E este Setembro que não acaba e este Outubro que não acaba. Faz calor de noite e a tarde é lenta e tarda nada é escura e ainda quente. E crebra luz. Síndroma de perturbação sazonal. É do que sofrem os que querem o escuro e o frio rápido. Depois passam o Inverno a olhar para os beirais à espera das andorinhas. Pássaros políticos.
A indigitação - ou não indigitação - do futuro PM discutida ao mais alto nível. A aldeia global é mesmo uma aldeia; e tem carros de bois, lavadouros públicos, tabernas, etc.
Destaco, por motivos pessoais e de amizade, os resultados de Ribeiro e Castro no Porto (4 deputados: é obra, principalmente se nos distrairmos com as suas preferências futebolísticas), o particular resultado de Serpa Oliva, em Coimbra, onde voto e que voltou finalmente a apresentar novamente um deputado à Assembleia da República, o de Leiria e da Assunção Cristas, e o de Raul Almeida, em Aveiro. A Paulo Portas e à sua excelente campanha se devem em muito as vitórias: os meus parabéns e agradecimentos pela alegria. Realço ainda o deputado da Madeira, não deve ter sido fácil, e o de Faro, que não esperava de todo. O terceiro lugar geral é um feito, como o é ter impedido que esse lugar fosse ocupado por outros. No global, impediu-se ainda a maioria absoluta do PS. O CDS está num dia bom. Tem responsabilidades no futuro. Poderá permitir algumas acções importantes ao país, mas só se negociar previamente a proibição de muitas outras muito perniciosas.
O BE subiu a votação e representação mas pouco mais que isso. As expectativas eram enormes, os desejos ainda maiores mas os resultados foram parcos. Sozinho, não interessa para nada. E com o PS menos ainda.
Já aqui escrevi que só o PSD é capaz de lutar como ninguém pela derrota numa eleição, apenas pelo prazer de saborear num futuro próximo pequenas vinganças internas. Só o PSD seria capaz de em três meses destruir a vitória fabulosa de Paulo Rangel nas europeias e a onda que se poderia ter criado, a esperança de que o país necessitava. Já estão na comunicação social alguns dirigentes a desembainhar os cuidadosa e demoradamente afiados punhais para os joguetes caseiros: só espero que não estraguem as autárquicas, onde temos alguns interesses comuns. Depois que se esguedelhem à vontade. Mais tarde, que encontrem um candidato à presidenciais.
A vitória do PS não deixa de ser a derrota da sua prepotência e autoritarismo. O país pode tê-los aceite, aos socialistas, por deficiência do principal adversário; mas não volta a admitir a arrogância, sobranceria e petulância dos socialistas. Ouvido o discurso de Sócrates, não tenho a certeza de que ele tenha percebido tudo. Há gente que só à paulada. Também se arranja, num futuro próximo. Augusto Santos Silva será seguramente atirado para um sítio onde não arranje brigas públicas, Lino e Pinho para onde quiserem, Lurdes Rodrigues voltará ao seu excelente percurso académico. Mas o país voltará a ter de gramar um discurso inócuo e falso que já começou hoje. Pobre país, esse sim, o grande derrotado.
posted by VLX on 11:56 PM
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COMPRAR NABOS EM SACO (II):
1) O CDS-PP fez uma campanha assente em duas pedras: "vai trabalhar malandro" e "mais cadeia". Subiu o que subiu. Agora interpretem.
2) Teremos um TGV Lisboa- Santarém -Coimbra-Aveiro-Porto. Além de burros, seremos originais.
posted by FNV on 11:39 PM
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COMPRAR NABOS EM SACO:
1) Se o PSD, como tudo indica, ganhar as próximas eleições , MFL consegue vencer as europeias e as autárquicas e retirar a maioria absoluta ao PS. Nada mau para uma "péssima política".
2) Se o PSD continuar entretido com os aparelhistas, os filhos deles, os amigos deles e os campeões da carne assada, continuará a vencer os desafios da segunda divisão. Bom proveito.
3) Bom resultado do PS diga-se o que se disser. Nestas circunstâncias era muito difícil fazer melhor.
4) Os vulturinos já grasnaram. Menezes, naturalmente, mas também ( na TSF) Mira Amaral, um político de excepcional têmpera e fama, acusa o extabelixement. Telefone-se a Dante e peça-se abertura de mais um círculo.
5) Agora expliquem-me os sábios: o que se ganha com a política de appeseament de Jardim?
Lendo o Provedor do Leitor, hoje, no Público. Ficamos a saber que a jornalista São José de Almeida "exprimiu a sua perplexidade" pelo facto de o Provedor ter concluido que existia apenas uma fonte em Belém. É bom ficarmos a saber estas coisas.
Adenda: João Marcelino, esse monumento à classe, o dente-lógico.
posted by FNV on 11:09 AM
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MAIORIA SILENCIOSA?
Vivo, há 14 anos, em frente de uma das maiores secções de voto de Coimbra . Nunca vi tamanho movimento a esta hora. Não sei se será apenas para evitar as horas de calor.
posted by FNV on 10:16 AM
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STASIS BENFIQUISTA:
Vi o jogo ao lado de uma central de intoxicação, mas, ainda assim, vi bem. O Record até mostra dois penalties não assinalados. Não faz mal: prefiro golos de belo efeito.
posted by FNV on 12:54 PM
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STASIS BENFIQUISTA:
Hoje temos cripto-derby. Aquilo não é um clássico, como qualquer pessoa que não use chanatas entende facilmente. Um clássico pressupõe que pelo menos uma das equipas tenha dimensão mundial. Por exemplo: BenficaxReal, Benficax Juventus, BenficaxAcadémica. Também não é bem um derby, pois sendo verdade que Fóculporto e Sportingue são equipas de vibrante relevo regional, a designação é excessiva. Nem o Diário de Notícias se lembraria de classificar como derby um Coselhasx Adémia ou um SertanensexUnião de Coimbra.
posted by FNV on 10:37 AM
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O ESFÉRICO É REDONDO:
Se só este ano é que o Benfica está supostamente verdadeiramente forte, qual a razão para defenderem que nos últimos quinze anos deveriam ter ganho mais do que aquele campeonato que deixámos cair?
Delicio-me com a sondagem do Filipe e sei que aquelas que os partidos dispõem dão diferença entre os dois primeiros igualmente reduzida, muito diferentes das que os jornais publicam. E antecipo com gozo as titubeantes explicações de domingo dos responsáveis pelos erros das publicadas. Como bónus, pode ser que perguntem também a um específico personagem pela derrota da véspera frente ao FCP.
1) A nobreza de MFL. Nunca mencionou os casos que envolveram Sócrates nos últimos anos. Parafraseando o meu amigo Pedro Caeiro (nos comentários aqui no blogue ao episódio da loira do PSD), Sócrates não teria durado um dia se estivéssemos nos EUA.
Depois de ter enunciado os aspectos gerais do movimento, vejamos algumas categorias específicas. Comecemos pela redefinição da escolha sacrificial do novo cyborg. Durante os anos da construção do mito - das mulheres subalternizadas - o espaço doméstico foi ignorado em favor da apropriação dos mecanismos de poder da esfera pública. As feministas queriam sair de casa e fazer de cada empresa, de cada fábrica, de cada escola uma Estalinegrado político-sexual. A condição masculina podia ter aproveitado para conquistar, no ambiente doméstico, as condições de independência outrora negadas. Não foi isso que aconteceu. Saindo de casa as mulheres deixaram para trás um território queimado. O antigo território familiar , generoso e solidário, é hoje um não-lugar ( tomando a definição a Marc Augé). O homem nem sequer pode tirar vantagem de ter de fazer muitas das tarefas domésticas actuais, pois a casa é hoje um espaço ( daí ser um não-lugar) molecular, fluido e transitório. Oprimido por um corpo de saberes alistados com a supremacia feminina ( as psicologias, o estudos feministas, os discursos de igualdade, as quotas), o homem ocidental é hoje um cyborg ( reconstruído ao sabor das conveniências) sacrificado.
Adenda: a FC invectiva-me a "dizer-lhe na cara" ( é a segunda pessoa este mês depois do José Maria Martins ) não sei o quê. Bem, como "já não me respeita" vou ser breve. Não preciso de explicar nada, já lho tinha dito a propósito deste caso. A FC está sempre bem informada, trabalha no DN e eu explicitamente tenho-me referido ao caso como DN-Contragate. Como também disse ao JMM, não me impressiono com ralhetes.
Adenda 2: FC, de cabeça perdida, volta à carga no seu estilo mal educado e intimidatório ( o link é o mesmo): que não tenho coragem e e que insuno não sei o quê. Fui claríssimo. Como ela costuma ( ou costumava) ler-me, já deve ter reparado que escrevo o que quero e sofro as consequências disso. 100% solitariamente.
posted by FNV on 2:17 AM
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CIRCULANDO NA QUADRATURA:
Não é programa que eu costume comentar mas não posso deixar de abrir uma excepção para brincar com o facto de António Costa ter confundido o personagem Simon Templer com um actor, o Chefe de Estado com o Presidente da República, e considerar digno de louvor que um dia um funcionário seu e de sua confiança a viole e prejudique a Câmara Municipal de Lisboa.
posted by VLX on 1:44 AM
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QUEM COSPE PARA O AR...:
Leio no jornal que Edite Estrela lançou num discurso qualquer umas quaisquer suspeitas sobre Manuela Ferreira Leite, ainda que irrelevantes. Suponho que deve ser a mesma Edite Estrela que, segundo julgo, foi condenada nos tribunais judiciais portugueses por abuso de poder.
Não acredito em sondagens porque elas já demonstraram cabalmente quase nunca acertarem nos resultados.
Mas não acredito também porque me custa muito a crer que os portugueses dêem o seu apoio a personalidade com percurso pessoal e profissional tão trapalhão, onde a cada passo nos deparamos com bizarrias e originalidades mal explicadas, incongruentes, que não se passam com mais ninguém. Porque não acredito que os portugueses sustentem quem anda a prometer o que já prometeu e não cumpriu, quem invariavelmente se desculpa dos seus erros e omissões com a actuação dos anteriores governos, daqui até Salazar, quando o que está em causa é avaliar o seu governo.
Eu não acredito que os portugueses amparem quem lhes rapou as pensões, lhes aumentou os impostos, quem gasta e pretende gastar à larga o dinheiro dos contribuintes e o que o país não tem, quem fecha os serviços, promove o despovoamento do interior, encerra unidades de saúde e acaba com as maternidades, apresentando como único feito o aumento dos partos em ambulâncias na berma das estradas, a permissão do aborto a pedido e pago pelo contribuinte, e a instauração do direito ao repúdio do cônjuge.
Não acredito que os portugueses ofereçam o voto a quem perseguiu os professores, os magistrados, os médicos, enfermeiros, farmacêuticos, agricultores, polícias, militares, funcionários públicos em geral, empresários independentes, jornalistas independentes, jornais e televisões de que não gostava.
Não acredito que os portugueses se deixem levar pela política espectáculo da oferta nunca muito bem explicada (nem a sua suspensão) de computadores carregados de erros, pelos floreados discursos na inauguração de empresas carregadas de benefícios estatais que se perdem em insolvências rápidas ou pela colocação de primeiras pedras que apodrecem à espera das segundas.
Não acredito que os portugueses protejam quem tanto desprotegeu a economia, o emprego, os serviços, a agricultura e deixa o país de rastos e carregado de dívidas que promete aumentar, bem como os impostos.
Não acredito ainda que os portugueses perdoem quem foi tão arrogante, autoritário, ríspido e desagradável até levar a paulada das Europeias nem que acreditem na súbita e aparente mudança de personalidade do lobo tornado cordeiro.
Eu não acredito que os portugueses aplaudam semelhante personagem. E não acredito em sondagens, apenas nas eleições de domingo.
A condição masculina está cercada. É um facto. Os novos arranjos político -sexuais impeliram-nos para a periferia dos processos de decisão familiar, conjugal e para-conjugal. Em nome da abolição dos antigos privilégios de classe, o poderio feminino instalou um aparelho dominador cuja extensão é asfixiante. Uma mulher chega a casa às 20.00h e o homem já tem o bebé lavado e alimentado, a mesa posta e o jantar feito. Depois da refeição, enquanto a mulher tagarela ao telemóvel, ou prepara uma aula, o homem arruma a cozinha a deita a criança. Esta escravidão é consentida em nome de uma condição de igualdade, condição essa apenas prometida e nunca cumprida. Como outrora a négritude de Fanon/Césaire , a masculinidade está refém do seu passado e da sua psicologia , nunca do seu género.
Escrevi isto há ano e meio e não retiro uma vírgula. Aconteça o que acontecer, a campanha de MFL mostrou que se pode dispensar o folclore, as promessas baratas, o cálculo manhoso, o culto da imagem e a vassalagem aos jornalistas. Muita coisa ficou por fazer, é certo, sobretudo o transporte desse estilo para o interior do partido. Muita da inquietação - clima terrível, novo PREC, etc- pressentida não sobreviverá a Domingo. Os negócios terão de ser feitos, os acordos idem, os lugares terão de ser distribuídos. Os partidos do poder continuarão a ser geridos por pessoal profissional. Já há muitos à espreita. Como a estupidez é cíclica, daqui a dois anos o actual consenso sobre as vantagens de um governo minoritário será substituído pelo grito lancinante por uma maioria absoluta. A bradipneia impõe-se.
Mais leituras outonais. "Managing the Poor Performer", de Valerie e Andrew Stewart, Gower, Aldershot, 1982. Como ensinar alguém a fazer um trabalho para o qual não parece ter as capacidades necessárias. Por estranho que pareça, é possível. "Do ópio e suas preparações pharmaceuticas", Manoel Santos Lima, Tese de doutoramento apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Agosto de 1868. Embora a colecção já vá sendo de respeito, ainda consegui encontar neste livrinho a menção a uma poção totalmente caída em desuso: o extracto acético de Lalouette, ou vinagre de ópio. Sempre a aprender.
Não há mal nenhum em querer tratar os outros como idiotas e em desdizer hoje o que se disse ontem. Deve-se é pensar duas vezes antes de, ao mesmo tempo, fazer da probidade uma bandeira. Este tipo de PSD - manhoso e profissional - ainda está convencido que os eleitores são perfeitos idiotas demenciados.
Mar de opinioes, ideias e comentarios. Para marinheiros e estivadores, sereias e outras musas, tubaroes e demais peixe graudo, carapaus de corrida e todos os errantes navegantes.