sobretudo a nenhum Professor de Economia. Ninguém dos principais partidos democratas portugueses deverá reconhecer-se nas mesmas. Os únicos que estarão extasiados são alguns grupelhos da direita nacionalista por verem o "seu" Presidente da República a defender claramente as suas ideias. 

O que virá a seguir? 
Vamos ter um apelo para expulsar os emigrantes porque nos estão a roubar empregos, ou a mandar que as mulheres que fiquem em casa porque existem homens desempregados. 

Senhor Presidente, estamos no início da segunda década do século XXI, não estamos nos fins do século XIX.

sábado, 29 de maio de 2010

A direita não perdoa Cavaco Silva

Pode-se ler aqui e aqui que o próprio Bagão Félix reconhece que foi sondado para uma candidatura a Belém, e aqui que também foi contactado o Tenente-Coronel Brandão Ferreira. A desculpa está na promulgação do casamento gay, mas na minha opinião também estão em causa alguns ajustes de contas.

Mais notícias aqui e aqui.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Os políticos estão loucos!

Os políticos deste país estão totalmente loucos. Podemos não ter tido uma pandemia de gripe A, mas de certeza que existe por aí algum vírus que enlouqueceu totalmente a nossa classe política.

Sugiro que enquanto a OMS não arranja uma vacina para esta doença fatal (para os portugueses) que alguém os coloque de quarentena.

Sintomas aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e ainda aqui.