Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

A revelação



O debate entre os candidatos à presidência da Câmara de Almada que ontem teve lugar na RTPN, sob a (fraca) moderação de Cecília do Carmo, teve, além de outros (poucos, por força das condições em que o debate decorreu) o mérito de nos revelar que a actual presidente da Câmara e recandidata, Maria Emília Neto de Sousa, sob a capa de uma (pelos vistos) falsa simpatia, esconde uma evidente arrogância (ao reivindicar para si todos os méritos da construção do Metro Sul do Tejo, com a afirmação de que o Metro tem um rosto: o dela, quando é sabido que, sem o investimento do poder central, o Metro nunca veria a luz do dia) e falta de respeito pelos outros (ao monopolizar o uso da palavra e ao interromper, com inoportunos apartes, o discurso dos restantes, com a inexplicável complacência da moderadora). Os outros candidatos (uns melhor, outros pior) tentaram expor os seus programas, tarefa que a loquacidade da incumbente e inabilidade da moderadora não facilitaram, mas todos deram provas de serem gente educada, coisa que Maria Emília, pelo menos, na circunstância, não foi.

Uma referência mais, à esquerda

É evidente que o apoio dado por Carvalho da Silva à candidatura de António Costa à Câmara de Lisboa faz mossa, e não pequena, à candidatura da CDU, liderada por Ruben de Carvalho, por muito que este tente disfarçar, cumprindo o seu papel, é bom de ver.
Como também é fácil compreender que Carvalho da Silva, ao mesmo tempo que manifesta o seu apoio à candidatura de António Costa ( o "quero desejar-lhe uma boa ponta final de campanha e dizer-lhe que os lisboetas e Lisboa precisam da sua vitória" é demonstração inequívoca de tal apoio) garanta à direcção do seu partido (o PCP) que a sua posição “tem em conta condições concretas e os objectivos presentes na disputa eleitoral por Lisboa”, não pondo em causa o seu apoio “claro e inequívoco” à CDU e aos seus “objectivos gerais no conjunto das suas candidaturas”.
Carvalho da Silva, com efeito, não deixou de ser comunista e, consequentemente, estranho seria que não manifestasse o seu apoio "claro e inequívoco" à CDU, em geral. Só que ele, ao contrário da direcção do seu partido, é capaz de distinguir o essencial, em cada circunstância, essencial que, na disputa eleitoral em Lisboa, passa por vencer a direita. Agindo nesta conformidade, Carvalho da Silva torna-se, se não o era já, numa importante referência para a esquerda em geral. Acho eu.
(Reeditada)

"JUNTAR FORÇAS"

"Juntar forças", o slogan adoptado pelo Bloco de Esquerda na campanha para as eleições autárquicas em Almada (e admito que nas restantes autarquias) não podia ser mais enganoso, pois está provado que o voto no BE, em vez de servir para juntar forças, tem servido para dispersá-las. "Juntar forças" é, antes, seguir o exemplo de Carvalho da Silva e de José Saramago (entre outras personalidades de esquerda) e apoiar a candidatura de António Costa, em Lisboa, para vencer a direita e, em Almada, é concentrar os votos na candidatura do PS, liderada por Paulo Pedroso, para vencer o "Futuro".

Terça-feira, 6 de Outubro de 2009

O "impagável bobo" quer "esmiuçar"

O "impagável bobo" e presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, quer ver deslindado (não será, antes, "esmiuçado" ?) o comportamento de graduados da PSP que "não são da Madeira" .
Porquê só os que "não são da Madeira" ? Será porque ele, o "grande truão" considera que são os únicos que não estão devidamente sintonizados com a "não asfixia democrática" à moda madeirense, ou será antes porque a Madeira, sem nos dar (ou levar) cavaco, já é independente ?

Calma aí, senhor C. Barbosa !

O senhor Carlos Barbosa, enquanto presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP) achou-se no direito de afirmar que António Costa, actual presidente da Câmara de Lisboa não tem“competência” para resolver o problema do trânsito em Lisboa.
O senhor Carlos Barbosa, como cidadão, pode ter as opções partidárias que muito bem entenda e manifestar as suas opiniões, como lhe aprouver. Como presidente do ACP não tem, nem competência, nem legitimidade para tomar a posição que tomou, posição que, além do mais, não é fundamentada, pois as dificuldades que aponta já não são de agora. Permito-me, aliás, salientar que, pelo menos em relação à entrada do Liceu Francês, na Avenida Duarte Pacheco, a situação é, actualmente, bem mais caótica do que antes da construção do Túnel do Marquês, de que ele é defensor, segundo consta.
Acontece que sou sócio do ACP e, nessa qualidade, repudio a sua tomada de posição, sobretudo porque viola gravemente o estatuto da associação a que preside (infelizmente, pelos vistos) associação que os seus órgãos ou dirigentes não podem envolver na luta política, pois não é uma associação política. Isto dito, devo declarar que se o cavalheiro vier a recandidatar-se ao lugar, não contará com o meu voto. Seguramente. E tenho dito.

Almada não é do PCP...

... nem da CDU, bem entendido.
Perguntar-se-á o leitor sobre o porquê da publicação destas placas toponímicas e eu explico-me: Quando, no início dos anos 80, fixei a residência em Almada, um dos factos que me chamou a atenção, pelo insólito, foi a existência de placas toponímicas (por definição, pertença do Município) com o símbolo do PCP. Volvidos que são 35 anos após o 25 de Abril, as placas toponímicas reproduzidas nas imagens, (placas que, durante anos pude observar todos os dias porque situadas no próprio edifício do meu local de trabalho) permanecem no mesmo sítio e continuam a ostentar o símbolo do PCP. Não sei se ainda haverá outras nas mesmas condições, mas estas, pelo menos, continuam a existir.
Ora bem, do meu ponto de vista, a utilização de meios pertencentes ao Município para servirem de suporte a propaganda partidária (e é disso que se trata) é, antes de mais, revelador de uma concepção política apenas própria de um regime de partido único que, pela sua natureza, tende a identificar o poder (neste caso, local) com o partido que o exerce e a colocar os bens pertencentes à comunidade ao serviço do mesmo partido. Tal constitui, a meu ver, um abuso intolerável numa democracia, regime onde o poder reside na comunidade (e comunidade somos todos) e não no partido que temporariamente o exerce e onde os bens da comunidade (Estado, ou autarquias) são pertença de todos e não apenas de alguns.
Deixo, pois, aqui um apelo ao futuro executivo municipal (qualquer que ele venha a ser) no sentido de pôr termo a tal situação que, a meu ver, não dignifica o Município de Almada e, menos, ainda o respectivo executivo camarário.
(Fique claro que não se contesta aqui o direito de a Câmara de Almada homenagear os militantes do PCP que deram o seu melhor e, nalguns casos, a vida, na luta contra a ditadura. Não é isso que esta mensagem põe em causa, até porque considero que tal homenagem é, antes de mais, um dever.)

Eleições autárquicas (Almada) - "A diferença de fazer diferente"

Já não é a primeira vez que o PSD faz questão de oferecer aos almadenses, em campanhas para eleições autárquicas, slogans bem "imaginativos". Ainda estamos lembrados do incrível "Alma até Almada", duma das últimas campanhas (a penúltima, se não estou em erro). Desta feita, foi a candidatura liderada por Jorge Pedroso de Almeida que se lembrou de presentear o eleitorado almadense com um slogan eleitoral não menos "feliz": " A diferença de fazer diferente". "A diferença de fazer melhor" era capaz de ser mais apelativo, acho eu que, no entanto, estou inclinado a não fazer disso muita questão, não obstante o sabor a tautologia. Isto, porque o slogan, embora inócuo, tem a qualidade de não reivindicar, para a candidatura que anuncia, o mérito "de fazer melhor". Como, de facto, considero que não tem. A capacidade de ser diferente e "de fazer melhor" atribuo-a, por inteiro, à candidatura do PS à Câmara Municipal de Almada, liderada por Paulo Pedroso.

Segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Isto é mesmo só para contrariar !

Esta notícia Portugal tem o melhor curso de mestrado do mundo em gestão internacional e esta outra, onde nos é dado conta que equipa portuguesa arrecadou uma medalha de prata, duas medalhas de bronze e uma menção honrosa nas Olimpíadas Ibero-americanas de Física realizadas na capital do Chile, parece não terem outro propósito que não seja contrariar os muitos que se afadigam em afirmar que a política educativa do Governo só se preocupa com estatísticas.
Estes e outros resultados recentemente alcançados por estudantes portugueses em competições de igual nível, ou superior (lembro, a propósito, os resultados obtidos na área das matemáticas, considerados os melhores de sempre) talvez justificassem um rever de posição, por parte de quem não faz outra coisa que não seja depreciar a acção governativa, na área da educação. Dá, pelo menos, para pensar, ou não ?

Desculpem lá esta "colherada" !

Santana Lopes ao trazer à baila, uma vez mais mais, a questão da localização do aeroporto, faz-me lembrar, pela insistência, Manuela Ferreira Leite, na recente campanha para as legislativas, com o tema do TGV, embora o tratamento desta questão fizesse, na altura, algum sentido, visto a decisão sobre a continuação do projecto ser da competência do governo a sair das eleições. No caso de Santana Lopes, a introdução da discussão sobre o novo aeroporto na campanha para a eleição da Câmara de Lisboa, nem isso se pode dizer, visto que a decisão está tomada e não é da competência do executivo camarário.
António Costa tem, pois, toda a razão para acusar Santana Lopes de estar a levar a campanha para assuntos que nada têm a ver com as competências municipais.
E, sendo assim, é caso para nos perguntarmos se, no PSD, não têm emenda.
Desculpem lá os "alfacinhas" estar a meter a colherada na campanha, mas, em boa verdade, a questão do novo aeroporto não diz apenas respeito aos lisboetas.

Que pressa é essa ?

Ainda não há primeiro-ministro indigitado e já a líder do PSD intima o PS a anunciar uma solução de governabilidade para o país, esquecendo que é na Assembleia da República que o partido encarregado de formar governo terá de apresentar o seu programa e, consequentemente a "solução de governabilidade para o país". Não se compreende, pois, toda a pressa reclamada por Manuela Ferreirra Leite. Não se compreende, é verdade, mas não espanta, vindo a intimação de quem vem. MFL, pelos vistos, nem acerta nos temas (a "asfixia democrática" saiu-lhe cara) nem nos tempos e modos.
Neste caso, reconheço-lhe, no entanto, um mérito: com esta exigência formulada publicamente, a sua deslocação a Belém, para ser ouvida "formalmente", tornou-se desnecessária. Pela boca da sua líder, o PSD já disse a Cavaco Silva que quem deve formar governo é o PS, tendo como primeiro-ministro, José Sócrates.

Implantação da República: o sim e o não


Cavaco Silva entendeu por bem comemorar o 99º aniversário da República, com uma alocução proferida no Jardim da Cascata, no Palácio de Belém e justificou o facto de este ano não ter havido a tradicional cerimónia na Praça do Município com a sua presença, com a proximidade da realização das eleições autárquicas.

Ao invés, o primeiro-ministro, José Sócrates, compareceu nas cerimónias comemorativas da implantação da República realizadas na Câmara Municipal de Lisboa porque, segundo afirmou ,"gosta de comemorar a República “no sítio tradicional”.

A meu ver, não é só uma questão de "gostar" ou não "gostar", pois as comemorações devem realizar-se no local próprio e, goste-se, ou não, a proclamação da República teve lugar na Câmara Municipal de Lisboa. Não é o facto de estarmos em vésperas de eleições autárquicas que justifica a opção de Cavaco Silva, porque não se vê de que modo a comemoração da proclamação da República, na Praça do Município de Lisboa, poderia ter interferido na campanha eleitoral, tanto mais que o presidente da Câmara Municipal de Lisboa tomou, ele próprio, a iniciativa de não usar da palavra durante a cerimónia comemorativa, ficando a cargo da presidente da Assembleia Municipal, Paula Teixeira da Cruz, por sinal, militante de um dos partidos da oposição na Câmara (o PSD) o único discurso proferido na ocasião. Querem melhor prova de isenção ?
Perante os factos, temos de concluir que um tem razão (José Sócrates) e outro, ao optar por uma comemoração doméstica e intra muros, não (Cavaco Silva). Ultimamente, o inquilino de Belém não acerta uma, em matéria de isenção, pois privilegia o formal e despreza o essencial. O importante não é parecer. É ser.
(Imagem daqui)
(Reeditada)

"Nem gregos, nem romanos"

O desenvolvimento não se mede apenas em termos de percentagem do PIB. O tratamento dado por um qualquer país ao "outro" (que não é mais que um "igual") é um bom indicador de progresso civilizacional e de humanidade. A atribuição a Portugal, por parte das Nações Unidas, do primeiro lugar na classificação dos países mais "generosos" em políticas de integração dos imigrantes, é um facto que honra o país e o governo que tomou as medidas que justificaram a atribuição desta distinção. Ser de esquerda também é isto.

Avifauna portuguesa # 69 : Papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca)

(Clicando, amplia)
Papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca Pallas)
(Local e data: Parque Urbano - Almada; 20-09-2009)

Domingo, 4 de Outubro de 2009

A "Verdade" a que continuamos a ter direito

"Na "Sábado", Pacheco Pereira escreve isto: "Houve alturas em que no interior da sala Manuela Ferreira Leite estava a falar do desemprego, da crise económica, da dívida, etc. e os jornalistas nem sequer se davam ao luxo de entrar e estavam apenas à espera cá fora para perguntar sobre o caso do dia."
Na campanha, aconteceu isto: Manuela Ferreira Leite esteve, de facto, no interior de salas a falar sabe Deus do quê, enquanto os jornalistas aguardavam à porta, por terem a entrada vedada. Aconteceu pelo menos duas vezes. E Se Pacheco se refere aos comícios, mente. Em dois sentidos: primeiro, porque não houve jornalistas que "nem se deram ao luxo de entrar" nessas sessões. Segundo, porque ninguém perguntava nada a MFL no fim dos comícios. Ela não deixava.
Não discuto a inteligência, perspicácia e capacidade de análise de Pacheco Pereira. Mas não posso aceitar que minta ou distorça factos para sustentar as suas teorias da conspiração. Que malhe na classe jornalística, é um direito seu. Mas que o faça com factos reais. Alguém disse "verdade"?

Adriano Nobre, jornalista que acompanhou a campanha do PSD"

Eleições autárquicas (Almada) - O futuro com letra pequena

O "Futuro" não se escreve com promessas feitas à última da hora escritas num taipal a encobrir uma casa em ruínas.
É, antes, assim.

O "profeta" na sua terra

"Nas eleições legislativas de 2005, o PSD obteve 28,7% dos votos na vila da Marmeleira, ficando em segundo lugar. O leitor diria que nas eleições legislativas de 2009, sendo José Pacheco Pereira o cabeça de lista pelo distrito de Santarém, o PSD teria um excelente resultado, porventura ultrapassando o PS. Acontece que o leitor está enganado. Pacheco Pereira cometeu a proeza de descer para 23,4%…"

O afilhado

É o que o afilhado diz da madrinha. É bonito e "amor com amor se paga", diz o ditado.

"Ódio velho não cansa"´?

Este homem, José António Cerejo, obcecado com a perseguição contra José Sócrates não conhece descanso. Agora até se serve do facto de Sócrates ter sido chamado a depor como testemunha no processo do chamado "caso da Cova da Beira", para mais uma vez, destilar todo o ódio que o anima, fazendo apelo a denúncias anónimas que nunca foram confirmadas. E o "Público" em peça não assinada, insiste, como se fora bruxo ou adivinho, que "o caso pode não ter ficado encerrado com as respostas que [Sócrates] agora deu ao tribunal, na qualidade de testemunha."
Está visto que "ódio velho não cansa" e que tudo indica que o Cerejo e o "Público" ainda se não deram conta que as eleições legislativas já terminaram. Com resultados que são conhecidos. Avisem-nos !

O futuro do PSD, segundo Vasco

"Parece que, por enquanto, Manuela Ferreira Leite não vai sair da presidência do PSD. Em vez disso, que seria com certeza imerecido vexame, sairá na "melhor altura" até ao fim do precário mandato, que recebeu o ano passado. Espera ainda uma espécie de compensação no próximo domingo. Quer pôr a casa em ordem. E, sobretudo, evitar a eventual eleição de Pedro Passos Coelho, que ela acha, ou dizem que ela acha, um "Sócrates de segunda". Os vários bandos do partido, que se preparam para uma nova guerra civil, não se opõem, desde que ela não exagere e marque rapidamente as "directas" para Janeiro ou Fevereiro de 2010. Mesmo Marcelo é contra uma defenestração imediata, que em princípio favorece o PS. Só um péssimo resultado no dia 12 apressará as coisas.
Há, neste momento, cinco candidatos à sucessão: Marcelo Rebelo de Sousa, Marques Mendes, Passos Coelho, Paulo Rangel e Aguiar Branco. E é esta a tragédia do PSD. Para começar, Marcelo e Marques Mendes já estiveram à frente do partido e não chegaram a parte alguma. Nem um, nem outro representam hoje para o PSD e o país (por muita inteligência e habilidade que tenham) a unidade e a reforma de que o partido precisa. Pelo contrário, trazem inevitavelmente consigo o peso morto e, a prazo, fatal de uma vida velha e velhas querelas. Passos Coelho (de resto, uma excelente pessoa) é, como diz com razão Ferreira Leite, uma nulidade enfatuada. Paulo Rangel, além de um grande entusiasmo e de uma retórica brumosa e um pouco arcaica, nunca mostrou qualquer qualidade política superior. E Aguiar Branco não existe.
O problema do PSD não mudou de 1995 para cá. O dr. Cavaco criou um deserto à sua volta. Entre um populismo provinciano, e às vezes grosso, e meia dúzia de técnicos na reforma ou muito bem arrumados nos "negócios", não deixou ninguém. Basta seguir os fantásticos sarilhos da "espionagem", para se ver o género de gente de quem ele gosta. Não admira que, depois do "cavaquismo", o PSD ficasse sem cabeça ou, se preferirem, com uma dezena de putativas cabeças, que mutuamente se anulavam. Os "sindicatos" de voto e as maiores câmaras (que "davam" empregos) começaram a mandar e, como era inevitável, estabeleceram uma absoluta confusão. Uma confusão que as "directas" (ganhe quem ganhar), a interferência directa ou indirecta de Belém e as relações com o Governo de Sócrates só podem aumentar."
(Vasco Pulido Valente in "Público" de 4 de Outubro de 2009)

Eleições autárquicas (Almada) III

(Mural da campanha da candidatura do PS à Câmara de Almada)

"Este Programa dá corpo a um contrato entre o PS e os cidadãos de Almada. Foi elaborado de modo participado e vai ser acompanhado do mesmo modo.
O Conselho de Cidadãos que aceitou apoiar o PS nas eleições autárquicas de 2009 participou na sua elaboração, nas diversas fases e será chamado regularmente a fiscalizar a sua execução, criando em Almada um novo mecanismo de co-decisão política que engloba mas transcende o partido político que lhe dá corpo.
Este contrato é celebrado entre o PS e os cidadãos que apoiam a candidatura em nome do Futuro, 35 anos depois e orientará a nossa acção no próximo mandato.
Escolhemos também dar-lhe uma estrutura que facilite a sua fiscalização. Ele tem uma visão orientadora, tem um número restrito de programas estratégicos e identifica novas políticas. Nele se definem prioridades, se quantificam metas e se identificam resultados a atingir.
Aqui não encontrará um catálogo de medidas, mas o enunciado das direcções através das quais queremos fazer a mudança e a diferença em relação à política municipal do passado.
Por isso, em nome dos candidatos socialistas ao município de Almada e do Conselho de Cidadãos que apoia o Futuro, 35 anos depois, queremos convidar-vos a lerem-no e a mandarem, ainda agora, sempre, as vossas sugestões.
Este programa está vivo e nas reuniões regulares do Conselho de Cidadãos será permanentemente revisitado. Em www.almada2009.com estará uma porta sempre aberta para o seu contributo, porque nós queremos novas ideias para novas soluções e não nos fechamos em dogmatismos herdados do passado.

Temos hoje ideias claras para dar corpo à nossa ideia para o futuro de Almada:

Aumentar a mobilidade e devolver a vida ao centro da cidade, revogando o plano Mobilidade XXI, completando as infraestruturas viárias e colocando todos os pontos do concelho a uma distância inferior a 30 minutos do centro, em transporte público;

• Tornar o concelho mais cosmopolita, potenciando muito melhor a relação com Lisboa, o rio e o mar, adoptando uma estratégia ofensiva de captação de investimento moderno e emprego, em competição com os outros pólos da área Metropolitana de Lisboa, afirmando-o como um concelho ambientalmente sustentável, tornando-o num pólo de nível nacional das artes do espectáculo e afirmando a Costa da Caparica como grande complexo de praias da capital do país, activo todo o ano;

• Reequilibrar urbanisticamente o concelho, investindo na renovação urbana que tem estado bloqueada, qualificando as áreas degradadas e apoiando a reconversão das AUGI, que têm sido esquecidas e metade das quais continuam por reconverter passadas décadas, implicando diversas consequências urbanísticas e sociais;

• Apoiar as famílias trabalhadoras, pela melhoria dos serviços à população, com destaque para os transportes colectivos e para a escola pública, construindo as 60 salas de aula que faltam, distribuindo gratuitamente os manuais escolares do 1º ciclo ,garantindo às famílias a escola pública a funcionar das 7 às 19 horas para todos e cuidando dos cuidadores, ou seja, desenvolvendo serviços de apoio às famílias que têm pessoas dependentes no seu seio;

• Fazer de Almada um concelho socialmente mais coeso, com uma nova estratégia de apoio ao idosos, combatendo o seu isolamento e promovendo o desenvolvimento social, em particular nos bairros mais carenciados, pela aposta em parcerias com os agentes locais e numa nova política social de habitação, sem novas concentrações de pobreza. "

(Extracto do programa da candidatura do PS à Câmara de Almada, liderada por Paulo Pedroso. O programa pode ser consultado e lido, na íntegra, aqui)

Sábado, 3 de Outubro de 2009

Eleições autárquicas (Almada) II

"1 O FUTURO 35 ANOS DEPOIS
Há um provérbio que diz que se fizeres o que sempre fizeste, terás o que sempre tiveste. Assim tem acontecido com o poder autárquico em Almada nas últimas três décadas.
O modelo de gestão que foi seguido no passado não tem só defeitos, mas as suas virtudes foram-se esgotando e a perda de energia tornou-se notória, aumentando também a dificuldade em manter sintonia com os problemas dos cidadãos.
A esse modelo contrapomos agora um outro. Estamos voltados para o futuro. Queremos introduzir novas ideias, novos métodos de acção, uma nova concepção do poder local.
A autarquia deve ser estratega do desenvolvimento do concelho, afastada das disputas político-partidárias tradicionais e estar concentrada em construir parcerias de sucesso, indo ao fim do mundo, trabalhando com quem tiver que trabalhar, com lealdade, para melhorar os destinos do concelho.
Almada precisa de quem tenha novas soluções e não de quem repita velhas queixas, de quem se empenhe totalmente na solução dos problemas e não de quem deles queira alimentar plataformas reivindicativas.
Trinta e cinco anos depois, o concelho já não é mais uma periferia operária de Lisboa. Hoje é composto por duas cidades – Almada e Costa da Caparica – que devem ser centros cosmopolitas da grande capital do país.
Hoje tem um potencial económico que tem que ser aproveitado para atrair novos investimentos geradores de emprego.
Hoje tem milhares de novos residentes que o escolheram por aqui quererem usufruir de uma qualidade de vida que está ao nosso alcance melhorar drasticamente.
Hoje é um concelho com famílias trabalhadoras que precisam de ser devidamente apoiadas e populações envelhecidas que carecem de ser assistidas. Hoje é, também e infelizmente, um concelho que não resolveu o problema das AUGI, que tem concentrações terríveis de pobreza e que corre o risco de vir a ser problemático em termos de segurança.
Mas Almada tem também problemas que se acumularam por força de erros de gestão autárquica que foram cometidos.

A gestão da introdução do Metro do Sul to Tejo foi desastrosa. Faltaram medidas compensadoras do risco de desertificação do centro da cidade. Houve negligência no acompanhamento do crescimento da Costa da Caparica. Deixou-se edificar verdadeiros guetos urbanos.
Agora podemos mudar de rumo, se os cidadãos quiserem. Aqui podem conhecer o que pensamos e porque achamos que mudar de gestão autárquica é essencial. Nestas eleições autárquicas, é Almada que está em jogo.

(Extracto do programa da candidatura do PS à Câmara de Almada intitulado "ALMADA 2009 -O FUTURO 35 ANOS DEPOIS - CONTRATO COM OS CIDADÃOS" programa que, na íntegra, pode ser lido aqui.

Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

"Tempestade" no Verão, "bonança" no Outono ?

Ainda segundo o mesmo comunicado, após a publicação dos resultados eleitorais dos círculos da emigração seguir-se-ão os encontros formais, em cumprimento da regra constitucional que determina que “o primeiro-ministro é nomeado pelo Presidente da República ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais”.
Se bem julgo, indo além do discurso oficial, este primeiro encontro informal com os dirigentes partidários terá tido o propósito de aliviar as tensões, quer as derivadas de uma campanha eleitoral com mais "casos" do que seria desejável, quer as resultantes da desastrada comunicação dirigida ao país por Cavaco Silva, após as eleições. Pelas palavras dos dirigentes partidários, à saída do Palácio de Belém, tudo parece indicar, que o objectivo, pelo menos aparentemente, terá sido alcançado.
Por isso me interrogo sobre se depois da "tempestade de Verão" chegou a hora da bonança. É evidente que é cedo para o afirmar, embora me pareça evidente que Cavaco Silva não tem o mínimo interesse na continuação da guerrilha em que, imprudentemente, se envolveu, ou se deixou envolver, pois, pelas opiniões que se têm feito ouvir, Cavaco Silva não se saiu nada bem da peleja. Aprendeu a lição ? A ver vamos.

Tu quoque, VPV?

"Como ele próprio solenemente anunciou, no caso de Cavaco, essa conspiração tinha (ou tem) dois fins. [...]
Perante uma acusação tão grave, era de esperar que o dr. Cavaco apresentasse provas de uma absoluta solidez. Não apresentou. [... ] Estas conjecturas (as de Lima e as de Cavaco) são, como se perceberá, inteiramente gratuitas. Podem vir do excesso de zelo de um assessor ou dois, como podem vir da simples fantasia do dr. Cavaco. Não acrescentam nada e nem vagamente fundamentam a teoria da "conspiração". Face ao discurso do Presidente, não há qualquer motivo para acreditar nele. [...]
Tanto mais quanto o dr. Cavaco toma como um "ultimato" as "declarações" de algumas "destacadas personalidades" do PS (que, de facto, não passam de figuras de terceira ordem), exigindo que ele explicasse a colaboração de membros da sua Casa Civil no programa do PSD. Fora que essa colaboração é provavelmente falsa,, [está provado que não é, digo eu] até Cavaco reconhece que jamais se limitou a liberdade cívica e política a nenhum funcionário de nenhum antigo Presidente. Mas, reconhecendo isto, não hesitou em usar o episódio como base essencial da conspiração que terça-feira revelou ao país boquiaberto."
( Vasco Pulido Valente, aqui, na íntegra)
Concluo eu: mesmo os indefectíveis, com algumas excepções pouco recomendáveis, ficaram, pelos vistos, de boca aberta, com a comunicação de Cavaco Silva. Não é caso para menos.

Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Cavaco versus Cavaco

"Belém tinha autonomia sobre serviços informáticos
Na sua comunicação ao País de terça-feira, Cavaco Silva revelou que foram detectadas falhas no sistema informático de Belém.
No Conselho de Ministros de 23 de Abril passado foi aprovado um decreto-lei, assinado por Fernando Teixeira dos Santos e pelo próprio José Sócrates, que alterava o diploma que define a lei orgânica e o quadro de pessoal da secretaria-geral da Presidência da República.
"Tendo em conta as necessidades operacionais da Presidência da República, o presente decreto vem criar uma nova unidade orgânica incumbida da coordenação das actividades relacionadas com a gestão dos sistemas e tecnologias de informação",
lê-se nas justificações apresentadas pelo Governo para criar este novo organismo autónomo em Belém.
Este decreto lei, o 132/2009, de 2 de Junho (data da publicação no Diário da República), acrescenta aos serviços da secretaria-geral da Presidência uma nova direcção: a Direcção de Serviços de Informática.
Até essa data, só existiam quatro direcções em Belém: Direcção de Serviços Administrativos e Financeiros, Direcção de Serviços de Apoio e Relações Públicas, Direcção de Serviços de Documentação e Arquivo e ainda o Museu da Presidência da República.
O diploma aprovado pelo governo socialista atribui um conjunto de competência a esta nova direcção encarregada dos assuntos informáticos:
- Planear e coordenar as actividades relacionadas com a estratégia e os sistemas e tecnologias e informação da secretaria-geral da Presidência, com o objectivo de garantir a sua qualidade e optimização;
- Apoiar a definição das políticas e objectivos relacionados com os sistemas e tecnologias de informação;
- Participar na elaboração de planos de actividades e orçamentos anuais;
- Planear e coordenar estudos e projectos para melhoria ou reestruturação dos sistemas de informação;
- Controlar as condições de funcionamento dos sistemas e tecnologias;
- Propor a actualização das tecnologias, sistemas e equipamentos;
- Analisar e seleccionar propostas de fornecedores;
- Gerir e supervisionar as equipas de trabalho."
....

"A Presidência da República tem desde Junho deste ano total autonomia para gerir a sua própria rede informática. E quem deu a Belém esta autonomia foi José Sócrates, com quem Cavaco Silva está agora em guerra aberta."

(Fonte)

Se a notícia transcrita é verdadeira (e não é suposto que o que vem publicado no DR seja uma ficção) a quem é que Cavaco Silva pode imputar as "vulnerabilidades" a que aludiu, senão a ele próprio?

ADENDA:

O "caso" Cavaco versus Cavaco ganha mais consistência com a informação de que "A nomeação do Director dos Serviços de Informática ocorreu em 1 de Julho de 2009, na sequência, naturalmente, da criação da Direcção dos Serviços de Informática referida na notícia acima reproduzida. Se a nomeação é da sua responsabilidade e se tem razões de queixa em matéria de "vulnerabilidades", Cavaco Silva só se pode queixar de si próprio. Não será assim ?

Haja calma !

Face à declaração que Cavaco Silva dirigiu ao país, através da comunicação social, é lícito deduzir que não lhe passa pela cabeça resignar. Problema dele e do país. Tal não impede, obviamente, que, pessoalmente, não continue a considerar que o seu comportamento no "caso das escutas" revela que não tem, nem a isenção, nem as qualidades exigíveis para o exercício do cargo que ocupa, como já disse. A sua comunicação ao país, é, do meu ponto vista, a prova cabal.
Tal opinião, no entanto, não me leva a imaginar, sequer, que Cavaco Silva possa tentar levar a cabo algum "golpe", como o José Teles aqui admite. E por duas razões:
Primo: se a tal se atrevesse, Cavaco Silva não precisava que alguém o tentasse "encostar" ao PSD. Era ele próprio quem se "encostava" e nunca mais recuperaria a sua credibilidade, mesmos para os seus crentes;
Secundo: Cavaco Silva, afirmam os comentadores, é um institucionalista e, como tal, é impensável que desse um tal passo, pois, além do mais, não quererá passar à história como o primeiro e até agora único presidente desrespeitador da Constituição da República.

Isto disto, passo a outro ponto que se prende com o futuro próximo.A notícia de que o "Presidente marcou para amanhã audiência com secretário-geral do PS" tem dado origem a algumas interrogações sobre o próximo futuro e é este o ponto que de que agora me ocupo, para dizer:

I. É evidente que as relações pessoais entre Cavaco Silva e o actual primeiro-ministro atingiram um ponto de não retorno, pese embora a contenção e o sentido de Estado de que José Sócrates deu provas e continua a dar;

II. Tal facto, no entanto, não me parece que constitua nenhum drama, pois o importante é que as instituições democráticas funcionem e tenho como certo que a natureza da relações pessoais, sejam elas boas ou más, entre os titulares de órgãos de soberania, ainda que não seja irrelevante, não impede o regular funcionamento das instituições, pois este é assegurado pelo acatamento e observância das regras constitucionais. Por isso, digo: haja pois calma!

Adenda:

Por muito impossível que a mim me pareça, a hipótese de Cavaco Silva não vir a indigitar José Sócrates como primeiro-ministro do próximo Governo é discutida aqui, citando opiniões de vária proveniência. Insisto, pelas razões acima adiantadas, que não vale a pena criar efabulações sobre a questão.

Quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

Afinal, enganei-me !

Tinha por certo que Alberto João Jardim ocupava o primeiro lugar do pódio na especialidade da desconsideração pela opinião do Outro e que Pacheco Pereira ocupava idêntico lugar em matéria de facciosismo.
Lendo o artigo de opinião hoje publicado por Vasco Graça Moura, no Diário de Notícias, e acima "linkado", donde trancrevo a conclusão final, sou levado a reconhecer o meu erro. Cumpre-me, por isso apresentar, formalmente, as minhas desculpas a um e a outro. O título em ambas as especialidades, pertence, afinal, ao articulista Vasco Graça Moura. Será o mesmo Vasco Graça Moura que assina como poeta e tradutor de excelência?

Pacheco a presidente !

É verdade que o país vive horas tristes ao ser forçado a concluir que Cavaco Silva não é o Presidente de todos os portugueses, pois com a comunicação de ontem, revelou que não passa de um chefe de facção e, ainda por cima, inábil, como se pode concluir pela "estória da carochinha" que nos contou e em que ninguém acreditou. Faço-lhe ainda o favor de crer que nem ele.
Como tristezas não pagam dívidas e convém aliviar o ambiente, seja-me permitido deixar aqui uma sugestão: não será esta uma boa altura para colocar Pacheco Pereira na presidência ?
A ideia é, aparentemente, uma ideia peregrina, mas, a meu ver, não será tanto assim.
Explico-me:
Pacheco Pereira é, de longe, um contador de "estórias" muito superior a Cavaco Silva, pois não só é mais hábil em tecer urdiduras, como tem revelado uma imaginação verdadeiramente prodigiosa, sendo certo que, em matéria de facciosismo, não há em Portugal quem bata o "filósofo da Marmeleira".
Ora, estando nós, pelos vistos, condenados a manter em Belém um contador de "estórias" e chefe de facção, por que não escolher o melhor ?
E quem se atreve a afirmar que o melhor não é, de facto, Pacheco Pereira? Eu não.

Sócrates e o "caso das escutas"

Em todo o “caso das escutas” só se salva, a meu ver, o comportamento e a actuação de José Sócrates. Impecável, quer antes da comunicação de Cavaco Silva, quer posteriormente, pois recusou sempre "contribuir para uma polémica que desgasta e desprestigia as instituições”.
Com um presidente da República que acabou, com a sua declaração, por perder, de vez, a imagem de seriedade que laboriosamente havia construído é do interesse do país que ainda há um político digno de confiança. E há, graças a Zeus. Tem nome: José Sócrates.

Terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Suicídio em directo

De tão surrealista, custa a crer que o autor da comunicação feita hoje ao país por Cavaco Silva, seja feita por alguém que ocupa o cargo de Presidente da República.
O resumo que dela faço:
- Cavaco Silva não tem quaisquer provas de a presidência estar a ser "vigiada" pelo Governo;
- Cavaco Silva não acha grave que um elemento da sua casa civil transmita a um jornal (o "Público") que a presidência tem suspeitas de estar a ser vigiada pelo Governo, que peça ao mesmo jornal que faça uma investigação e também não lhe faz qualquer confusão que o jornal, 17 meses depois, venha a dar publicidade a tais suspeitas;
- Cavaco Silva põe mesmo em dúvida que Fernando Lima tenha feito as confidências ao Luciano Alvarez que este relata no "e-mail" que veio posteriormente a ser publicado pelo Diário de Notícias. Luciano Alvarez, não se livra, pois, da suspeita de ser um "aldrabão";
- Cavaco Silva, pelos vistos, também acha normal não se ter pronunciado sobre o caso, quando as suas alegadas "suspeitas" vieram a lume, permitindo que a opinião pública fosse manipulada por alguém que que faz parte da sua casa civil;
Ao invés:
- Cavaco Silva entende que o facto de alguns deputados do PS terem afirmado que membros da sua casa civil colaboraram na elaboração do programa eleitoral do PSD (colaboração que está comprovada) foi um ultimado e uma manobra para o forçar a entrar na luta política e para simultaneamente “desviar as atenções do debate eleitoral das questões que realmente preocupavam os cidadãos”;
- Cavaco Silva censura e considera de extrema gravidade a publicação do "e-mail" de Luciano Alvarez, mas não a tramóia que nele se relata.

Em resposta à comunicação de Belém, a declaração do PS*, lida por Silva Pereira, limita-se a citar factos (que são conhecidos) que contradizem a leitura que Cavaco Silva faz de todo este "caso". Factos são factos e contra factos não há fantasias que lhe valham.

Definitivamente: a comunicação de Cavaco Silva mostra à evidência que a paranóia tomou conta do Palácio de Belém. O país não pode ter como presidente da República, alguém que, manifestamente, distorce a realidade. A bem da República, Cavaco Silva deve resignar. Não vejo que ele tenha outra saída depois do ataque por ele dirigido ao partido que acaba de sair vencedor das eleições legislativas, não tendo qualquer facto em que baseie as suas acusações.

(Pode ler aqui a declaração de Cavaco Silva e aqui um relato e outro aqui)
*Aqui pode ser vista uma leitura da declaração lida por Silva Pereira, leitura que, no mínimo, tenho de considerar curta, pois não refere os factos citados, nem o seu enquadramento e tal é necessário para compreender a posição do PS. Outra notícia e o vídeo com a declaração lida por Silva Pereira podem ser vistos aqui.
Adenda:
Cavaco Silva ainda precisa que alguém lhe aponte o caminho, ou achará que ainda tem condições para desempenhar o cargo?

Eleições autárquicas (Almada)

A agenda das iniciativas da campanha eleitoral desenvolvida pela candidatura do PS à Câmara de Almada, liderada por Paulo Pedroso, candidatura que apoio, pode ser seguida em www.almada2009.com.

Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Será desta ?

Será já amanhã que Cavaco Silva põe tudo em pratos limpos sobre o caso das "escutas"? Tenho as minhas dúvidas. Se fosse o caso, dada a sua gravidade, julgo que o procedimento aconselhável seria uma comunicação directa ao país. A menos que Cavaco Silva tenha entendido que o formato de conferência de imprensa era mais adequado ao esclarecimento do caso. Hipótese que não será de excluir. Veremos.

Trabalho de Hércules

Não podendo contar com a cooperação por parte do inquilino de Belém, como hoje é claro, e não dispondo, à partida, de uma maioria parlamentar, José Sócrates tem pela frente uma tarefa digna de Hércules. Todavia, a sua capacidade de resistência, a sua determinação e coragem (qualidades de que já deu abundantes provas) dão a esperança de que consiga levar a nau a bom porto. Ele é, de resto, no momento presente, a única alternativa possível para capitanear o barco. Haja, pois, fé !

"Magra vitória" ou "vitória de Pirro" ?



Acrescento:
A frustração do Bloco de Esquerda é evidente, pois os seus dirigentes, depois de terem manifestado, num primeiro momento e antes de terem sido conhecidos os resultados finais das eleições legislativas, a sua satisfação, parecem estar agora "desaparecidos em combate" ou a "lamber as feridas" de mais esta "vitória". "Desaparecidos" a tal ponto, que, segundo as notícias, nem sequer cumpriram a praxe democrática (seguida por todos os demais partidos) de felicitar o partido vencedor, facto que revela bem o espírito pouco democrático que anima o Bloco, conformado à imagem e semelhança do seu coordenador, Francisco Louçã que, uma vez mais, deu provas do seu radicalismo, agora melhor posto a nu, na sequência da campanha eleitoral.
A alternativa de estar a "lamber as feridas" também faz sentido, se considerarmos que a sua "vitória, se arrisca a transformar-se, de "magra", numa "vitória de Pirro". É uma hipótese que teremos que admitir como possível, pois o PS pode vir a ser forçado, pelas circunstâncias, a procurar um entendimento à direita com o CDS, seja para formalizar um simples acordo com incidência parlamentar, seja para formar um governo de coligação, já que, à esquerda, é, hoje, mais evidente do que ontem que qualquer compromisso é impossível face à irredutibilidade do Bloco. E, numa tal eventualidade, mais notada se tornará a irrelevância da "vitória" bloquista. Acho eu.

Desculpas de mau "pregador"



Desaparecida em combate a presidente do PSD, aqui fica o vice-presidente Aguiar Branco para simbolizar a derrota do PSD.
A escolha é, aliás, merecida e justificada, pois, se não estou em erro, foi ele um dos primeiros a falar da "asfixia democrática" durante o seu "sermão" na festa do Pontal, tema que retomou, por diversas vezes, ao longo da campanha, onde assumiu papel de destaque.
A explicação que apresenta para justificar a derrota inesperada, não destoa do nível com que decorreu a campanha eleitoral do partido e é evidente que se trata de uma desculpa de mau "pregador".
Ele, que já foi ministro da Justiça, talvez se pudesse ter lembrado de uma outra explicação traduzida no ditado popular "o crime não compensa".

Domingo, 27 de Setembro de 2009

Eleições Legislativas 2009 - As "vitórias" e o futuro

Registo:

Percentagem de votos:

PS: 36,6%;
PSD: 29,1%;
CDS/PP: 10,5%
BE: 9,9%;
CDU: 7,9%

Número de deputados na próxima legislatura (antes de apurados os votos pelos círculos da emigração):

PS: 96;
PSD: 78;
CDS/PP: 21;
BE: 16;
PCP: 15.

Comentário em 6 pontos:

1. Embora perdendo em percentagem de votos e no número deputados em relação à última legislatura, o PS venceu as eleições. Nem a maior crise económica mundial, nem a campanha de "casos", nem o encarniçamento à direita (PSD) e à esquerda (BE), nem o ataque das corporações (com os professores à cabeça e o contributo dos funcionários públicos e magistrados) foram suficientes para retirar ao PS a maioria. Conseguiram sim transformar a maioria absoluta em maioria relativa. O PS continua, pois, a ser o partido mais votado (mais 7,5% dos votos do que o segundo) e renovou, por isso, a sua legitimidade para formar governo (só - o mais provável - ou em coligação - pouco provável).

2. O PSD, não obstante as expectativas criadas com a sua vitória nas eleições europeias, não só não conseguiu capitalizar tais expectativas, vencendo as legislativas, como não viu confirmado o "empate técnico" que as sondagens lhe atribuíram durante longo tempo. A meu ver, para além do mérito da campanha do PS, o resultado fica a dever-se, sobretudo, à fraqueza da actual liderança e à estratégia errada seguida na campanha eleitoral, uma "campanha reles" como já a classifiquei anteriormente. O PSD, com o exemplo da campanha eleitoral para as anteriores eleições legislativas, já devia ter chegado à conclusão de que as campanhas negativas não são especialmente apreciadas pelo eleitorado. Mas os "filósofos" e "historiadores" de serviço, não aprendem, pelos vistos, com as lições da história. A "vitória" da "Verdade" (verdadinha) vai ter que esperar.

3. O CDS/PP foi indubitavelmente, por mérito próprio da sua campanha (bem mais moderada do que a do PSD - que se encarregou, sponte sua, da parte "suja" da campanha - e mais centrada nas suas propostas), um dos vencedores destas eleições e Paulo Portas, uma vez mais tem razões de queixa das sondagens, incluindo as sondagens à boca das urnas, que admitiam que, em número de deputados, ficaria atrás do BE, para, no final, se concluir que fica com mais 5 deputados do que este partido.

4. O BE não tem especiais razões para se congratular com estes resultados, face às suas expectativas. É verdade que contribuiu para retirar ao PS a maioria absoluta, mas a sua contribuição foi menor que a do CDS, por exemplo. Todavia, não conseguiu alcandorar-se à posição de terceira força política com representação parlamentar, (fica atrás do CDS - o que nunca lhes passou pela cabeça) nem conseguiu, como era seu claro objectivo, atingir uma votação com dois dígitos, em termos de percentagem. A agressividade do BE não compensou, a meu ver. Magra "vitória", para tanta ambição.

5. O PCP, através da votação averbada à CDU, viu-se remetido para a 5ª posição no hemiciclo de S. Bento, com 15 deputados, número que, neste momento, dou sob reserva, por ignorar se o PEV, integrante da coligação, conseguiu eleger algum dos seus candidatos. Teve a "vitória" que nunca, mas nunca, falha. No discurso do PCP.

6. E o futuro ? O futuro a Zeus pertence.
Em todo o caso, não é difícil antever que não será fácil ao PS formar um Governo de coligação, nem à esquerda, nem à direita.
À direita não é possível com o PSD, tendo em conta, em primeiro lugar, a animosidade entre as duas lideranças e, por outro, os tempos que vivemos não são fáceis para quem governa e, por isso, não me parece que o PSD, não liderando o Governo, queira sofrer o desgaste duma governação exigente. A coligação com o CDS/PP, embora, a meu ver, pudesse ser útil para este partido (que veria, nessa hipótese, a possibilidade de valorizar a sua posição de partido de Governo, diminuindo a importância do PSD) parece-me pouco provável, porque boa parte do eleitorado PS não a veria de bom grado, pese embora a moderação de que Paulo Portas tem dado sinais, nos últimos tempos.
À esquerda, o PS para formar Governo com apoio em maioria parlamentar, teria de contar com o acordo de dois partidos (BE e PCP), o que, não sendo impossível, não parece ser de fácil, nem de provável, concretização. A tal obstará, em primeiro lugar, a diferença radical existente entre o programa do PS e os programas dos dois outros partidos, diferença que não se vê como poderia ser ultrapassada, com cedências de parte a parte. A que acresce a circunstância de o BE, mais do que o PCP, ter elevado o PS à categoria de inimigo principal, o que, como é óbvio, não favorece o entendimento entre eles.
O PS, tudo o indica, ver-se-á, pois, forçado a formar um Governo minoritário que as oposições poderão derrubar se e quando assim o entenderem. No entanto, se tal Governo, embora sem cedências ao populismo, se mostrar capaz de levar a efeito uma política que os portugueses reconheçam como a mais adequada para ir resolvendo os problemas que o país enfrenta, quer os derivados da crise económica internacional, quer outros que já vêm de décadas anteriores (para não dizer de séculos), tenho por certo que os partidos que enveredarem por tal caminho, irão pagar por isso, pois que o que o país menos precisa, neste momento, é de instabilidade.
Estou a ser optimista em demasia: eu sei. Por isso, repito: o futuro a Zeus pertence.

Obervação dos dias (XVI) : Eleições legislativas 2009

Os foguetes são virtuais, mas a satisfação é real. Por aqui me fico. Agora não tenho tempo para mais.
(Clicando, amplia)

Observação dos dias (XXIV): Confiança (II)

[Gaivota-argêntea (Larus michahellis Naumann)
"Estou a vê-la, mas calma..." Fala a prudência.
(Clicando, amplia)

Observação dos dias (XXIV): Confiança (I)

[Chapim-azul (Cyanistes caeruleus L.)
"Vejam só, como eu sou bom !... Diz este exibicionista, cheio de confiança.

Observação dos dias (XXIII): Desconfiando...

[Alvéloa-cinzenta (Motacilla cinerea Tunstall)]
"Hum!.. É impressão minha, ou este plano é mesmo inclinado ? ..." Diz ela, dando, por fim, alguma prova de inteligência.
(Clicando na imagem, amplia)

Observação dos dias (XXII): Na expectativa

[ Estorninho-malhado (Sturnus vulgaris L.)]
Na expectativa: "não sou o único..."Acha ele.

Sábado, 26 de Setembro de 2009

Observação dos dias (XXI): Abstenção

[Borrelho-grande-de-coleira (Charadrius hiaticula L.)]
O gesto de virar costas não é muito elegante, nem bem visto socialmente. "Quero lá saber", diz este abstencionista.
(Clicando na imagem, amplia)

Observação dos dias (XX): Sem dúvidas

[Galinha-d'água (Gallinula chloropus L.) ]
Decidida e sem dúvidas: "Estou já a correr." Quiçá, a voar...
(Clicando na imagem, amplia)

Observação dos dias (XIX): Indecisão

[Perna-vermelha-comum (Tringa totanus L.)]
Ainda indeciso: "vou, não vou...", ou antes, "voo, não voo..."
(Clicando na imagem, amplia)

Observação dos dias (XVIII): Em reflexão profunda

[Corvo-marinho-de-faces-brancas (Phalacrocorax carbo L.)]
Em reflexão profunda ...
(Clicando na imagem, amplia)

Observação dos dias (XVII): Em reflexão

[Garça-branca-pequena (Egretta garzetta L.) ]
Concentrada e em reflexão...
(Clicando na imagem, amplia)

Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Mais um com falta de ar

Volto ao encerramento da campanha do PSD, porque, entretanto, surgiu mais esta notícia que nos dá conta que o dono da SIC, Pinto Balsemão, um dos intervenientes, retomou o discurso da "asfixia", discurso que, pelo nível demonstrado, não merece mais que um breve comentário.
Retirem a publicidade paga da RTP que o senhor recupera de imediato da falta de ar e até acredito que passará a usar a imaginação para criar bem melhores metáforas do que esta de comparar o "país apático, parado" aos “hamsters, aqueles ratinhos que estão fechados dentro da gaiola a correr no mesmo sítio e não conseguem sair”.
Brilhante, convenhamos: tal líder, tal militante número 1. Muito estimulante este partido!

Por favor, feche a "loja"!

Se um jornal, ultimamente conotado politicamente com o PSD, não encontra no discurso de encerramento da campanha eleitoral, proferido pela líder, Manuela Ferreira Leite, nada mais relevante, para titular a notícia relativa a tal evento, do que a referência ao aviso (com ligeiro sabor a ameaça) de que quem não votar PSD "vai arrepender-se", é a última prova (entre tantíssimas outras) de que Manuela Ferreira Leite não tem condições, nem o mínimo de qualidades exigíveis a quem se propunha chefiar o Governo de Portugal.
O melhor mesmo, é, pois, Drª Leite, fechar a "loja" e entregar a chave ao/à senhor(a) que se segue.
Assim desejo e espero até para bem do PSD, partido em que, todavia, não irei votar. (O esclarecimento era dispensável para quem segue este blogue, mas, em todo o caso, aqui fica, para evitar qualquer mal-entendido).

Antes esquerda "caviar"?

Louçã não gosta, pelos vistos, que associem o Bloco de Esquerda, de que ele é o único dirigente visível, com a extrema esquerda, o que de facto não deixa de ser surpreendente, vindo de quem dirige um partido que ocupa, sem mostrar qualquer desconforto, antes com agrado, o lugar mais à esquerda do hemiciclo de S. Bento e que, ainda há dias, afirmou que ele (Louçã) é hoje o que sempre foi, um trotskista, por definição, um revolucionário radical.
Ao que parece, prefere, para encobrir o seu radicalismo, situar o Bloco na chamada "esquerda socialista". Só que esta "marca" já tem dono e o lugar da "esquerda socialista" já pertence por direito próprio e histórico ao Partido Socialista que dela se reclama, há muito, mesmo antes do Bloco nascer, partido que ele (Louçã) e o Bloco elegeram como inimigo principal, como se viu durante toda a legislatura, com ataques violentos que chegaram ao ponto de tentar dividir o PS, com o aliciamento de Manuel Alegre (tentativa que, felizmente para o país, saiu frustrada) ataques que se tornaram ainda mais virulentos durante a actual campanha eleitoral, ao ponto de Louçã definir como objecto principal do Bloco, não a derrota da direita (e que direita!) mas sim impedir que o país possa dispor de um governo de maioria liderado pelo PS*. Para Louçã e o Bloco, a vitória consistirá em impedir um Governo PS apoiado numa maioria parlamentar, pretendendo, no fundo, que das eleições resulte não a governabilidade e a estabilidade do país, mas antes o seu contrário, já que não admite qualquer solução de compromisso para assegurar uma e outra.
Louçã pode não gostar do enquadramento político que lhe atribuem, mas terá de se conformar com ele, pois esse enquadramento (extrema esquerda) é o que a história reservou e reserva aos partidos políticos que lhe deram origem. Assumi-lo até lhe ficaria bem. Negá-lo, pode ser politicamente conveniente, mas não é sério, o que é falta grave para quem, a toda a hora, se enfeita com os atributos da seriedade e da transparência.
Não tendo o direito de se situar na "esquerda socialista" e não gostando da colagem à "extrema esquerda", será que Louçã e o Bloco preferem a designação de "esquerda caviar", designação que, já por mais de uma vez, lhe vi atribuir ?
Esta "marca" está livre.
* (Até já sabem que o Bloco cumpriu o objectivo e que agora nada será como dantes. Bruxos ?)

Alerta Laranja (último)...

Por João Coisas
(As imagens criadas pelo autor apenas poderão ser utilizadas em blogues sem objectivo comercial, e desde que citada a respectiva origem.)

Ainda a tempo: O despacho da "mordaça"


(Clicando, amplia)
Da "mordaça" ou da "asfixia", tanto faz. O autor do despacho é Couto dos Santos, ex-ministro da Educação de um Governo PSD, agora "ressuscitado", por Manuela Ferreira Leite, como cabeça de lista dos candidatos, por Aveiro, às eleições legislativas do próximo dia 27. Ela que tanto fala em "asfixia democrática" lá sabe porquê.
(Imagem recolhida aqui)

O Conselho da Europa também entra na campanha

O Conselho da Europa atribuiu o "Prémio da Igualdade entre Mulheres e Homens" ao Partido Socialista português.
Como Sócrates sublinhou “Não é todos os dias que se recebe um prémio do Conselho da Europa”. E, obviamente, também nem todos os partidos o merecem. Digo eu.

Eu "pecador" me confesso


Ainda ontem, João Cardoso Rosas, em artigo de opinião publicado no i, salientava que "Os políticos da direita gostam de vincar a sua superioridade moral: a direita é o campo da verdade, da honestidade e da seriedade" não se coibindo, no entanto, de promover autênticos "assassinatos de carácter" citando o articulista, para o efeito, exemplos passados nos Estados Unidos.

João Cardoso Rosas não precisava de ir tão longe, porque, entre nós, também temos variados casos de tentativas de "assassinato" político que toda agente conhece e, por isso, me dispenso de enunciar. Assim como temos, por parte da direita, e em particular, por parte do PSD, a reivindicação de um estatuto de superioridade moral, ao arvorar-se em detentor da "Verdade" na vã "tentativa de diminuir o carácter dos adversários de esquerda, considerando-os mentirosos, desonestos e pouco sérios", mesmo não tendo meios de o provar e sem ter qualquer pejo em recorrer às mais despudoradas mentiras, ou em fazer afirmações mais próprias de verdadeiros alucinados. (Quem tiver dúvidas veja, se estiver algures disponível, a prestação de Pacheco Pereira, ontem, na Quadratura do Círculo, prestação a que, enojado, assisti na SIC Notícias).

Pois bem,

não é só por isso,

(pois muitas outras razões tenho invocado, ao longo dos últimos tempos, aqui, no "Terra dos Espantos")

mas é também por isso,

que, não suportando tanta hipocrisia,

e embora "pecador" me confesse,

no domingo, irei votar PS.
(A imagem é daqui)

Ainda a tempo: As novidades de Louçã

À atenção dos Professores:
Cito:
"O BE defende uma avaliação de professores formulada por entidades externas, por institutos"

À atenção dos jovens:
Cito:
Bloco defende Serviço Militar Obrigatório

À atenção dos investigadores e cientistas:
Cito:
As Propostas do Bloco
...
«Assumir o controlo público da investigação científica e da tecnologia, dando prioridade às alternativas no campo das energias renováveis e da eficiência energética que permitam o uso democrático dos recursos»

À atenção dos Utentes do SNS:
Cito:
Oposição do BE ao cheque-dentista !?

Aos eleitores em geral:

Por minha conta, relembro que, segundo o seu programa eleitoral, o Bloco de Esquerda:

Propõe:

"A transformação do regime do IRS para um efectivo englobamento, com o essencial dos rendimentos a serem tratados da mesma forma, com a simplificação e redução do sistema de deduções e benefícios ao estritamente necessário nas despesas de saúde e educação e com maior progressividade fiscal (criação de um novo escalão de 45%)";

Defende que:
-"Devem ser eliminados integralmente todos os incentivos fiscais aos produtos privados de poupança para a reforma ou às despesas em educação ou de saúde, nas áreas em que haja oferta pública;"

-"A banca, os seguros e todo o sector financeiro (...) devem ser públicos ou estar sob o controlo de políticas públicas."

E "compromete-se
com uma política de nacionalização do sector da energia."

(Os sublinhados são meus)

Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Testes, a uma hora destas ?

Segundo o "Público" on line, a arruada do PSD na baixa do Porto, reuniu, hoje, centenas de pessoas e contou com tudo um pouco, desde um despique de gritaria entre apoiantes social-democratas e socialistas, a manifestações de fé militante (“A gente faz por acreditar. É como com Fátima”) até gritos de “Vitória, vitória”, por parte da JSD, enquanto uma assistente contrapunha “É vitória, é vitória, mas está de molho...”.

No final, o Dr. Rui Rio proclamou "que Ferreira Leite 'passou o teste' do Porto".

Uma afirmação destas carece de alguma explicação, pois não parece muito curial que a uma horas destas, a dois dias do termo da campanha eleitoral, o PSD ainda ande a fazer testes à sua liderança. No mínimo dos mínimos, os testes teriam de ser feitos antes de iniciar a viagem por essa estrada fora. Isto julgo eu, que, todavia, não estou inteiramente a par das últimas alterações ao Código. Reconheço a minha falha neste particular e por isso passo adiante.

Sucede, porém, que pouco depois, o mesmo jornal inseria uma outra notícia, onde, em título, se escreve: "Milhares de pessoas exultam com Sócrates no Porto " e no desenvolvimento da notícia, se afirma: "Da Praça da Batalha até ao Mercado do Bolhão, milhares de pessoas juntaram-se para tentar ver e tocar no líder do PS, 'esmagando' a memória deixada pouco antes pela arruada social-democrata."

A comparação feita pelo "Público" on line (jornal insuspeito, neste caso) entre as centenas que acompanharam Ferreira Leite e os milhares a exultar com Sócrates, força-me a retomar o comentário à afirmação acima citada do Dr. Rui Rio e a concluir que o PSD, em matéria de avaliações e testes, anda a ser muito pouco exigente.
Não se queixem, depois, dos resultados.
(Imagem daqui)

Legislativas - Últimas Sondagens (IV)


(Sondagem realizada pelo Centro de Sondagens e Estudos de Opinião da Universidade Católica (CESOP) para a Antena 1, a RTP, o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias entre os dias 17 e 22 de Setembro de 2009)
(Clicando no quadro, amplia)

Legislativas - Últimas Sondagens (III)

(Última Sondagem CM/Aximage realizada por entrevista telefónica de 21 a 24 de Setembro de 2009)
PS: 38,8%;
PSD: 29,1%;
BE: 10%;
CDS-PP:8,6%;
CDU: 8,4%;
OBN: 5,1%
(Fontes: aqui e aqui)
Aqui fica mais um registo. A confirmar no dia 27.

Legislativas - últimas sondagens (II)


(Sondagem feita pela Intercampus para o PÚBLICO, a TVI e o Rádio Clube Português, entre os dias 21 e 23 de Setembro)

Como o quadro contém os dados da sondagem anterior da mesma empresa, está tudo dito. Cada um pode tirar as suas conclusões.

O Professor é que sabe

Regresso ao tema das declarações do Professor Marcelo (v. post anterior) porque esta notícia vem confirmar que o Professor tem "razão" quando diz que foi "o PS que alimentou a campanha de casos."
A notícia em causa já tem barbas e a acusação nunca foi provada, mas claro, alguém, em vésperas de eleições, tinha que a replantar. Com a intenção de atingir e prejudicar a campanha do PS, obviamente. Mas que interessa esse pormenor, se o Professor Marcelo é que "sabe"?
Muita pouca vergonha se passeia pelos palcos da política e da comunicação social, digo eu.

Andará bom da cabeça ?

Ora, nem mais. Foi mesmo o PS quem alimentou o "caso Freeport", o "caso Lopes da Mota", o "caso das alegadas escutas de Belém", o "caso Rui Teixeira" e sei lá que mais. Também é mais que evidente que foi a mão do PS que andou a manobrar no "Jornal da Sexta", no "Sol", no "Correio da Manha", no "Público" e "no diabo a sete".
Ninguém se apercebeu disso, porque toda a minha gente anda com as lentes ao contrário. Só o Professor Marcelo é que dispõe de lentes de tal forma excelentes que também só ele tem a capacidade de ver o que ninguém mais enxerga.
Só fiquei com algumas dúvidas quando me dei conta que o Professor Marcelo, na ocasião em que proferiu tão acertada afirmação, também se permitiu qualificar o "caso das alegadas escutas" como "uma tempestade num copo de água" e o afastamento de Fernando Lima, como um "retoque de pelouro".
Aqui chegado, face a tanto eufemismo, comecei a duvidar das certezas do Professor e, embora contrariado, vi-me forçado a interrogar: andará o Professor bom da cabeça ?
Ou será tão só a "partidarite" a mais a toldar-lhe o juízo?

Ai as décimas !

A última sondagem publicada, relativa às próximas legislativas, atribui ao PS 40% das intenções de voto e ao PSD 31,6%, cifrando-se a diferença em 8,4%.
Curiosamente, ou talvez não, aquela diferença, aparece transfigurada na notícia do "Público" em 8% e, em abono da verdade, para chegar a tal resultado, a jornalista, autora da notícia, nem teve necessidade de fazer uma ginástica por aí além. Com efeito, bastou-lhe afirmar que as intenções de voto no PSD ficavam pouco abaixo dos 32 por cento e o assunto ficou resolvido. Manobra habilidosa, sem dúvida, mas também muito imprudente, sobretudo, neste momento em que a isenção do jornal, sob a direcção de José Manuel Fernandes (agora transformado em contador de anedotas) foi posta em causa e é assunto em cima da mesa.
Como diz o Provedor do Leitor, a isenção e a imparcialidade do jornal prova-se com actos e não com proclamações. Esta notícia, ao riscar quatro décimas de diferença, (ou 24.000 votos num universo de 6.000.000 de eleitores) não beneficia muito a imagem do "Público". Diria mesmo que antes pelo contrário.

Antecipando mais uma sondagem

Antecipando os resultados a divulgar hoje às 20 horas, no Jornal Nacional da TVI, o director-geral da Intercampus, António Salvador, afirmou que «desta vez não haverá empate técnico" e explicou que «Nesta última sondagem, houve três grandes preocupações: conseguir uma boa amostra, representativa da população; minimizar os riscos das declarações, com simulação de voto em urna; e timing certo, fazendo o mais próximo possível do acto eleitoral, de 21 a 23, pelo que terminámos ontem à noite».
Aguardemos.

O Papa também entra na campanha ?

A notícia, surgida em vésperas de eleições, de que o Papa visita Portugal em Maio, tem muito que se lhe diga. Olá, sem tem. Não se tratará de mais uma manobra da campanha eleitoral do PS, depois daquela outra da OCDE ?
Só não o afirmo peremptoriamente, porque segundo a notícia, o convite partiu de Cavaco Silva. E, mesmo assim, mantenho as minhas "dúvidas", pois não é verdade que o "filósofo da Marmeleira" anda a afirmar que o silêncio de Cavaco, depois da demissão de Fernando Lima, prejudica o PSD. É verdade que "o da Marmeleira" não é muito de fiar, pois o silêncio do inquilino de Belém, antes do afastamento de Lima, nunca o incomodou. O que, em boa verdade, até se compreende, visto que tal silêncio serviu para alimentar a conspiração contra o PS, urdida por Belém, "Público" (et al. ?) e, como se sabe, a honestidade intelectual de Pacheco Pereira é à prova de bala de algodão.
Estou a fantasiar, claro está, e deveria tê-lo admitido logo à partida, pois o Governo do PS tomou, durante a actual legislatura, diversas medidas que este Papa, manifestamente, não poderia convalidar.
Afastada a fantasia, resta-me outra explicação e esta, afinal, bem mais simples: partindo o convite de Cavaco Silva, o mais provável é que este ainda esteja à espera de um milagre de Fátima. Não será?

Legislativas - últimas sondagens (I)

Última sondagem "Diário Económico/TSF/Marktest" antes das legislativas:
"O PS de José Sócrates dispara para os 40% na última sondagem Diário Económico/TSF/Marktest antes das legislativas, ganhando votos (4,7 pontos) sobretudo ao Bloco de Esquerda. O partido de Francisco Louçã mantém-se como terceira força política, mas muito longe dos 16,2% que apontava a última sondagem. Hoje, fica-se pelos 9%." "O partido de Manuela Ferreira Leite está, a três dias dos votos, com 31,6% das intenções de voto, menos o,8 pontos face ao registado há quinze dias."
Percentagens:
PS: 40%;
PSD: 31,6%;
BE: 9,2%;
CDS-PP: 8,2%;
CDU: 7,2%;
OBN: 3,8%
Ver mais nas fontes: aqui e também aqui e aqui.
Por ora, fique o registo.

Quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Disse "Magalhães ?

O vice-presidente do grupo parlamentar do PSD e membro da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência Pedro Duarte acusou hoje o Governo de recorrer a “desculpa de mau pagador” ao justificar o adiamento da decisão sobre os computadores Magalhães com o período eleitoral.
A ministra da Educação já veio dizer que não há quaisquer suspensões ou atrasos do programa de distribuição dos portáteis Magalhães, garantindo que há condições para o prosseguir, independentemente do resultado das eleições e esclarecendo que “o que se passa é em relação às crianças que entraram este ano na escola e ainda não puderam beneficiar do programa, acrescentando ter esperança que (com o novo Governo) "possam vir a beneficiar”.
E eu pergunto: não foi o PSD, um dos partidos que, fazendo coro com os "senhores professores", andou todo o ano a "gozar" com o "Magalhães", não obstante tal iniciativa ter merecido rasgados elogios por parte de especialistas estrangeiros, como Steve Jobs, e nacionais , como Paulo Querido?
Insuspeitos méritos tem afinal o "Magalhães"!
Além do mais (que é muitíssimo em termos de renovação de métodos educativos) também serve para desmascarar os paladinos da "Verdade", provando uma vez mais, embora desnecessariamente, que a "Verdade" proclamada rima com "hipocrisia" disfarçada.
Rima pobre, dirão. Eu assumo e até forneço a explicação: no meu tempo de escola não havia "Magalhães". O intrumento que se usava para escrever e fazer contas era uma pedra, a ardósia. Não sei se, usando tão primitivos meios, ainda consigo fazer com que me compreendam. Oxalá !
(Imagem daqui)

AVANÇAR PORTUGAL !

Hoje, com um PR, descredibilizado e fragilizado, (com o caso das "escutas"), com uma oposição, ou completamente desnorteada (Manuela Ferreira Leite) ou ultrapassada pela história (Jerónimo de Sousa e Louçã, com as sua propostas de nacionalizações) ou entretida em disparar contra o Rendimento Social de Inserção e com a "sua" "lavoira" (Paulo Portas), o PS, liderado por José Sócrates (com a sua coragem e determinação) coadjuvado por ministros como Teixeira dos Santos (com o seu rigor e saber) surge como a única força política capaz de fazer "AVANÇAR PORTUGAL".
Junto-me à campanha em que estamos a assistir a um crescendo.
Juntos vamos conseguir.

Nem com uma flor !

“Advoguei sempre a politica do simples bom senso contra a dos grandiosos planos, tão grandiosos e tão vastos que toda a energia se gastava em admirá-los, faltando-lhes a força para a sua execução”, lia Junqueiro. “Eu sei o que é que vocês estão a pensar que este é um discurso de Manuela Ferreira Leite, mas não é, este é um discurso feito em 9 de Junho de 1928 e já nem me lembro quem era o primeiro-ministro dessa altura” (extracto do discurso proferido por José Junqueiro ontem, em Viseu, no âmbito da campanha eleitoral).
A Drª Leite sentiu-se ofendida com a comparação e hoje reagiu exigindo um pedido de desculpas, acrescentando que “É preciso estar verdadeiramente desesperado para entrar em argumentos dessa natureza”.
É verdade, digo eu, que a Drª Leite tem feito toda uma campanha pela negativa. Começou, como se sabe, com o "pára tudo" e o "rasga tudo"; enveredou, de seguida, pelo tema da "asfixia democrática" (ela e os seus "filósofos" lá sabem o que lhes passa pela cabeça); acusou o Governo e o primeiro-ministro e secretário-geral do PS de todos os males da pátria, negando a evidência da maior crise económica mundial (o "abalozito de terra", na "Verdade" dela) e, last but non least, aproveitou todos os casos que foram surgindo, verdadeiros ou fabricados ("escutas" de Belém; suspensão da classificação do juiz Rui Teixeira, por iniciativa do CSM, and so on) para desferir ataques a torto e a direito contra o PS e José Sócrates.
Convenhamos que foi mais a torto que a direito, porque, por azar dos Távoras, os tiros acabaram por se virar contra ela e o seu partido:
Sobre a "estória" das "suspeitas" já são conhecidos os resultados e a comunicação social já deu conta, em vários tons, que o PSD ficou "embatucado" com o desenvolvimento do caso e até o filósofo da Marmeleira já se sentiu traído pelo mentor do PSD, o inquilino de Belém;
O caso da suspensão da classificação do juiz Rui Teixeira, agitado pelo vice-presidente do PSD, Mota Pinto, como mais uma prova de manipulação pelos socialistas, revelou-se mais um "flop", pois está hoje provado que, ao contrário do que foi propalado, não houve "partidarização nenhuma” (di-lo o CSM que lembra também que o congelamento da nota resultou do facto de “ter sido proferida sentença judicial, que em primeira instância condenou o Estado ao pagamento de uma elevada indemnização na sequência de ‘erro grosseiro’ atribuído àquele magistrado, no exercício das suas funções”). E, finalmente, o extracto da acta contendo a deliberação tomada a 14 de Julho (e só agora aproveitada por Mota Pinto, suponho que também em desespero de causa) prova que a mesma foi tomada na sequência de “uma proposta apresentada pelo vogal Laborinho Lúcio" (ex-ministro de Governos do PSD). Sabido tudo isto, é caso para perguntar: onde é que o ex-conselheiro do Tribunal Constitucional, Mota Pinto, tinha a cabeça, quando se lembrou de lançar mais esta atoarda?
É verdade ainda, insisto eu, que a obsessão pelo endividamento que persegue a Drª Leite também era perfilhada pelo antigo presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar.
Não obstante todas estas verdades (ou só por mim tidas como tal), a Drª Leite tem razão para se sentir ofendida e exigir reparação. E, por duas razões: à uma, porque, como é sabido, numa senhora não se toca nem como uma flor. E, em segundo lugar, a comparação não tem razão de ser: afinal, ela só se pronunciou pela suspensão da democracia por seis meses e não por quatro décadas e isso faz toda a diferença. É óbvio!
De resto, acrescento, a comparação feita por José Junqueiro, além de ofensiva para a Drª Leite, revela-se um acto perfeitamente inútil, pois não são precisas comparações para se saber o que ela vale. Basta ouvir o que ela diz e faz. Eu, limitando-me a seguir este método, não tenho dúvidas sobre o seu valor, como pessoa (e aqui remeto o leitor para o "post" "Mísera e mesquinha") e como política (os "post" sobre o assunto são tantos que não maço o leitor com a sua indicação e nem me atrevo a sugerir a sua leitura).
E, por isso, insisto: Nem com uma flor !

Post scriptum: Sendo certo que José Junqueiro nem chega a citar o ex-presidente do Conselho de ministros, tanta susceptibilidade da drª Leite, que já foi bem mais longe, em matéria de suspeitas, insinuações e acusações (a "asfixia democrática" de que ela fala a toda a hora e sobre a qual vai continuar a falar, "até à exaustão", é só, a meu ver, a mais grave) leva-me a crer que o desespero de que fala não é o dele (PS) mas o dela. E compreende-se. Levando, por uma vez, as suas palavras a sério, a senhora está mesmo "exausta". Ou antes, "acabada", para utilizar uma expressão, não dela, mas minha.

(Na imagem: inflorescência de Campsis radicans (L.) Seem. - Clicando na imagem, amplia)

Terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Por onde anda o "acordo" ?

Que é feito do alegado "acordo secreto" entre Sócrates e Louçã ?
No "Público", as suspeitas ainda subsistem, ou já foram à vida ?

O "papão"

À campanha reles do PSD só faltava mesmo invocar o "papão" da existência de um "acordo secreto" entre o PS e o líder do BE. Apesar de desmentido pelas supostas partes envolvidas (Sócrates recordou ter sido ele a “denunciar o radicalismo do programa do BE” e Louçã repetiu o que tem afirmado “desde o primeiro dia da campanha”, rejeitando a hipótese de qualquer coligação ) o PSD persiste na sua campanha negativa, o que se compreende, pois, pelos vistos, são incapazes de fazer melhor.
Agora que ainda haja gente, supostamente crescidinha, a opinar que as dúvidas subsistem, dando ouvidos a tal disparate, é que é causa de admiração.
Meus senhores, "mudem de rumo, mudem de rumo", como diz a canção. Ainda têm uns dias para fazer campanha séria e evitar o naufrágio.

OCDE entra na campanha ...

"Economia
OCDE recomenda investimentos nas novas tecnologias
A OCDE recomenda aos países europeus que apostem nos investimentos em infra-estruturas, designadamente, na banda larga e em tecnologias limpas. Assim, a OCDE prevê que seja mais fácil a saída da crise, com benefícios na oferta, por um lado, e como incentivo à actividade, no curto prazo. O s governos devem também manter, ou aumentar, os investimentos na educação e na formação para melhorar os recursos humanos. As recomendações são da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico que, para travar o desemprego, sugere a redução das contribuições para a Segurança Social. Nicolau Santos, especialista da Antena 1 em assunto de economia e director adjunto do semanário Expresso, analisa estas recomendações."


O comentário de Nicolau Santos pode ser ouvido aqui, sítio donde também foi extraído o texto supra.

Da arte de bem tirar o cavalinho da chuva

"Uma vez que este editorial – sobre o afastamento de Fernando Lima da chefia do gabinete de assessoria para a comunicação social do Palácio de Belém – será lido com mil lupas e, se se mantiver o registo dos últimos dias, facilmente treslido, comecemos por relembrar os factos essenciais.
Primeiro facto: há 17 meses um editor do PÚBLICO enviou uma mensagem a um jornalista pedindo-lhe para apurar um conjunto de factos. Esse jornalista não apurou nenhum elemento que fosse susceptível de ser noticiado, e nada foi noticiado. Dados fornecidos por uma só fonte que se quer manter anónima não são notícia no PÚBLICO.
Segundo facto: a 18 de Agosto o PÚBLICO editou uma notícia, baseada numa fonte identificada como “membro da Casa Civil do Presidente da República” em que esta assumia que esta se interrogava: “Será que em Belém passámos à condição de vigiados?” Uma tal suspeição, assumida por uma fonte do Palácio de Belém, é notícia em qualquer parte do mundo. No dia seguinte essa notícia não só não foi desmentida, como foi confirmada por outros órgãos de informação. Escrevi então em editorial: “Se a Presidência da República quis que se soubesse das suas suspeitas sobre o não cumprimento das regras do jogo por alguns actores políticos é porque sente que pode ficar no olho da tempestade depois das eleições de 27 de Setembro”.
Terceiro facto: quase um mês depois desta notícia, parte do conteúdo de uma troca de mensagens entre a direcção editorial do PÚBLICO, um editor e um jornalista, trocadas exclusivamente no interior do jornal, é entregue a um jornalista da secção política do Expresso. Essa entrega, feita em papel, não foi realizada por ninguém do PÚBLICO, como já explicou o director daquele semanário. O mesmo material terá sido poucas horas depois encaminhado para o Diário de Notícias, uma vez que o Expresso informou a sua fonte que primeiro teria de investigar o significado dessas mensagens. Já o Diário de Notícias optou por revelar correspondência privada com o objectivo de expor a fonte da notícia de 18 de Agosto. Não se sabe como esse conjunto de mensagens saiu para fora do PÚBLICO nem o DN esclareceu como as recebeu.
Estes são os factos essenciais. Sobre o comportamento dos vários órgãos de informação envolvidos já muito foi escrito. É matéria de opinião que envolve directamente o PÚBLICO sobre a qual não nos pronunciaremos nem hoje, nem aqui. Relevante é analisar os factos políticos, não os factos mediáticos.
A primeira questão que se coloca é a de saber se o afastamento de Fernando Lima corresponde ao assumir pela Presidência da República de que as notícias sobre as suas suspeitas de estar a ser vigiada eram falsas ou, então, exageradas. As declarações feitas ainda em Agosto pelo Presidente, assim como o que disse na sexta-feira passada, já depois das notícias sobre Fernando Lima, não permitem concluir que essas suspeitas não existem. Mais: se o Presidente as quisesse por fim desmentir teria ontem podido fazê-lo ao afastar o seu assessor das suas anteriores responsabilidades. De novo isso não aconteceu. Só aconteceu o que não podia deixar de acontecer: Fernando Lima deixou de ter condições pessoais e políticas para falar aos jornalistas, logo foi afastado das relações com a comunicação social.
A segunda questão a discutir, e a mais importante, é o comportamento da Presidência da República. Na verdade, ao permitir que esta questão assumisse a dimensão que assumiu, Cavaco Silva, que já iria estar no olho da tempestade depois das eleições, colocou-se no olho de outra tempestade antes delas. Por isso, das duas, uma: ou a seguir a 27 de Setembro fundamenta as suas suspeitas, e age em conformidade, ou se se limitar a iniciativas pífias terá enfraquecido a sua autoridade como Chefe de Estado, porventura de forma irremediável. Sendo que este processo não se resolve com uma simples queixa à Procuradoria-Geral da República ou o rastreamento do Palácio de Belém para descobrir eventuais aparelhos de escuta. E ninguém perdoará se se perceber que as suspeitas ou não existiam, ou não tinham fundamento, ou eram simplesmente paranóicas.
Há porém uma terceira questão que não pode ser esquecida: a forma como este tema “rebentou” num jornal, isto é, as condições em que correspondência interna do PÚBLICO saiu deste jornal e quem a levou a um jornal que não quis fazer investigação própria, ao contrário do Expresso.
PS. Este jornal deve um esclarecimento de facto aos seus leitores: ao contrário do que afirmou o Provedor do Leitor, ninguém nesta empresa lhe “vasculhou” a correspondência electrónica. O PÚBLICO continua sim a ser o espaço de liberdade que lhe permitiu fazer as críticas que fez."

(Editorial de José Manuel Fernandes (JMF) hoje publicado na edição impressa do "Público" e também acessível on line).

***

JMF trata os leitores do "Público" como gente com memória curta, disposta a aceitar, à primeira, a sua versão (branqueada) de toda a "estória" sobre "o caso das escutas". E é rápido, pois com uma só penada ("Relevante é analisar os factos políticos, não os factos mediáticos") tenta "tirar o seu cavalinho da chuva". Pese embora a sua indesmentível habilidade e arte na matéria, a sua tentativa falha porque, antes da "estória", ele ainda podia enganar alguém. Hoje, depois de conhecida a tramóia, o seu "Omo" já não branqueia coisa nenhuma.
PS. O aldabrão não é ele, JMF. Mentiroso, na sua versão, é o Provedor do Leitor, pois ninguém dentro da empresa lhe "vasculhou"a correspondência electrónica. Estou plenamente convencido que JMF ainda vai ter que engolir mais esta acusação. O Provedor do Leitor já demonstrou que tem uma estatura moral que, de todo, lhe falta a ele. A ver vamos.

"Mísera e mesquinha" e politicamente "suicida"

Se Manuela Ferreira Leite, depois de desmascarada a sua teoria da "asfixia democrática", não larga o tema, é porque, além de "mísera e mesquinha", é politicamente "suicida". Ensimesmada, já nem dá ouvidos, pelos vistos, às angústias (embora tardias) do "filósofo da Marmeleira". Que siga, pois, o seu caminho, "até à exaustão". Por mim, ela pode "suicidar-se" como muito bem entenda.

"Mísera e mesquinha"

Transcrevo do "Expresso" on line :


"Quando Manuela Ferreira Leite chegou ao Pavilhão de Vila Real já Pedro Passos Coelho lá estava. O homem que a distrital queria ver encabeçar a lista de candidatos a deputados pelo distrito mas que Manuela dispensou foi aplaudido de pé. Quando a líder chegou o cumprimento entre os dois foi frio. E uma cadeira ficou a separá-los."

"A resposta de Manuela Ferreira Leite à presença do seu crítico interno foi gelada. Na sua intervenção aos presentes, a líder do PSD fez rasgados elogios a Nuno Morais Sarmento, também presente na iniciativa. Mas em relação a Pedro Passos Coelho não mencionou o seu nome directamente, limitando-se a, de forma institucional, agradecer a presença do presidente da Assembleia Municipal."


Manuela Ferreira Leite, como política, é, no meu fraco entender, uma perfeita desgraça, mas a forma como agora tratou um companheiro de partido que, apesar de ter sido por ela excluído das lista de candidatos às eleições legislativas do próximo dia 27, contra a vontade da sua Distrital que o queria como cabeça de lista, se apresentou para participar numa acção de campanha eleitoral, revela o que ela é também como pessoa: "mísera e mesquinha" que nem perante o gesto nobre de um adversário (mas companheiro leal) é capaz de ser "rainha". (Camões, desculpa lá, meter-te na embrulhada).

Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Mudando de assunto: Avifauna portuguesa # 68 - Poupa (Upupa epops)

[ Poupa (Upupa epops L.)]
Mudo de assunto para desanuviar. E então é assim: nada preocupada com os problemas e os "dramas" da Pátria (ou será da Nação?) a Poupa prepara-se para deglutir o seu "mata-bicho".
(Local e data da obtenção da imagem: Parque da Paz - Almada; 20-09-2009)
(Clicando na imagem, amplia)

O ricochete (I)

A verdade, verdadinha é que Fernando Lima, agora demitido de assessor para a comunicação social não é a única vítima do caso das (alegadas) suspeitas de Belém sobre as (agora claramente fantasiosas) "escutas" por parte do Governo. Outras vai haver certamente, pois o caso não morreu, mas para já é seguro que, por ricochete, mas também por culpa própria, a Drª Manuela Ferreira Leite e a sua "Verdade" também saem chamuscadas desta história.
Não aproveitou ela as declarações do desacreditado José Manuel Fernandes, o ainda director do "PÚBLICO" [ao acusar os Serviços de Informações (SIS) de intrusão no sistema informático do jornal] para imputar ao Governo responsabilidades em tal fantasia, aproveitando para insistir na sua tese da "asfixia democrática", mesmo depois de aquele se ter retratado? E, não foi ela secundada pelo esganiçado Rangel, vindo expressamente de Estrasburgo (para fazer os "números" a que já nos habituou) e por outros dirigentes, como Mota Pinto ?
Chega a ser incompreensível que a actual liderança do PSD possa ser tão tola que não vê onde se mete ao enveredar pelo caminho das insinuações sem fundamento. Insinuações que não só se transformam em mentiras quando são desmascaradas, como foi agora o caso, como põem definitivamente em causa a seriedade política e a credibilidade de quem a elas recorre.
Incompreensível, digo eu, a menos que o desenvolvimento da história ainda nos venha a revelar outras surpresas. No meio deste caso tão "surrealista" já nada me admira.
Que Zeus lhes perdoe! Que eu, falando "Verdade", não posso e, falando verdade, não quero.

Estória do fogo e do "bombeiro" queimado

Os fogos, qualquer bombeiro experiente o sabe, só se conseguem apagar, se se actuar logo que são ateados. Se se deixam alastrar as labaredas, até o bombeiro se arrisca a sair queimado. No caso do fogo ateado pela notícia do PÚBLICO sobre o caso das alegadas escutas, o bombeiro permaneceu demasiado tempo no "Pulo do Lobo" e deixou, propositadamente, que o fogo se propagasse. A decisão, ora tomada pelo inquilino de Belém de afastar Fernando Lima do cargo de responsável pela assessoria para a Comunicação Social chega muito tarde. Não só não apaga o fogo, como é certo que o "bombeiro" se não está completamente queimado, está, pelo menos, bem chamuscado. E acabou, acho eu.

Adenda:

Reacções à notícia:

(Nem eu, que bem que agradecia que o inquilino de Belém renunciasse ao "arrendamento". Que mais não seja, por uma questão de decoro.)

(Pois é, Jerónimo de Sousa. E isso significa o quê ? Significa talvez que o PCP anda nas nuvens, pois, quando as notícias sobre o caso vieram a lume, em vez de tomar posição sobre o assunto e condenar os envolvidos na tramóia, entreteve-se a "disparar" sobre os Serviços de Informação baseado apenas nas declarações de um "jornalista", hoje completamente desacreditado.)

Domingo, 20 de Setembro de 2009

Vale a Pena Ficar de Olho Nesse Blogue!

É bom de ver, para quem passe por aqui, que a atribuição deste selo ao "Terra dos Espantos" pelo Carlos Santos, autor de O Valor das Ideias só se pode compreender tendo em conta a sua muita gentileza. Em todo o caso, porque muito respeito a sua opinião (por alguma razão O Valor das Ideias figura "Em Destaque" na coluna da direita) aceito o selo e agradeço penhorado.
Tarefa bem difícil para mim é dar seguimento à corrente e cumprir a tarefa de atribuir o selo com o significativo "Vale a Pena Ficar de Olho Nesse Blogue!" apenas a 10 blogues pois se é um facto que são muitos os blogues que frequento diariamente com prazer e proveito, também é verdade que não faço ideia dos que já receberam a "encomenda" e não aprecio particularmente as repetições.
Em todo caso, esperando que os que já receberam o selo não levem a mal uma nova designação, aqui vai a lista, por ordem alfabética, dos nomeados:

Uma campanha reles

Digo com franqueza que não me recordo de uma campanha eleitoral de tão baixo nível como a que tem sido levada a efeito pelo actual PSD liderado pela Drª Manuela Ferreira Leite. (Sublinho campanha eleitoral, porque de outras levadas a cabo noutras circunstâncias, não curo agora.)
Depois do "Pára tudo", do "Rasga tudo" e do " já não pára e não rasga nada", a Drª Leite entendeu por bem arremeter contra o TGV e, num esforço digno de melhor sorte, arvorou-se em defensora dos interesses nacionais, afirmando que a construção do TGV era apenas e só do interesse dos espanhóis, deixando subentendido que quem é favor da sua construção está ao serviço de Espanha. A investida acabou por se revelar um fracasso, pelo que, ferida no embate, a Drª Leite foi forçada a mudar de registo e passou a queixar-se pelo facto de o TGV não sair da campanha, como se não fora ela a responsável pela sua introdução.
Entretanto, na falta de propostas concretas para resolução dos problemas com que o país se vê confrontado, problemas que não são de agora, mas que mais se agravaram com crise económica mundial (o "abalozito", na versão ferreiraleitista) o PSD limita-se a pedir em vários tons que os portugueses lhe passem um cheque em branco. (A falta de propostas é bem denunciada pelo programa eleitoral "minimalista" que não me deixa em mentiras).
De permeio, à falta de melhor e a par com a insistência na questão do "endividamento do país" (verdadeira obsessão de Ferreira Leite, explicativa do "Pára tudo") o PSD retoma, a cada passo, os temas do "medo" e da "asfixia", que, de "Verdade" (termo que eu traduzo, em versão livre, para "Hipocrisia") pairam sobre a sociedade portuguesa.
Confesso que, confrontado com esta versão da "Verdade" que o PSD e a Drª Ferreira Leite têm andado a propor, ainda não compreendi como é que, com tanta falta de ar, conseguem gritar tão alto e obter tão grandes ecos em tudo quanto é comunicação social, sem qualquer limitação ou reparo por parte de qualquer autoridade governamental ou não. Ainda bem, digo eu, que, todavia, perante esta constatação, sou levado a concluir que não só não existe medo na sociedade portuguesa, nem "asfixia democrática" ou de qualquer outra espécie, mas que existe sim muita irresponsabilidade democrática por parte de quem invoca tais temas, sabendo, até por experiência própria, todos os dias comprovada, que vivemos num país livre.
No meio disto tudo, quem se sente enojado com esta campanha do PSD e "asfixiado" com o cheiro que dela emana, é o "Terra dos Espantos" que aguarda, com impaciência, pela chegada do dia 27 para acabar com o fedor.

A tramóia e um homem sem vergonha

“A questão principal"

" Na sequência da última crónica do provedor, instalou-se no PÚBLICO um clima de nervosismo. Na segunda-feira, o director, José Manuel Fernandes (J.M.F.), acusou o provedor de mentiroso e disse-lhe que não voltaria a responder a qualquer outra questão sua. No mesmo dia, J.M.F. admoestou por escrito o jornalista Tolentino de Nóbrega (T.N.), correspondente do PÚBLICO no Funchal, pela resposta escrita dada ao provedor sobre a matéria da crónica e considerou uma "anormalidade" ter falado com ele ao telefone. Na sexta-feira, o provedor tomou conhecimento de que a sua correspondência electrónica, assim como a de jornalistas deste diário, fora vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do PÚBLICO (certamente com a ajuda de técnicos informáticos), tendo estes procedido à detecção de envios e reenvios de e-mails entre membros da equipa do jornal (e presume-se que também de e para o exterior). Num momento em que tanto se fala, justa ou injustamente, de asfixia democrática no país, conviria que essa asfixia não se traduzisse numa caça às bruxas no PÚBLICO, que sempre foi conhecido como um espaço de liberdade.
A onda de nervosismo, na verdade, acabou por extravasar para o próprio mundo político, depois de o Diário de Notícias ter publicado anteontem um e-mail de um jornalista do PÚBLICO para outro onde se revelava a identidade da presumível fonte de informação que teria dado origem às manchetes de 18 e 19 de Agosto, objecto de análise do provedor. A fuga de informação envolvia correspondência trocada entre membros da equipa do jornal a propósito da crónica do provedor. O provedor, porém, não denuncia fontes de informação confidenciais dos jornalistas - sendo, aliás, suposto ignorar quem elas são -, e acha muito estranho, inexplicável mesmo, que outros jornalistas o façam. Mas, como quem subscreve estas linhas não é provedor do DN, sim do PÚBLICO, nada mais se adianta aqui sobre a matéria, retomando-se a análise que ficou suspensa há oito dias.
Em causa estavam as notícias dando conta de que a Presidência da República (PR) estaria a ser alvo de vigilância e escutas por parte do Governo ou do PS. O único dado minimamente objectivo que a fonte de Belém, que transmitiu a informação ao PÚBLICO, adiantara para substanciar acusação tão grave no plano do funcionamento do nosso sistema democrático fora o comportamento "suspeito" de um adjunto do primeiro-ministro (PM) que fizera parte da comitiva oficial da visita de Cavaco Silva (C.S.) à Madeira, há ano e meio. As explicações eram grotescas - o adjunto sentara-se onde não devia e falara com jornalistas -, mas aceites como válidas pelos jornalistas do PÚBLICO, que não citavam qualquer fonte nessa passagem da notícia (embora tivessem usado o condicional).
A investigação do provedor iniciou-se na sequência de uma participação do próprio adjunto de José Sócrates, Rui Paulo Figueiredo (R.P.F.), queixando-se de não ter sido ouvido para a elaboração da notícia, apesar de T.N. ter recolhido cerca de seis meses antes a sua versão dos factos. O provedor apurou que na realidade T.N., por solicitação de um dos autores da notícia, o editor Luciano Alvarez (L.A.), já compulsara no Funchal, logo após a visita de C.S., e enviara para a redacção informações que se convergiriam com aquilo que R.P.F. lhe viria a afirmar um ano depois (e que o correspondente entendeu não ter necessidade de comunicar a Lisboa, convencido de que o assunto morrera). Esses dados, contudo, não haviam sido utilizados na notícia (foi por tê-lo dito na crónica que o provedor recebeu de J.M.F. o epíteto de mentiroso, não tendo recebido entretanto as explicações que logo lhe pediu). O provedor inquirira J.M.F e L.A. sobre as razões dessa omissão mas não obtivera resposta.
Quanto ao facto de não se ter contactado o visado para a produção da notícia, como preconiza o Livro de Estilo do PÚBLICO ("Qualquer informação desfavorável a uma pessoa ou entidade obriga a que se oiça sempre 'o outro lado' em pé de igualdade e com franqueza e lealdade"), respondeu L.A. ao provedor: "Ao fim do dia da elaboração da notícia, eu próprio liguei para Presidência do Conselho de Ministros [PCM], para tentar uma reacção de R.P.F., mas ninguém atendeu. Cometi um erro, pois deveria ter, de facto, ligado para São Bento, pois sabia bem que era aí que R.P.F. habitualmente trabalhava, já que uma vez lhe tinha telefonado para São Bento para elaboração de outra notícia".
Numa matéria desta consequência, em que se tornaria crucial ouvir o principal protagonista, o provedor regista a aparente escassa vontade de encontrar R.P.F., telefonando-se ao fim do dia (em que presumivelmente já não estaria a trabalhar) e para o local que o jornalista sabia ser errado. A atitude faz lembrar os métodos seguidos num antigo semanário dirigido por um dos actuais líderes políticos (que por ironia tinha por objectivo destruir politicamente C.S., então PM), mas não se coaduna com a seriedade e o rigor de que deve revestir-se uma boa investigação jornalística. Se o jornal já possuía a informação há ano e meio, porquê telefonar ao principal protagonista pouco antes do envio da edição para a tipografia? É um facto que R.P.F., segundo afirmou ao provedor, estava então de férias, mas isso não desculpa a insignificância do esforço feito para o localizar.
Também J.M.F. reconheceu ao provedor "o erro de tentar encontrar R.P.F. na PCM e não directamente na residência oficial do PM", acrescentando, porém: "Tudo o mais seguiu todas as regras, e só lamentamos que os recados deixados a R.P.F. não se tenham traduzido numa resposta aos nossos jornalistas, que teria sido noticiada de imediato, antes no envio de uma queixa ao provedor - a resposta não impediria que se queixasse na mesma, mas impediu-nos de noticiar a sua posição e de lhe fazer mais perguntas".
O provedor considera, porém, que nem "tudo o mais seguiu todas as regras". As notícias do PÚBLICO abalaram os meios políticos nacionais, e o próprio PM as comentou, considerando o seu conteúdo "disparates de Verão". O assunto era, pois, suficientemente grave para o PÚBLICO, como o jornal que lançou a história, confrontar a sua fonte em Belém com uma alternativa: ou produzia meios de prova mais concretos acerca da suposta vigilância de que a PR era vítima (que nunca surgiram) ou teria de se concluir que tudo não passava de um golpe de baixa política destinado a pôr São Bento em xeque. Não tendo havido qualquer remodelação entre os assessores do Presidente da República (PR) nem um desmentido de Belém, era, aliás, legítimo deduzir que o próprio C.S. dava cobertura ao que um dos seus colaboradores dissera ao PÚBLICO. Mais significativo ainda, o PÚBLICO teria indícios de que essa fonte não actuava por iniciativa própria, mas sim a mando do próprio PR - e essa era uma hipótese que, pelo menos jornalisticamente, não poderia ser descartada.
Afinal de contas, o jornal até podia ter um Watergate debaixo do nariz, mas não no sentido que os seus responsáveis calculavam.
No prosseguimento da cobertura do caso, o passo seguinte do PÚBLICO deveria, logicamente, consistir em confrontar o próprio PR com as suas responsabilidades políticas na matéria. Tendo o provedor inquirido das razões dessa inacção, respondeu J.M.F.: "O PÚBLICO tratou de obter um comentário do próprio Presidente, mas isso só foi possível quando este, no dia 28 [de Agosto], compareceu num evento em Querença previamente agendado, ao qual enviámos o nosso correspondente no Algarve. Refira-se que, quando percebemos que não conseguiríamos falar directamente com o PR para a sua residência de férias, verificámos a sua agenda para perceber quando ia aparecer em público, tendo notado que a notícia saíra da Casa Civil exactamente antes de um período relativamente longo em que o Presidente não tinha agenda pública".
Em Querença, C.S. limitou-se, porém, a invocar "os problemas do país" e a apelar para "não tentarem desviar as atenções desses problemas", tendo faltado a pergunta essencial: como pode o PR fazer declarações altruístas sobre a situação nacional e ao mesmo tempo caucionar (se não mesmo instigar) ataques abaixo da cintura lançados de Belém sobre São Bento?
E, como qualquer jornalista político sabe, havia muitas maneiras de confrontar a PR com a questão e comunicar ao público a resposta (ou falta dela), não apenas andando atrás do inquilino de Belém.
Do comportamento do PÚBLICO, o provedor conclui que resultou uma atitude objectiva de protecção da PR, fonte das notícias, quanto aos efeitos políticos que as manchetes de 18 e 19 de Agosto acabaram por vir a ter. E isto, independentemente da acumulação de graves erros jornalísticos praticados em todo este processo (entre eles, além dos já antes referidos, permitir que o guião da investigação do PÚBLICO fosse ditado pela fonte da PR), leva à questão mais preocupante, que não pode deixar de se colocar:
haverá uma agenda política oculta na actuação deste jornal?
Noutras crónicas, o provedor suscitou já diversas observações sobre procedimentos de que resulta sempre o benefício de determinada área política em detrimento de outra - não importando quais são elas, pois o contrário seria igualmente preocupante. Julga o provedor que não é essa a matriz do PÚBLICO, não corresponde ao seu estatuto editorial e não faz parte do contrato existente com os leitores. É, pois, sobre isso que a direcção deveria dar sinais claros e inequívocos. Não por palavras (pois a coisa mais fácil é pronunciar eloquentes declarações de isenção), mas sim por actos.”
(Joaquim Vieira, Provedor do leitor - "PÚBLICO" - Domingo 20 Setembro 2009)
(Transcrição copiada daqui, com agradecimentos)
***
Como o prometido é devido, Joaquim Vieira retomou, na edição do PÚBLICO de hoje, a análise do tratamento dado pelo jornal ao "caso das escutas de Belém" iniciada na edição do domingo anterior (v. aqui) e o seu texto é demolidor, quer para a pessoa do seu director, quer para a o actual inquilino de Belém.
Deixando de parte o "inquilino", pois, sobre ele, já disse o que tinha a dizer, centro-me na personagem José Manuel Fernandes, que, pelo que é descrito na coluna do Provedor, não passa de um homem sem vergonha, que não hesita em chamar mentiroso a quem o não o é, como é fácil perceber pelo desenvolvimento da peça, como vasculha ou manda vasculhar a correspondência electrónica do Provedor e a de outros jornalistas do PÚBLICO, sem aviso prévio, praticando assim actos de gravidade idêntica aos que ele, sem quaisquer provas e com a arrogância de quem se sente no direito de as dispensar, atribuira aos SIS, ao acusá-los, sem mais aquelas, da prática de actos de intrusão na correspondência electrónica do jornal, acusação que, mais tarde se viu forçado pelos factos, a retirar, mas que, entretanto, serviu de pretexto para a Drª Leite, com o seu conhecido amor pela "Verdade", retomar o tema da "asfixia", mesmo depois de feito o desmentido.
Para chegar a uma tal conclusão, nem é preciso grandes divagações. Basta vê-lo agora a passear-se pelos vários espaços televisivos postos à sua disposição a afirmar uma coisa e, a seguir, o seu contrário e sempre com a mesma cara.

À interrogação formulada pelo Provedor sobre se haverá uma agenda política oculta na actuação do jornal, parece-me difícil não responder afirmativamente. Só que a agenda não é oculta, pois está bem à vista que JMF, acolitado por Luciano Alvarez (e não só) e contando com o empenho militante de Pacheco Pereira, colunista do PÚBLICO e censor encartado, tem levado a cabo uma estratégia de transformar o "PÚBLICO" num órgão oficioso de Belém e num promotor de um partido (o PSD). Foram, no entanto, longe de mais e hoje a tramóia está à vista de toda a gente. Só não a vê quem teima em fechar os olhos.

Posto isto, parece-me importante e justo dizer que, como leitor habitual, não confundo o "PÚBLICO" com o seu director e seus comparsas, pois o jornal, não obstante os esforços daquele e destes, em sentido contrário, continua a ser um espaço onde é possível encontrar o confronto de opiniões e liberdade de expressão. A manutenção do actual Provedor do leitor (já, em tempos, louvado por estas bandas) é um bom sinal nesse sentido.

Assim seja.

Sábado, 19 de Setembro de 2009

Professores? Duvido

Professores? Duvido. Quem profere tais dislates aparenta mais ser tolo do que professor.
Os verdadeiros professores (e alguns eu tive) jamais subscreveriam uma tal frase.

"Acabado Silva"

O comportamento de Cavaco Silva, no caso das suspeitas sobre as alegadas escutas, é indigno de um Presidente da República.
Explico-me: não sei se Cavaco Silva, em Abril de 2008, tinha ou não razão para suspeitar que os serviços da Presidência da República estivessem a ser vigiados por parte do Governo. Os dados até agora vindos a lume indiciam que não, pois a investigação levada a cabo pelo "Público" a pedido do Presidente, pelo interposto assessor Fernando Lima, acabou por concluir que as suspeitas que recaiam sobre Rui Paulo Figueiredo (adjunto do primeiro-ministro) careciam de fundamento.
Há, no entanto, dois pontos sobre os quais não tenho quaisquer dúvidas:
Primo:
É inadmissível que um Presidente da República exponha a um jornal, seja ele qual for, ainda que por interposta pessoa (que, no entanto, invoca o mandato presidencial) as suas suspeitas sobre um assunto de tamanho melindre e menos admissível é ainda que peça ao mesmo jornal que leve a cabo uma investigação sobre essas suspeitas e que as publicite. No mínimo, revela uma imprudência e uma falta de sentido de Estado incompatível com o cargo que ocupa. Se tinha dúvidas, podia e devia falar, antes de mais, com o primeiro-ministro, com quem reúne semanalmente, para expor as suas dúvidas e fundamentos ou podia recorrer a Serviços do Estado com competência na matéria, como a Procuradoria Geral da República. Isto, partindo do pressuposto de que tinha, ou tem, tais dúvidas e fundamentos, o que, pelo que acima fica dito, me parece altamente improvável. Já alguém, melhor informado que eu, falou em delírio e paranóia e não serei eu a contrariar tal opinião.
Secundo:
Perante as notícias publicadas pelo "Público", em 18 e 19 de Agosto, dando conta das alegadas suspeitas, Cavaco Silva, porque o seu nome era expressamente invocado, tinha a estrita obrigação de esclarecer se a notícia era ou não fundada. No caso de ser verdadeira, impunha-se que Cavaco Silva apresentasse os factos que sustentavam as suspeitas. No caso contrário, o desmentido e a imediata demissão do assessor eram imperativos. Não é preciso ser Presidente de coisa nenhuma para tomar uma ou outra decisão, consoante o caso. Qualquer pessoa honrada era assim que procederia. O seu silêncio permitiu e permite que se tenha instalado na vida política portuguesa um clima de suspeição generalizada que põe em causa todos os órgãos de soberania, a começar pela Presidência da República, facto tanto mais grave quando é certo que estávamos, na altura, e estamos, agora, em vésperas de um acto eleitoral de extrema importância para a vida do país. E, como é evidente, o seu silêncio e as suspeições, por ele geradas, afectam de forma grave a luta política, agora já sob a forma de campanha para as eleições legislativas. Assim sendo, é pelo menos, hipócrita, a atitude tomada por Cavaco Silva ao recusar comentar o caso, na sequência da história publicada ontem pelo Diário de Notícias, sob o pretexto de que estamos em campanha eleitoral. E é hipócrita, porque Cavaco Silva sabe que, quer ele queira, quer não, as suspeições continuam e o caso inquinou já o debate político, como se pode ver por várias e insistentes declarações da sua "pupila" Ferreira Leite, facto que parece indiciar que é isso mesmo o que Cavaco Silva deseja e quer.
Perante o comportamento do actual Presidente da República, a personagem de ficção "Acabado Silva" desceu ao mundo real. O Presidente Cavaco Silva acabou. Para mim, pelo menos.
(Imagem foi tirada daqui, mas suponho que os direitos de autor pertencem às "Produções Fictícias" a quem cumprimento e felicito pelo acerto da sua premonição)

Louçã, o "mártir" e os "favores"

No dizer de Louçã, José Sócrates fez um "favor" ao Bloco de Esquerda, ao chamar a atenção para alguns aspectos do seu programa, como as nacionalizações e as propostas de extinção de todas as deduções em sede de IRS, em matéria de saúde e de educação, e o fim dos benefícios fiscais atribuídos aos PPR.
Agora é o "Expresso" a fazer-lhe outro "favor", ao revelar, na edição de hoje, que Francisco Louçã investiu 30.000 euros em PPR. É ele, uma vez mais, quem tal afirma.
Começando por aqui: Louçã fala em "favor", neste caso, porquê ? Porque, no dizer dele, "os dirigentes bloquistas deixam de lado os seus interesses pessoais em benefício do interesse público". Ou seja, segundo ele, Louçã e os seus camaradas bloquistas são uns "mártires" que sacrificam o interesse pessoal em nome do interesse público. No meu bem mais modesto entender, ou não sabem fazer contas para investir num produto não rentável, de acordo com o seu programa, ou, o que é mais provável, pois não os tenho na conta de tolos, andam a fazer demagogia barata, demagogia que, no entanto, com a retirada dos benefícios fiscais, iria sair cara à classe média.
Deixemos de lado as deduções em matéria de saúde e de educação que afectariam, sem margem para dúvidas, e uma vez mais, a classe média e passemos às nacionalizações. Ignoro as razões que levam Louçã a dizer que José Sócrates também lhe fez um "favor", ao chamar a atenção para este ponto do programa do Bloco de Esquerda, mas admito que talvez Louçã se refira ao facto de Sócrates se ter esquecido de dizer quanto é que as nacionalizações da banca e das empresas de energia custariam ao bolso dos contribuintes. Pelas contas do "Expresso" (edição de hoje) seriam 51.000.000.000€ (cinquenta e um mil milhões de euros). É obra, pois cabem nestes números não sei quantos TGV. E anda a Drª Leite preocupadíssima com um só!
Quanto a Louçã, já lhe ouvi dizer que as contas fazem-se depois e que, por ora, não interessam. O dinheiro envolvido é dele, ou é dos contribuintes ? Uma tal posição será própria de quem é responsável ? Ná, digo eu.

Observação dos dias (XVI)

[Inflorescência de Alfazema ou Lavanda (Lavandula angustifolia Mill.) ]

Por estes dias, não é só a gripe A que anda por aí à solta. Há outras maleitas e nem Belém escapa. Se a Alfazema desempesta, plante-se Alfazema.
(Clicando na imagem, amplia)

Legislativas: mais sondagens (Registo)

Estudo de Opinião efectuado pela Eurosondagem, S.A. para o Expresso, SIC e Rádio Renascença, nos dias 13 a 16 de Setembro de 2009.

***


Sondagem Aximage, 14-17 Setembro


Resultados com indecisos:

PS: 36,1%;
PSD: 29,7%;
BE: 10%;
CDS-PP: 7,6%;
CDU: 7,5%
OBN: 4,8%
Indecisos: 4,3%
Abstenção: 35,7%


****

Sondagem INTERCAMPUS para a TVI, realizada entre os dias 12 e 15 de Setembro de 2009,


"Os socialistas atingem os 32,9%, enquanto o PSD se fica pelos 29,7%. O bloco de Esquerda destaca-se na terceira posição, com 12%, enquanto a CDU se fica pelos 9,2% e o CDS-PP pelos 7%.
71,8% das pessoas disseram que vão votar de certeza; 7,8% disseram que têm a intenção de ir votar, mas é possível que decidam não fazê-lo; 6,4% tanto podem decidir votar como pode decidir não votar; 3,3% não têm intenção de votar, mas é possível que venham a votar; 10,6% não estão a pensar votar." (Fonte)

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Registo apenas. As sondagens são tantas e quase diria para todos os gostos que não dá para mais. E "gato escaldado de água fria tem medo".

Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

Os Gato Fedorento "esmiuçam" os "mabalarismos" da Drª Leite

Para ver e rever os "mabalarismos" de Manuela Ferreira Leite, mas não só, recomenda-se uma visita aqui (a partir do minuto 5:10) e aqui.
Ridendo castigat mores. Tradução livre: "A rir se dizem as verdades". Com letra pequena, por supuesto. Este "espanhol" é só por birra.

Este senhor não está nada bem

Retomo este título a propósito da reacção de Cavaco Silva à história do "Assessor do Presidente [que] encomendou [o] caso das escutas" hoje publicada no Diário de Notícias, porque tal reacção mostra mesmo que o senhor não está nada bem.
Relembremos: a história começou em Abril de 2008, com um encontro entre Fernando Lima (o dito Assessor) e Luciano Alvarez [jornalista (?) do "Público"], onde aquele, segundo este, terá dito que "o presidente da república acha que o gabinete do primeiro-ministro o anda a espiar e que a grande prova disso tinha sido dada na Madeira onde o primeiro-ministro tinha enviado um tipo que trabalha para o MAI só para espiar os passos do Presidente e dos homens do seu gabinete"; a suspeita levantada pelo Assessor em relação a Rui Paulo Figueiredo (o tal "tipo" e adjunto do primeiro-ministro) foi investigada pelo jornalista Tolentino da Nóbrega, a pedido do dito Alvarez, conforme consta do já famoso "e-mail" (ver aqui), suspeitas que este não só não confirmou, como infirmou. Não obstante a não confirmação da notícia por pessoal da casa, o "Público" acabou por publicar em 18 de Agosto a primeira notícia sobre o caso, sob a manchete "Presidência suspeita estar a ser vigiada pelo Governo"e a segunda no dia seguinte. Para tanto, bastou que a mesma fonte, conforme se pode ler na coluna de Joaquim Vieira, Provedor do Leitor do "Público" (ver aqui) voltasse à carga.
Peço desculpa pelo relembrar da história, mas pareceu-me necessário como forma de tornar evidente que Cavaco Silva, embora não seja, como já confessou, grande leitor de jornais, não podia ignorar a história, nem a responsabilidade que lhe é assacada pelo assessor no levantamento das suspeitas. Já teve, por isso, mais que tempo para dizer de sua justiça ou demitir o assessor. Não fazendo uma coisa, nem outra e vir agora escusar-se a comentar o caso, sob o pretexto de que estamos em campanha eleitoral é falsa desculpa só explicável porque sofre daquilo que eu chamaria "Síndroma do Pulo do Lobo". Sempre que se vê confrontado com casos que o incomodam, Cavaco Silva dá o salto e vai até ao "Pulo do Lobo". Já não é primeira vez, como é sabido. Os casos do BPN e de Dias Loureiro tinham sido os mais recentes.
Devo acrescentar que Cavaco Silva não é caso único. A sua "discípula" Manuela Ferreira Leite sofre da mesma síndrome, pois ela, segundo afirmou hoje, no final de uma acção de campanha para as legislativas, até "desconhece" a notícia. Imagine-se.
Uma dupla de cultores da "Verdade", como esta, (CS/MFL) não é caso para assustar ?
Eu diria que sim. E muito.
(Imagem daqui)

Notícias à moda do Zé Manel e do patrão

Ao noticiar a campanha do PS em Guimarães, o "Público" on line chama para título os insultos de um indivíduo isolado, como se isto fosse uma notícia insólita e nunca vista em campanha eleitoral. Nem no dia em que a sua seriedade como jornal foi publicamente posta em causa, o "Público" renuncia ao seu facciosismo, nem à sua própria campanha.
Se tal acontece, mesmo em tais circunstâncias, é porque este é o entendimento que o Zé Manuel e o seu patrão têm do que seja a "liberdade de imprensa", ou a "independência" do jornal.
Seja como for, uma coisa é certa. Belmiro de Azevedo não mantém o "Público", com o propósito de ganhar dinheiro, pois tal objectivo nunca foi alcançado, o que mostra que os fins que Belmiro de Azevedo prossegue só podem ser outros. Será ousado admitir, perante o cenário de sucessivos prejuízos, acumulados desde a sua fundação, que a missão do "Público" será antes a de servir como "voz do dono" e dos amigos ?
Se não é, pelo menos, parece.

Elefante e bailarino? Ná !



(Clicando, amplia)
De há muito que, nesta casa, se considera o "Público" como o jornal oficioso de Belém. As sucessivas notícias ali vindas a lume "sopradas" por "fontes de Belém" são prova suficiente e, uma vez por outra, fui fazendo eco desse facto, como se pode comprovar fazendo uma pesquisa aqui no blogue, etiqueta "Público". O que não se imaginava é que além de jornal oficioso, o "Público" fosse também uma central de investigação ao serviço da Presidência da República.
A notícia e o "e-mail" (v. supra) hoje publicados pelo Diário de Notícias (DN) ("e-mail" qualificado aqui como "alegada mensagem de correio electrónico") demonstram à saciedade que o "Público" sob a direcção de José Manuel Fernandes, coadjuvado pelo autor do "e-mail, o inenarrável Luciano Alvarez, se deixou instrumentalizar pela Presidência da República, ou, pelo menos, pela central de contra-informação nela sediada e liderada por Fernando Lima.
Convém, a propósito, recordar que as notícias veiculadas pelo DN, surgem na sequência do texto publicado, no passado domingo, no "Público", pelo respectivo Provedor do Leitor, Joaquim Vieira, (para não ir mais longe o texto pode ser lido aqui) onde se considerava que tudo o que o jornal havia publicado sobre as escutas, "não passa de um indício, sim, mas de paranóia, oriunda do Palácio de Belém".
Confrontados com as notícias e o "e-mail" ora publicados, o dito Luciano Alvarez nega a existência do "e-mail" (existência que, entretanto, o seu destinatário - Tolentino da Nóbrega - se recusa a a confirmar ou desmentir) e José Manuel Fernandes, sem negar a sua existência, garante ter sido falsificado, embora afirme que o desconhecia. Solicitado a comentar o caso, José Manuel Fernandes não só não faz mea culpa, como qualquer pessoa dotada de bom senso apanhada com a boca na botija, como aproveita para disparar contra o SIS, atribuindo a este a responsabilidade pela divulgação do material publicado. Ora, José Manuel Fernandes, esquece-se de um pequeno pormenor: segundo o próprio, havia cinco ou seis pessoas dentro do jornal que estavam a par do caso. José Manuel Fernandes talvez o não saiba, mas a verdade é que cinco ou seis pessoas, num caso deste melindre, são uma multidão e não haveria motivo para grande espanto se, estimulado pela iniciativa do Provedor do Leitor, algum membro da redacção, se tivesse sentido enojado com tanta violação das regras deontológicas e tivesse resolvido desmascarar a actuação da direcção do "Público" num caso de extrema gravidade. É Joaquim Vieira quem como tal o qualifica, na coluna do Provedor do leitor.
A parte final do "e-mail" do Luciano Alvarez "Um abraço e vai-te a eles" diz tudo sobre o que o seu autor e a direcção do "Público" entendem por jornalismo. Proselitismo, fazem seguramente a favor do "cavaquismo" e de outros "ismos", como "ferreiraleitismo" o que vem a dar no mesmo. Jornalismo é que não.
Pergunta:
Um elefante pode ser bailarino profissional? Eu diria que não. Pois bem, face ao comportamento de um e de outro, se me perguntassem se José Manuel Fernandes e Luciano Alvarez podem ser considerados jornalistas, responderia o mesmo.
Adenda:
Enquanto Francisco Louçã, comentando o caso, põe o dedo na ferida: “Foi sempre muito evidente que se tratava de manipulação de informação, de empolamento de factos, de uma construção mistificadora, de uma fantasia, para reduzir a política a uma telenovela mexicana" também há quem pretenda desviar as atenções, como Paulo Portas, (o que não admira) e quem, como Jerónimo de Sousa, se faça desentendido, (o que já não se compreende).

Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

Este senhor não está nada bem

«Quando chega a esta hora e tenho de vir dizer umas palavras sinto uma certa atrapalhação, tendo presente a audiência que tenho pela frente, jornalistas», confessou o Presidente da República, Cavaco Silva, na cerimónia de entrega dos Prémios Gazeta 2008, que decorreu no auditório da Caixa Geral de Depósitos.
Por isso, relatou Cavaco Silva, hoje ao final da tarde chamou um assessor para que o aconselhasse sobre o que dizer.
«Elogie os jornalistas, elogie a comunicação social, sublinhe a isenção, a independência, a objectividade, diga que agora gasta pelo menos 30 minutos a ler os jornais todos os dias e não apenas 5 minutos, que vê os telejornais, incluindo o de sexta-feira, o de sábado e o de domingo», sugeriu o assessor, segundo as palavras do próprio Presidente da República.
«Eu disse: não pode ser, porque se faço isso dizem imediatamente que estou a passar a mão pelo pêlo dos jornalistas para eles dizerem bem de mim», contou o chefe de Estado.
Foi então que o assessor o aconselhou a «ir pelo caminho contrário», fazendo uma análise crítica do jornalismo social, sugestão também declinada por Cavaco Silva, que confessou temer que algum jornalista «pegasse no sapato» e lho atirasse.
Nessa altura, surgiu a terceira sugestão, igualmente recusada por Cavaco Silva: elogiar as preocupações sociais da Caixa Geral de Depósitos, promotora dos prémios Gazeta.
Como quarto conselho, continuou a relatar o chefe de Estado, o assessor disse para elogiar o Clube dos Jornalistas.
Finalmente, surgiu, então, a derradeira sugestão: «então só há uma hipótese, é o senhor falar, falar, mas não dizer nada. É uma táctica a que se recorre em situações difíceis».
«Isso não me parece mal, principalmente neste tempo eleitoral em que nós vivemos. Mas, depois pensei melhor e disse: sabe isso não é o meu hábito, não é o meu hábito falar e dizer nada, isso é capaz de não correr bem, eu não sou capaz, mas ele olhou para mim e disse 'yes, you can, yes you can', é preciso é treinar um pouco e vai a ver que consegue», revelou Cavaco Silva, animando a plateia"
(Fonte)
Não me parece que este discurso seja caso para a plateia se animar. Antes pelo contrário, pois o humor não é propriamente o "forte" do Presidente da República e se a ele recorre é porque, a meu ver, não está nada bem. E falar, nesta altura, de um "assessor" parece a ocasião menos oportuna. É mesmo caso para dizer que é deitar sal na ferida, se nos lembrarmos da estória sobre as escutas.

Olha a mala !

Confrontada pela "Sábado", Manuela Ferreira Leite recusou comentários e fonte do PSD disse que o assunto já não é novo.
Pelo facto de não ser "novo" já deixou de ser grave ? E nem comentários merece ?
Política de "Verdade" ?
Estranho entendimento de "Verdade" mora por aquelas bandas.

Terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Observação dos dias (XV)

(Clicando, amplia)
[Flor de Alecrim (Rosmarinus officinalis L.)]
Ao contrário do que, à primeira vista, poderíamos ser levados a pensar, ainda há por aí cheiros agradáveis. O Alecrim, por exemplo, cheira bem. Aproveitemos...

A "padeira" vencerá !

"Não é fácil que me intimidem a não falar deste assunto [TGV] pelo facto de já haver estrangeiros que já me vêm amedrontar" (Manuela Ferreira Leite dixit)
Graças a Zeus, a nossa " padeira" (fortemente atacada pela mania da perseguição) não se intimida. Já a estou mesmo a vê-la, de pá empunhada, a desbaratar espanhóis e a gritar: quantos são, quantos são ?
Aguardo com extrema ansiedade, (como é fácil imaginar) o desenvolvimento da batalha, mas também com esperança: a "padeira" vencerá!

Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Não é para levar a sério...

Arlindo Cunha, militante e ex-dirigente do PSD, antigo eurodeputado e ex-ministro de Cavaco Silva, actualmente presidente da Fundação Rei Afonso Henriques, afirmou discordar da posição da líder do seu partido [sobre o TGV] e considerou que tal posição "não faz sentido nenhum" e "tem a ver exclusivamente com o contexto de campanha".
Ele não o diz expressamente, é verdade, mas é como se o dissesse: as afirmações de Ferreira Leite não passam de um disparate que "não abalará a cooperação entre Portugal e Espanha". Ou seja, para este companheiro de partido, o que M. Ferreira Leite diz não é para levar a sério.
Já se cá sabia, mas agradece-se a confirmação.

A senhora mente com tanta facilidade que, ao mentir, até julga que diz a "Verdade" (II)

Manuela Ferreira Leite afirmou hoje que “Foi a crise que salvou Sócrates”.
Ela sabe que tal afirmação é uma rematada mentira, pois é sabido que, antes de os efeitos da crise internacional (o "abalozito de terra", na anterior versão dela) se terem sentido em Portugal, o PS, segundo todas as sondagens, estava, no que respeita a intenções de voto, muito longe de ser alcançado pelo PSD e, por sinal, a "imagem" da "dona da Verdade" andava pelas ruas da amargura, mesmo entre os seus companheiros de partido. Toda a gente o sabe.
Ela não pode ignorar tal facto o que me leva a concluir que a "dona da Verdade" é, antes e só, uma mentirosa compulsiva. Digo-o com todas as letras.

Mais uma santa ?

É verdade que Manuela Ferreira Leite ainda não reivindicou nenhum milagre como S. Louçã. No entanto, os seu devotos (desinteressados ou interesseiros) não cessam de exaltar as suas virtudes, como pessoa "séria" e "competente".
Com tão excelsas virtudes a exornar a senhora, admira-me que ainda não tenha sido iniciado o processo de canonização. Será porque "o advogado do diabo" encontrou provas de que a "seriedade" da "santa" não é tanta quanta a que se apregoa, como se vê por esta pequena amostra e a sua "competência" é posta em causa com as suas repetidas confusões entre taxas de IRS e de IRC (de 42% em vez de 25%, para este imposto) ou quando se vê confrontada com factos como estes:
"1. A Dr.ª Manuela chamou ao PEC um imposto. Não é, como a sua designação indica: “não se tratava de um imposto mínimo, mas de uma nova forma de pagamento por conta de IRS e IRC’, um ‘mínimo de imposto a pagar por conta’ que visava aproximar o ‘nível dos rendimentos declarados, quando manifestamente desconforme com a experiência, do nível dos rendimentos realmente auferidos e que deveriam ser sujeitos a tributação.” [António Carlos Santos, revista Fisco n.º 122/123] E, ao contrário do que disse a Dr.ª Manuela, o PEC não se aplica apenas ao IRC, mas também ao IRS.
2. Ainda ao contrário do que disse a Dr.ª Manuela, não foi num governo do PSD que foi criado o PEC. Esta forma de pagamento foi criada em 1998 durante o primeiro governo de Guterres. Perante o facto de cerca de metade das empresas apresentar, ano após ano, prejuízos artificiais, a criação do PEC foi a forma encontrada para moralizar o sistema, sem com isso pretender sufocar o tecido empresarial. Lembram-se da campanha contra a “colecta mínima” lançada no consulado do inefável Prof. Marcelo?
3. Mas o que é verdadeiramente espantoso é o facto de a Dr.ª Manuela aparecer agora como a campeã do combate ao PEC, quando, era a senhora ministra das Finanças do Governo Barroso/Portas, estabeleceu limites manifestamente agressivos e desproporcionados para esta forma de pagamento:
• Estando o limite mínimo em 498,80 euros, a Dr.ª Manuela passou-o para 1.250 euros (aumento de mais de 251 %);
• Sendo o limite máximo de 1.496,40 euros, a Dr.ª Manuela elevou-o para 200.000 euros (aumento de 13.365 %).
Estes insuportáveis aumentos dos limites mínimo e máximo do PEC, em plena crise económica interna que levou a uma quebra violenta do PIB em 2003, não trazia problemas de tesouraria." (Fonte)
Se não me engano, pelo que vejo, o milagre não vai chegar e o início do processo de canonização pode esperar. Ad aeternum.

A disputa do PBX

Depois de Louçã ter afirmado "Nós somos os socialistas", chegou agora a vez de Jerónimo de Sousa desautorizar José Sócrates a falar em nome da esquerda ou mesmo a dizer-se de esquerda. Desta vez é Jerónimo de Sousa quem se sente no direito de reivindicar para o seu partido a "marca" da esquerda. Pelos vistos, vai acesa a disputa entre o Bloco e o PCP pela sigla do PBX (Partido Berdadeiramente Xuxialista).
Estranhamente, nem o Bloco, nem o PCP, usam a palavra "Socialismo" nas suas designações. E mais, o PCP vai a votos sob a sigla CDU.
"Socialismo" soa melhor que "Comunismo". Será ?

Domingo, 13 de Setembro de 2009

No "mundo paralelo" do Zé Manel é assim

"Subitamente neste Verão"
"O curso habitual da política nacional foi perturbado no transacto 18 de Agosto com a manchete do PÚBLICO: "Presidência suspeita estar a ser vigiada pelo Governo". A notícia, assinada por São José Almeida (S.J.A.), citava um membro não identificado da Casa Civil do Presidente da República [PR] para informar que "o clima psicológico que se vive no Palácio de Belém é de consternação [,] e a dúvida que se instalou foi a de saber se os serviços da Presidência da República [PR] estão sob escuta e se os assessores de Cavaco Silva [C.S.] estão a ser vigiados". Tudo isto para reagir a declarações de dirigentes socialistas criticando a participação de assessores presidenciais na elaboração do programa eleitoral do PSD (participação que, aliás, a fonte de Belém não desmentia).
No dia seguinte, em nova manchete, o PÚBLICO reincidia, alegando que "a origem das suspeitas [da PR] remonta a uma viagem [presidencial] à Madeira, há um ano e meio, na qual um adjunto [do primeiro-ministro - PM] teve comportamentos que levaram colaboradores de C.S. a apertar o circuito da informação para evitar fugas". Segundo a nova notícia, elaborada por S.J.A. e pelo editor Luciano Alvarez (L.A.), esse adjunto de José Sócrates, Rui Paulo Figueiredo (R.P.F.), teria sido incluído na comitiva presidencial "sem nenhuma explicação natural", e os autores descreviam o seu comportamento no arquipélago como o de um penetra que abusivamente "ter-se-á sentado, sem ser convidado, na mesa de outros membros da comitiva, violando as regras protocolares" e até "multiplicado os contactos e as trocas de informação com alguns jornalistas do continente que se deslocaram à Madeira". R.P.F. não foi ouvido para a redacção do texto: o PÚBLICO, dizia a notícia, tentara "sem êxito" contactá-lo de véspera na Presidência do Conselho de Ministros (PCM).
A segunda manchete motivou o envio ao provedor de uma reclamação de R.P.F. com os seguintes tópicos (recomenda-se a leitura da documentação integral do caso no blogue do provedor): "Foi com enorme surpresa e consternação que li esta 'notícia'. (...) Não só pelo seu conteúdo, que reputo de fantasioso e totalmente falso, mas também pelo facto de não ter sido citado o meu desmentido (...), em obediência às mais elementares regras deontológicas de audição e publicação do contraditório. De facto, em tempo, fui abordado pelo jornalista do PÚBLICO Tolentino de Nóbrega [T.N., correspondente no Funchal] sobre este tema (...). Tive oportunidade de negar completamente tudo aquilo com que fui confrontado. E de lhe referir que ele, como testemunha de toda a visita (...), poderia comprovar facilmente o que eu lhe estava a afirmar. Esclareci-o que estive oficialmente na visita e que o meu nome constava no livro oficial da visita elaborado pela PR. E que o motivo da minha presença justificava-se (...) pelo facto de, entre outras funções, acompanhar temas relacionados com as Regiões Autónomas. Aliás, já não era a primeira vez que, nesse âmbito, me deslocava à Região Autónoma da Madeira assessorando membros do Governo da República (...). Estive presente somente nos actos para os quais a minha presença estava prevista no referido programa. (...) Referi-lhe que, ao longo dos seis dias que durou a visita do PR (...), me desloquei nas viaturas que me foram indicadas, me sentei nas mesas que me foram destinadas e com as companhias, das mais diversificadas, que estavam previstas pela organização de cada evento. (...) Não perceb[o] a que se referem quando invocam contactos com jornalistas do Continente. Tive apenas conversas de circunstância com alguns, do Continente e da ilha, enquanto esperávamos que alguns eventos terminassem. Como aconteceu com o próprio T.N. (...). Fiquei igualmente estupefacto com a afirmação de 'que o PÚBLICO tentou, sem êxito, contacta[r-me] na PCM'. Não só porque não tenho indicação nenhuma dessa nova tentativa de contacto como pelo facto de ter sido ignorado o contacto efectuado por T.N. Já não falando no facto de o meu local de trabalho ser S. Bento e não a PCM."
Este caso não só se reveste de enormes implicações, por estar em causa a relação entre dois órgãos de soberania, como suscita diversas questões relacionadas com a prática jornalística, o que levou o provedor a aprofundar a sua investigação muito para lá da queixa do adjunto governamental, abrangendo todo o procedimento do PÚBLICO no processo.
O provedor pôde concluir que o contacto inicial de um membro da PR com o jornal para se queixar da "espionagem" de S. Bento sobre Belém, e até da possibilidade de escutas telefónicas, se deu há cerca de 17 meses, pouco após a visita de C.S. à Madeira. Mas ao longo deste quase ano e meio a mesma fonte não apresentou qualquer indício palpável da existência dessas escutas, pelo que a possibilidade de termos aqui um Watergate luso, como chegou a ser aventado entre as inúmeras reacções que a notícia desencadeou, é no mínimo um insulto a Bob Woodward e Carl Bernstein, os jornalistas que denunciaram o caso original.
Salvo melhor prova, tudo não passa de um indício, sim, mas de paranóia, oriunda do Palácio de Belém. Só que tal manifestação é em si já notícia, porque revela a intenção deliberada de alguém próximo do PR minar a relação institucional (ou a "cooperação estratégica") com o Governo.
O que dá toda a razão de ser à manchete inicial publicada pelo jornal. O provedor apenas estranhou a demora: se o elemento da Casa Civil falou ao PÚBLICO há quase ano e meio, porquê só agora, quando nada mais foi entretanto adiantado? Respondeu o director, José Manuel Fernandes: "Há ano e meio que o PÚBLICO, através de vários jornalistas e de contactos estabelecidos por mim próprio, procurava recolher elementos para sustentar as informações dispersas que chegavam ao jornal relativas à existência de uma tensão entre Belém e São Bento que tinha ultrapassado o patamar da divergência política normal para se situar no da desconfiança sobre os métodos seguidos pelo gabinete do PM. (...) Nunca estivemos em condições de o noticiar, pois consideramos que não devemos utilizar fontes anónimas quando os visados desmentem em on as informações e não possuímos provas materiais. (...) Na véspera da saída da primeira notícia, um membro da Casa Civil do PR confirmou formalmente ao PÚBLICO uma das várias informações de que há muito tínhamos conhecimento. (...) Como jornalistas a nossa opção só podia ser uma: no dia em que uma fonte autorizada da Casa Civil do PR assume que no Palácio de Belém se suspeita de que o Governo montou um sistema para vigiar os movimentos do Presidente, essa informação tem uma tal importância e gravidade que só podia ter o destaque que teve. Pessoalmente acompanhei este processo e, como o Livro de Estilo prevê, (...) inteirei-me da fiabilidade das fontes e dei luz verde à publicação da notícia."
Pelo que o provedor percebeu, só há uma fonte, que é sempre o mesmo colaborador presidencial que tomou a iniciativa de falar ao PÚBLICO em 2008, mas este milagre da multiplicação das fontes é uma velha pecha do jornalismo político português e não vale a pena perder agora mais tempo com ela. Vale sim a pena dizer que essa fonte falou não só das escutas como da história do adjunto de Sócrates na Madeira, na tentativa de corroborar a tal operação de espionagem.
Claro que uma acusação dessa natureza deveria ser comprovada, e foi o que acertadamente começou por fazer L.A., ao pedir na altura a T.N. que confirmasse in loco a atitude do abelhudo R.P.F. retratado pela fonte da Casa Civil. Interpelado pelo provedor, relatou T.N.: "No final de Abril de 2008, alguns dias após a visita do PR à Madeira (...) fui contactado pelo editor L.A. no sentido de apurar localmente dados para confirmar ou desmentir a suspeita de que o PR teria sido espiado pelo gabinete do PM. O suposto espião seria um adjunto do PM que na visita se teria introduzido indevidamente na comitiva, nomeadamente em actos e em almoços e jantares oficiais, em mesas de assessores de Belém, para as quais não estaria convidado. Após difíceis diligências (...), concluí que:
os preparativos da visita, rodeada de exageradas medidas de segurança, foram controladíssimos pela Casa Civil da PR; (...) R.P.F. integrava a comitiva oficial do PR, constando o seu nome na lista de convidados para os diferentes actos oficiais e da comitiva restrita presente às audiências do PR com representantes das associações empresariais locais (...); R.P.F. integrava igualmente a lista de convidados para os almoços e jantares oficiais, distribuídos pelas mesas sob prévia indicação dos serviços da PR. (...) Destas minhas conclusões dei conhecimento a L.A., que, face aos dados apurados, deixou cair o assunto das suspeitas."
O contacto que T.N. teve com R.P.F. ocorreu um ano depois: "Dada a sua presença no Funchal quando da visita do PM à Madeira (15 de Maio de 2009), confrontei-o pessoalmente com a situação, na tentativa de validar ou não as informações anteriormente por mim colhidas. As respostas dadas nada acrescentaram ao que eu próprio apurara um ano antes, e de que dera conhecimento a L.A. no início de Maio de 2008. Desde então nunca mais abordámos este assunto nos contactos quase diários que mantemos."
Em conversa telefónica, T.N. adiantou ao provedor não ter comunicado à redacção o resultado do seu contacto com R.P.F. não só por reiterar as informações que já antes enviara mas também por pensar que, ao fim de 12 meses, o tema fora abandonado pelo PÚBLICO.
Solicitados pelo provedor a explicar por que razão os dados recolhidos há ano e meio por T.N., e que de algum modo contrariavam a versão do assessor de Belém, não entraram na notícia sobre o "espião" de S. Bento, nem J.M.F. nem L.A. responderam (S.J.A. disse que a parte sobre R.P.F. não foi da sua responsabilidade, mas sim de L.A.).
Como o leitor já terá intuído chegado a este ponto, estamos perante um caso que se reveste de grande complexidade e gravidade, pelo que ao provedor não é possível esgotar a sua análise numa única crónica. Voltaremos ao assunto no próximo domingo".
(Joaquim Vieira, Provedor do leitor, "Público", Domingo, 13 de Setembro de 2009)
Aguardemos pela continuação da prosa do Provedor. Em todo caso, um facto é já evidente. O "mundo paralelo" em que vive o director do "Público" e o seu acólito Luciano Alvarez é dominado pelo fedor da intriga e da pouca vergonha jornalística. Qual a paga, Zé Manel ?

A outra "padeira de Ajubarrota"

O debate entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite teve o mérito de nos revelar outra "padeira de Aljubarrota", mas uma "padeira" incapaz, antiquada e incoerente.
Pesei as palavras "incapaz" e "antiquada" e "incoerente", antes de as escrever e só porque as pesei é que não vou mais longe.
Na verdade, vir afirmar que não avança com o TGV por este só interessar aos espanhóis revela a incapacidade de ver que Portugal, estando numa posição geográfica excêntrica em relação a toda a Europa, é o país que mais interesse tem na ligação à rede europeia de comboios de alta velocidade. Se o não vê, é porque, repito, é incapaz de compreender o que está à vista de toda a gente. Menos dela.
E como não chamar-lhe "antiquada" quando da sua boca saem pérolas como estas: "não gosto dos espanhóis metidos na política portuguesa" ou "Portugal não é uma província espanhola"? Este discurso cheira a mofo, de fio a pavio. Como é que uma "política", como Ferreira Leite, pode vir ressuscitar fantasmas há muito enterrados ao proferir um tal discurso, quando sabe, ou devia saber, que Portugal e Espanha são os dois, actualmente, membros da União Europeia e que existe um excelente relacionamento, a todos os níveis, entre os dois países ?
E não será incoerente quem, como ela, arrasta às costas a responsabilidade de, enquanto ministra das Finanças no Governo de Durão Barroso, ter assinado um compromisso com Espanha visando a construção de quatro linhas, de TGV, e se recusa (recusará?) agora honrar o compromisso que assinou, mesmo se já não estão em causa quatro linhas, mas apenas duas?
A sua rigidez mental (só ela é detentora da "Verdade") e a sua desonestidade intelectual (o caso do TGV é um exemplo, mas há outros como a alegada "asfixia democrática" que, na boca dela, se vive no Continente, enquanto na Madeira, sob o regime opressivo de Alberto João Jardim, se vive, ainda segundo ela, na mais ampla liberdade, ou como o "abalozito de terra" expressão que ela usa para qualificar a maior crise económica que o mundo já viveu nos últimos oitenta anos) até assustam.
É claro que Manuela Ferreira Leite, venceu o debate com Sócrates: em matéria de hipocrisia não há político em exercício que a consiga bater.
E esta "política"("séria" ?) quer ser primeira-ministra de Portugal ? Zeus nos livre !
(Imagem daqui)

Sábado, 12 de Setembro de 2009

O milagre de S. Louçã

Transformar uma falsidade (a adjudicação da concessão de uma auto-estrada à Mota-Engil - afirmação de Francisco Louçã no debate com José Sócrates, já desmentida, sem margem para dúvidas) num ganho de 500 milhões de euros graças à intervenção de S. Louçã (afirmação de Louçã, depois do debate) é um milagre que ultrapassa, em muito, o de Santa Isabel (transformar pão em rosas).
Ainda não há iconografia do milagre, mas o Bloco pode já tratar da canonização !
(Imagem daqui)

Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

O dia de todas as sondagens (Marktest)

O dia de todas as sondagens e sondagens para todos os gostos...
(Mais informação aqui)

A estocada do telemóvel

Cada um é como é e Francisco Louçã e Paulo Portas são como são e isso ficou claro no debate entre ambos. Políticos inteligentes, sem dúvida: um mais agarotado (Portas) outro mais sisudo (Louçã), mas ambos agressivos. Francisco Louçã, no entanto, parece em baixo de forma. Ainda não recuperou do debate com Sócrates, ao que parece. E a terminar, Portas, de direita até à medula, sem dúvida, mas sempre matreiro, presenteou-o ainda, no final, com uma estocada: a do telemóvel.
Claro que não foi bonito, mas não usa Louçã, com frequência, dos mesmos expedientes?