
Não auguro grande futuro às propostas de revisão constitucional apresentadas pela direcção do PSD. E o mau augúrio pode muito bem ser extensivo ao próprio partido... Não estou a ver os Portugueses acorrendo em massa às urnas para votar no Partido que avança com aquelas propostas para os artigos 53.º (Segurança no emprego), 64.º, a) (gratuitidade tendencial do SNS) e 75.º (criação de rede de escolas públicas pelo Estado).
Os Portugueses têm uma ligação atávica, umbilical (muitas vezes, sob a forma de "dependência") ao Estado. Isso não será surpreendente: não se pode dizer que há, historicamente, uma macrocefalia do Estado português? Não houve, historicamente, um peso, (desejado umas vezes, realizado, outras) da Coroa, contrabalançando relações entre "classes"? Por outro lado, a nossa pobreza (em profundidade e em quantidade de gente) é suficientemente antiga e arreigada para ir gerando essa visão paternal do Estado - um Estado protector, que defende, que garante.
Também há por aqui (com séculos) uma certa desconfiança em relação ao Estado (essa entidade lá de Lisboa, que cobra impostos e impõe regras exóticas) - mas essa nossa desconfiança não é a dos anglo-saxónicos. Não causa grande aflição aos Portugueses que o Estado atravanque a "livre iniciativa" ou que vá sufocando a "liberdade". Os Portugueses preocupam-se bem mais que lhes tirem a sua "liberdadezinha" (para usar essa expressão tão deliciosa e certeira do Melchior de A Capital! perante um Artur Curvelo perplexo) do que lhes diminuam a "Liberdade".
Também há por aqui (com séculos) uma certa desconfiança em relação ao Estado (essa entidade lá de Lisboa, que cobra impostos e impõe regras exóticas) - mas essa nossa desconfiança não é a dos anglo-saxónicos. Não causa grande aflição aos Portugueses que o Estado atravanque a "livre iniciativa" ou que vá sufocando a "liberdade". Os Portugueses preocupam-se bem mais que lhes tirem a sua "liberdadezinha" (para usar essa expressão tão deliciosa e certeira do Melchior de A Capital! perante um Artur Curvelo perplexo) do que lhes diminuam a "Liberdade".
Para além de tudo isso, encontramo-nos na situação que sabemos(?). A percepção da necessidade de um Estado paternal, agora, será ainda mais funda que antes. E convém não esquecer que essa visão não é a das "classes baixas" apenas - é igualmente a da "classe média". (E temos nós, realmente, uma "classe média"?) É bem possível que, neste contexto tão propício, aquelas propostas venham dar novo fôlego a um José Sócrates moribundo. Ele pode muito bem despontar agora como o campeão do "estado social". A não ser que muita gente esteja tão farta da personagem, que prefira lançar-se nos braços de Jerónimo ou de Louçã. Depois, queixem-se.


2 comentários:
Claro que o "centro" (classe média?), aquele que oscila em cada eleição entre o PS e o PSD, dando vitória a um ou a outro, não vai seguramente simpatizar com as intenções de revisão constitucional de Passos Coelho.
Recusando-se a apontar soluções para ultrapassar a crise a que chegámos (afirma que só lá para o Programa Eleitoral, com obscuras alianças com o governo, sem apresentar alternativas, Passos Coelho mostra-se como um político vazio de idéias procurando protagononismo em autenticas manobras de diversão política.
Passos Coelho devia antes propor um novo nome para o PSD, pois que com ele nele a Social democracia não existe.
No momento em que os portugueses sofrem com o agravamento das suas condições sociais, no momento em que precisam de mais apoio social, é precisamente o momento escolhido pelo PSD para apresentar as suas intenções relativas à revisão constitucional, com cortes sociais na Saúde e Educação.
No momento em que existem mais de 600.000 desempregados e os trabalhadores se encontram numa situação fragilizada, é precisamente o momento escolhido pelo PSD para apresentar propostas no sentido de facilitar os despedimentos.
No momento em que a governação Sócrates dava mostras de desvario, desnorte e cansaço é precisamente o momento em que o PSD, com esta desastrada actuação, lhe dá novo fôlego e uma nova bandeira.
Maior burrice parece impossível!
Ora aqui está um comentário do Ruy que me faz vibrar, no bom sentido é claro. De facto, o PPC não parece ter muito tino e siso nesta questão,no que está bem acompanhado... Aqui há uns anos,quando realmente me interessava e era gratificante fazer politica,assisti inúmeras vezes a "golpes" desta natureza ou parecidos,protagonizados pelo PPC. na Assembleia Municipal da Amadora,onde o PPC era deputado municipal. Para quem acompanha com algum detalhe e algum conhecimento da matéria estas jogadas da trêta, a certa altura,reunindo personagens,factos passados e presentes,deixa de ligar ao assunto,sendo que este de alterar nesta altura do campeonato a CRP, é mesmo de Cabo de Polícia (in LEI E ORDEM - Justiça Penal,criminalidade e Policia,nos séculos XIX e XX) por Pedro Tavares de Almeida e Tiago Pires Marques. Não sei quem são (ou se calhar sei...) os "conselheiros do PPC,mas estão sem dúvida a prestar um muito mau serviço ao PSD,ao PPC e sobretudo ao Paìs. Mas lá diz o PPP (Poeta Popular Português): Quem te manda,a ti, sapateiro,tocar rabecão?
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