" para crescer o CDS/PP não pode nem deve ceder à tentação do poder, mas apenas estar aberto a negociar medidas concretas, sem perder de vista as promessas eleitorais, de contrário voltará aos tempos do táxi "; escreveu António de Almeida na caixa de comentários do Estado Sentido - ora a alusão a esta abertura, realista que ela é,parece-me muito distante daquele " sujar de mãos ", que tanto vaticinaram ontem, aqui mesmo na blogosfera, como nódoa inevitável. Manter-se fiel ao tal " caderno de encargos ", tentando influenciar sempre que possa um socialismo serôdio a que ainda estamos condenados, parece-me tarefa de aplaudir, desde que não haja desvios , em nome de fins inconfessáveis, até porque, como diz a Luísa, na mesma caixa, " Tem agora a hipótese de se tornar o líder da oposição de «direita» e de crescer muitíssimo, perante o saco de gatos que é o PSD ". Só podia ser, pois de contentamento a reacção à declaração do líder do mesmo CDS, na sequência, aliás, das declarações de Diogo Feio e Ribeiro e Castro, de que "Continuaremos a ser a melhor oposição ao governo socialista", disse, mas uma "oposição firme e responsável, que tem como único critério de avaliação o programa que foi sufragado e a fidelidade ao nosso caderno encargos". O caminho de actuação ficou traçado: "proporemos todas e cada medida nosso programa, e avaliaremos a resposta dos outros. Quanto às propostas dos outros, avaliaremos em função do nosso caderno encargos". Antes, já Portas tinha avisado que a "arrogância" de Sócrates "terá de dar lugar ao espírito de compromisso e à cultura de negociação" tudo em prol de que " em Portugal haja, como em toda a Europa, um grande partido não-socialista, directo, frontal e corajoso".
* Ler Ricardo Arroja, no Portugal Contemporâneo
Após os acontecimentos desencadeados por ACS, já repararam na secura de tinta nos blogs da 4ª república? Até quando continuarão a seguir o exemplo do "grande homem", permanecendo quedos e mudos? Ou serão dores de cabeça?
Quando entenderem que o problema não reside neste ou naquele fulano, mas sim na instituição por ele encarnada, talvez chegarão a conclusões acertadas. Gente que passou toda a vida a conspirar, tramar e desfazer alianças políticas e económicas em proveito próprio, jamais resiste à tentação da fatal picada do escorpião. É a sua razão de ser e de estar neste mundo.
Estou fora de Lisboa, em trabalho, agora que se iniciam duas semanas loucas e com pouco tempo disponível para vir aqui. Não podia, no entanto, deixar de expressar o meu regozijo com o resultado alcançado pelo CDS/PP. O partido que muitos gostavam de ver desaparecer, tem vindo a crescer sustentadamente, e a pouco e pouco tem criado uma identidade própria, como me dizia a Silvia por telefone ainda há momentos. Por outro lado, o PSD lá continua com a sua crise, e vamos ver quanto tempo demora a oposição interna a manifestar-se. Entretanto, o CDS vai ganhando espaço aos sociais-democratas. De resto, noto com agrado que ainda não é desta (e espero que nunca venha a acontecer) que o Bloco vai para o governo, e a CDU foi relegada para quinta força política. Bom, a não ser que Sócrates se coligue com Louçã e Jerónimo, o que me parece altamente improvável. Por último, quanto à governabilidade do país, não se augura nada de bom. Quaisquer cenários que se possam conjecturar são pura especulação. Vamos aguardar para ver o que nos reservam os próximos dias.
Não deve valer a pena, pois nada deves ter para dizer. Como habitualmente.
O Grande Inquisidor deve estar varado de estupor. Ficou em quarto lugar, coisa que significa apenas isto:
1. Não pode chantagear o 1º ministro.
2. As mesas onde se contabilizaram os votos jovens, colocam o CDS com 20%.
3. São para já o 4º partido, com MENOS 5 deputados que o odiado rival do Largo do Caldas. Para qualquer efeito prático, o da aritmética parlamentar, o BE vale zero!
Hoje venceu um dos Portas. O júnior.
quem votou CDS, é o que esperamos. Estas declarações de Diogo Feio, e, também, de Ribeiro e Castro são música para os seus eleitores. Que assim seja, conscientes de que não aguentamos que entrem por caminhos sinuosos.
PS – 38 a 39
PSD – 29 a 31
BE – 9 a 12
CDS – 8 a 10
CDU – 7 a 9
obtida no Aventar
Também nós precisamos muito de separar as águas. E o tempo a lutar contra nós.
Como diz o Pedro, " Nós europeus continuamos a dizer não ao socialismo ".
São 18.40h de Domingo e estamos a escassos minutos do encerramento das urnas. De toda esta campanha eleitoral, apenas há a reter um facto político e institucional que se torna incontornável: a tomada de posição do sr. Cavaco Silva.
O que o residente de Belém fez esta semana ao seu Partido, demonstra bem o arreigado espírito de escondida empáfia que desde sempre regeu todos os seus actos. Desde a famosa e alegadamente inocente "rodagem do automóvel" numa viagem que o consagraria como presidente do PSD, tudo aquilo que disse, planeou e realizou, deveu-se única e exclusivamente a uma ambição desmedida e disfarçada por silêncios comprometedores, total ausência de um projecto dedicado ao país que lhe deu a proeminência desejada. Sendo uma espécie de buraco negro que faz colpasar toda a matéria atraída à sua órbita, tem sido o principal responsável de um imenso rol de desastres que transformou o Partido naquilo que hoje é, um corpo amorfo, decadente e esvaziado de qualquer tipo de energia. Deixou S. Bento, para logo se referir ao PSD como ..."esse Partido", após o que teve a ousadia de se apoiar na sua estrutura para tentar conquistar Belém. Ao longo dos anos manteve-se numa aparente mudez, enquanto algumas direcções social-democratas iam sendo destruídas, quais bonecos de cera atirados à fogueira por um feiticeiro de sombrios sortilégios ou de vudú. Em proveito próprio, cunhou a "má moeda" que depois denunciou como falsa ou sem préstimo. Diz-se que odeia de morte quem ao longo de anos denunciou aquilo que é normal numa democracia consolidada: escândalos, compadrios, ilegalidades em catadupa e todos os excessos de um poder que já enlanguescia e por isso mesmo se tornava mais agressivo.
Esta semana, o homem que jamais terá ouvido falar de Maquiavel, tornou-se no "príncipe" que é precisamente o oposto do conceito que impõe a velha e sempre desejável máxima "nós somos livres e o nosso rei é livre".
O resultado das eleições é ainda uma incógnita e por isso mesmo torna-se lícito colocar o problema na evidência que bem merece. Como pode a direita confiar neste homem de um egoísmo e capacidade de reserva mental tamanha?
No dia em que Vasco Pulido Valente alerta para o facto de ..."os cem anos de república (que se comemoram a 5 de Outubro) são também os cem anos do fim da monarquia", há que dizer abertamente que se vivêssemos numa sociedade democraticamente normal, esta noite os partidos da direita declarar-se-iam a favoráveis à instauração da Monarquia. Depois, logo se via.
" Es que no lo creyo " e " nuestros hermanos de ' El Pais ' tanpoco ":" ...até em Espanha o jornal "El Pais" não teve a mínima dúvida em noticiar que Cavaco Silva interferiu nas eleições, prejudicou o PSD e favoreceu o PS ", acrescenta José Maria Martins
* A ler no Palavrossavrvs Rex O Silêncio Obstetra de Cavaco
e não estou muito convicta que tal aconteça agora - mais um tempo de deserto, talvez, oxalá!, com alguns oásis à vista - , receio que seja assim.
http://josemariamartins.blogspot.com/20
A propósito do post do Miguel, aqui estão as elucidativas imagens do irmão de Manuela ferreira Leite e bisneto do Presidente do Conselho de Ministro do Rei D. Carlos.
Não faço a mínima ideia do cardápio escolhido para o repasto antes deste programa televisivo "de interesse público", mas posso imaginar:
Entrada: presunto pata negra e salmão fumado
Sopa: caldo verde
Prato de peixe. caldeirada à portuguesa
Prato de carne: carne assada com espargos
Sobremesa: manga fatiada
Com tantos alimentos fibrosos e cheios de filamentos, do que estávamos à espera? O Dias Ferreira tinha obrigatoriamente de palitar os dentes e em público! Apenas uma nota: o cameraman não nos deu um grande plano dos dedos, porque até aposto que os mindinhos ostentam perigosas e afiladas unhas, bem próprias para sacar cera do canal auditivo.
o amor que os inflamava, Francesca e o seu cunhado Paolo, lêem o romance entre Lancelot, o primeiro dos cavaleiros da Távola Redonda, na corte do rei Artur, e a futura rainha, Guiniviere, são surpreendidos pelo marido daquela, e irmão deste, Giovanni.
Razão pela qual Dante os irá situar no Inferno da sua « Divina Comédia » como " pecadores adúlteros ".

é, na verdade, o elogio que põe qualquer mulher " na lua "; não admira, pois, que ao ouvi-lo de Melvin ( Jack Nicholson ), Carol ( Helen Hunt ) tenha sentido a sua estrutura abanar.
Depois de um dia passado ao ar livre, entre Valença do Minho e as Rias de Vigo, chego a casa e ligo a televisão nesse exacto momento. Vejo o filme até ao fim, mas fico com vontade de o rever todo. Porque, afinal, Melhor é Impossível.
O essencial requisito que Manuela Ferreira Leite não cumpre
Depois, Manuela tem três grandes defeitos. É mulher, é uma senhora e não pode ser fotografada em discotecas e na praia. Os portugueses, secretamente, continuam a fazer seperação diática. Uma mulher pode ser responsável, mas o chefe tem de ser homem. É uma senhora e aqueles que não são nem senhores nem senhoras vêem-na como a patroa. No tempo do igualitarismo, para se ser mulher, tem de se usar saia-saco e ter aquela queixada que não lembra a "outra senhora". Vivemos no tempo das queixadas e das figuras bruegelianas, mesmo que a saia-saco exiba o Armani. Finalmente, como não é uma Rute Marlene ou uma Tânia Vanessa, não se deixa ver, não partilha intimidade, não sabe falar de futebol. É uma desgraça.
só para ter o prazer de a ouvir, ao vivo, todos os dias. Era pequena, fiquei impressionada.
Outra versão de uma canção eterna, muito ligada à Estação preferida, e com aquele q. b. de melancolia que não é só nossa...
" Ao fim de 35 anos de votos "úteis", Portugal tem a sua Economia completamente de rastos e, pior, com previsões de agravamento da situação ainda em algumas áreas (como o emprego, p.ex.) e de uma recuperação global muitíssimo lenta e difícil. Não será altura de os portugueses começarem a votar de outro modo? "
A resposta a este apelo. Patético, porque então poderemos perguntar: porque é que não fizeram uma oposição útil?
Desabafo do dono do café
"Isto das escutas é uma vergonha. E o Presidente não tem mão nem sabe resolver o caso. É por isso, minha senhora, que já não me digo republicano, agora até me sinto monárquico. Se houvesse Rei, estas tricas políticas podiam lá acontecer!"

o « Grande Mês » de que me falava Odette de Saint Maurice, e o mês a que me acostumei viver na infância e na adolescência.
Mas como quase sempre, não há bela sem senão; acabo de saborear o último pêssego da temporada - até ao Junho próximo, só se for de estufa, plástico, portanto... Acabou a fruta de Verão; colher um abrunho ou um figo da árvore...Só em doce, se nos dedicámos à feitura das aconchegantes compotas...
O Dr. António Costa participou uma vez mais na banca da Quadratura do Círculo, discussão de uma formal informalidade que dá tempo extra de antena a alguns dos partidos parlamentares.
Comentando o caso das escutas que não se sabe ainda se existiram ou foram inventadas, o dr. Costa prestou uma ..."homenagem ao jornalista desconhecido... que trouxe ao conhecimento público o nome do assessor do imparcial senhor que reside em Belém. Monarquismos à parte, todos hoje reconhecem - cavaquistas e seus opositores - que o chefe do Estado republicano é um homem de partido, tal como o foram os seus antecessores. Nada de novo. Cai assim por terra a fábula que invoca "todos os portugueses".
O que se torna caricato, é o constante recurso a certas figuras de estilo - digamos assim -, para ilustrar dramaticamente uma situação que antes de tudo, é complexa, contraditória e pouco edificante para a apregoada credibilidade do jornalismo. De facto, noutros tempos existia um nome para esse tipo de delação: bufo.
O Dr. António Costa usou o termo "desconhecido", sem pesar bem o que o arroto da posta de pescada quer verdadeiramente dizer. Soldados desconhecidos, foram muitas dezenas ou centenas de milhar de pobres diabos alemães, franceses, russos, austro-húngaros, romenos, ingleses, sérvios, italianos e de tantas outras nacionalidades, que caíram vítimas da chacina que foi a I Guerra Mundial.
Portugal, pela cupidez, prepotência e criminosa irresponsabilidade de outro Costa, também enviou os serranos para a carnificina na Flandres. Mal vestidos e calçados, transidos de frio e febre, lá vegetaram nas imundas trincheiras durante perto de dois anos, até acabarem ingloriamente trucidados pela ofensiva alemã de Abril de 1918.
Gente que foi atacada e esmagada por milhões de obuses, após tentativa de asfixia - como esta palavra regressou agora em força! -, ficou reduzida a despojos irreconhecíveis espalhados pelo terreno, servindo de pantagruélico repasto para as ratazanas, as oportunistas de sempre.
Má comparação, Dr. António Costa. Péssima comparação, para não dizer mais.
maduras que estão as uvas, entre parras que vão do verde, ainda, ao amarelo e vermelho, que o Outono está deslumbrante, e esplendorosas as cores que vai plantando.
Amanhã, depois de sairem das fábricas, os homens vão começar a soltar o grito de " torna ", sinal para que as mulheres despejem os cestos cheios nos tractores, que hão-de levar os cachos assim colhidos aos lagares domésticos ou do vizinho que foram ajudar. Para a semana, trocam de posição, e os que vão amanhã ajudar passam a ser os ajudados, naquele espírito de entreajuda, que implica como única paga as refeições durante o fim-de-semana, o tempo que normalmente dura a vindima.
E, inevitavelmente, vêm à memória os dias depois, em que, na infância -porque o processo de espremer o sumo é outro já - entrávamos no lagar de granito, lavados os pés em baldes com água bem quente, para pisar os bagos brancos ou negros. A festa começava então, com cantorias, ao som do sempre presente cavaquinho.
Sala (pintura de Tomás Colaço)
A elite tem de mostrar força, tem de amedrontar e simular omipresença para impedir que outros lhe tomem o lugar. Assim, estratifica-se internamente a elite política em elite governamental, elite local e favorecidos. O dinheiro, as possibilidades de ascensão e apossamento de lugares a todos premeia de forma diferenciada, mas é melhor fazer parte da elite que não o fazer. A elite é reduzida. Em regimes ditatoriais, é muito pequena, mesmo que se mascare por detrás de um mar multitudinário. Nestes regimes, aqueles que estão com o poder não correm riscos: a polícia não os prende, os tribunais não os punem. Contudo, salvo em casos extremos, estas ditaduras impõem uma regra de moralidade em tudo que ao Estado e seus servidores respeita. Nas ditaduras, roubar o Estado é um crime e mesmo o mais alto escalão inibe-se de dar largas à veia cleptomaníaca com medo de ser afastado do poder.
Leia mais A Q U I
é a única coisa que se me oferece dizer, ao ler isto.....
Quem fracassou mais do que este partido, a quem, incompreensivelmente - por mais que se tente entender - os eleitores se preparam para pôr novamente no governo? Delírio colectivo?
A febre chegou, e o resto ( ? ) de vergonha que pudesse haver, ainda, evaporou-se definitivamente.
a Patti, encontramos coisas boas que não procuramos: neste caso foi alguém com quem interagia frequentemente, sempre em clima de boa disposição: com um comentador Anónimo do Corta-fitas. Como gostei de o reencontrar!
Coisa boas que, às vezes, nos acontecem...
um dos blogues em que vale a pena " ficar de olho " * ( amanhã - ou depois - acrescento outros ) vejo o Porto da Liberdade:
" Uma Ideia Quase Municipalista
Como convictos municipalistas acreditamos que a melhor governação resultará de um auto-governo onde todos, de algum modo, participarão directamente da gestão das coisas comuns. Onde os interesses de todos, mas também os de cada um, sejam olhados com a mesma objectividade e onde impere o consenso na busca das soluções e nunca a ilusória maioria dos votos. Constantemente nos interrogamos como atingir tal desiderato. Não falta quem advogue a complexidade da ideia e a sua inexequibilidade. Sobretudo num sistema como o existente, de democracia representativa, onde o voto – mesmo que de uma minoria – ganha foros de única verdade. Um pequeno artigo de opinião, subscrito pelo professor universitário António Cândido de Oliveira e publicado no jornal “Público” de 26 do pretérito mês de Agosto, abriu-nos um caminho. Não é, ainda, municipalismo, muito longe disso. Mas é, digamos assim, um pouco dele, e perfeitamente exequível no âmbito deste sistema representativo. Capaz, apesar de tudo e por muito pouco que seja, de contrariar o caciquismo e a prepotência e de estancar ou, pelo menos, de diminuir a corrupção que grassa no poder local. Facilmente se reconheceriam, então, os pequenos ditadores de campanário e, quem sabe, não contribuiria até para evitar estas vergonhosas e sucessivas recandidaturas dos mesmos de sempre, incapazes de se desapegarem do poder. Propõe o autor do artigo que as Assembleias Municipais – e também, nada o impede, as de Freguesia – passem a reunir, não apenas as vezes que a Lei determina (5 vezes por ano, as Municipais e 4 as de Freguesia) mas algumas mais vezes. Pela nossa parte proporíamos, pelo menos, uma reunião mensal – digamos antes e em termos práticos eliminando Agosto, 11 vezes por ano - em sessão convocada pelo respectivo presidente, que tem poderes para isso, aberta à população, tendo em vista o debate dos variados assuntos de carácter local. O autor entra em pormenores que me parece desnecessário transcrever, mas que têm um interessantíssimo sentido prático. Quando, noutro lugar, defendemos que as populações saberiam, com maior ou menor dificuldade, encontrar um processo de colocar em campo a filosofia municipalista, não nos enganámos, como se vê. Muitas mais ideias surgirão, estamos certos, sempre no sentido da democracia directa, a real e verdadeira democracia."
Obrigada por nos ter assim premiado, António.
Tem dentes de ouro? Se a resposta for afirmativa, é melhor agendar uma visita ao seu dentista, para os arrancar e enterrar no fundo do quintal. Isto, dependendo dos resultados eleitorais de Domingo, claro...
" As eleições mais deprimentes de sempre.
A campanha eleitoral não o tem sido, em larga medida. Não se tenta convencer ninguém: luta-se pelo poder. Numa batalha de lama, PS e PSD comportam-se como duas prostitutas velhas à bulha pela posse de uma esquina onde já ninguém pára. O CDS tem o mérito de ter colocado as PMEs na agenda e de ser o único partido com preocupações com a agricultura; mas não chega ao ponto de propor medidas concretas neste sector para além de dar os subsídios em falta. O BE, que dantes se proclamava a ovelha negra da política portuguesa, o anti-partido contra o sistema, apresenta-se hoje como uma alternativa de coligação para um governo do sistema, apesar das embaraçosas burrices que incluiu no seu programa. O PCP afunda-se no seu ridículo. Dos ditos pequenos partidos, destaca-se o MEP, com um cocktail de propostas sociais-democratas há muito conhecidas dos discursos do PS, PSD e CDS, sendo a maioria dos restantes pequenos partidos uns meros grupos de pessoas a brincarem aos partidos. Das questões que afectarão o país, não só nos próximos 4 anos, mas nas próximas décadas, nada. Nada sobre um projecto nacional, que não o de um quintal de partidos políticos, um mercado reduzido a um feudo do Estado e a uma coutada de grupos económicos, e de um território onde a lei e a ordem são cada vez mais precárias. É catastrófico que nas eleições gerais num país onde o Estado está em tudo e em todo o lado, o debate seja sobre coisa nenhuma. É o caminho da escravatura, ainda que encapotada. Esta semana, na apresentação do seu novo livro "A Circunstância do Estado Exíguo", o Prof. Adriano Moreira abriu mais uma vez os olhos de todos para o que será a condição de Portugal num futuro próximo - resta saber se não é já a presente. Com a lucidez e o realismo que o tornam numa das grandes figura do Portugal contemporâneo, foi referindo os factos que nos estão a condenar a sermos um país falhado: irrealismo das opções de política externa e comercial, inacessibilidade das elites ao poder, acolhimento irresponsável de imigração desregrada, abandono do espaço rural e do mar, desbaratamento do poder cultural e - no que somos acompanhados por todo o Ocidente - a perda de valores e consequente empobrecimento cultural. O público presente no auditório do IDN aplaudiu de pé, consciente de que ouvira um discurso de alcance histórico. Mas serão poucos, dos que ali estavam, que ousarão ter as mesmas opiniões cá fora. Concorda-se mas ninguém se quer queimar repetindo ideias politicamente incorrectas. Cá fora, não convém contrariar o sistema e tentar interromper o processo. O caminho para deixarmos de ser um país e tornarmo-nos numa mole de acéfalos falidos e impotentes fica aberto e pavimentado pelas conveniências ".
Toda esta histeria pré-coligatória mesmo antes de conhecidos os resultados das próximas eleições de Domingo, trazem-nos à memória um outro arranjo pós-eleitoral que através do marechal Hindemburgo, levou à entrada do Partido Nacional Popular Alemão de Huggenberg, no governo do NSDAP de Adolfo Hitler. Não tendo obtido a maioria dos assentos no Reichstag, Hitler necessitava de um acordo que simultaneamente lhe facultasse a atribuição da chancelaria e a aquiescência do sempre desconfiado presidente do Reich. Sabemos como evoluiu e terminou este episódio.
Os derradeiros dias de campanha, parecem querer forçar a uma antecipada conclusão das próprias eleições, decretando-se a "morte" de propostas alheias e a inevitabilidade do sucesso das forças radicais. Fala-se agora de Louçã no poder e o chefe do BE, desde já vai colocando na mesa as suas já antigas sugestões que soam a exigências. Se conseguir o que pretende, podemos imaginar um cenário tão provável quanto possível:
- Aberta hostilidade à NATO, o que deteriorará perigosamente as nossas relações com os EUA, com nefastas consequências nos arquipélagos dos Açores e da Madeira.
- Adopção de medidas de ataque à propriedade privada, conduzindo à retaliação interna e por parte da UE.
- Maciça fuga de capitais nacionais e estrangeiros.
- Falência generalizada de empresas.
- Total ausência de investimento externo.
- Radicalização do controle dos meios de comunicação social, com os consequentes saneamentos, filtragem da informação e coacção sobre os jornalistas e empresas proprietárias.
- Insegurança quanto ao direito á propriedade, num país de pequenos proprietários.
- Acções unilaterais de ocupação de empresas, casas e terras.
- Aumento da tensão das relações de Portugal com o antigo ultramar, - os PALOP -, nomeadamente com Angola, onde os empresários portugueses investiram fortemente.
- Aproximação de regimes considerados como marginais na comunidade internacional, assim como a presença em Portugal, de organizações políticas pouco consentâneas com o direito internacional.
- Desautorização das Forças Armadas e das polícias. Numa segunda fase, adequação da polícia à política do governo.
Estes são apenas alguns pontos a considerar pelo Partido Socialista que se sair vencedor no dia 27, terá de proceder a uma cuidadosa análise das soluções para um governo estável e de relativa confiança interna e externa. No entanto, a decisão dos portugueses ainda poderá consistir numa inesperada surpresa.
Estará Portugal preparado para uma nova espécie de totalitarismo, tão lúgubre como arcaico?
Uma sugestão para o SEF e para quem o tutela. Há que saber quem merece e deve ser ajudado na tarefa de cumprir Portugal. Os exemplos podem vir de longe, mas servem! O mundo não se limita ao futebol e aos atletas de excepção.
Parabéns ao António de Almeida. Ao contrário do que abaixo disse, muita gente - e boa - faz anos no segundo dia de Outono :)
Finalmente, uma boa notícia. A minha amiga Helena Cunha Lopes, responsável pelas colecções de escultura, gravura e fotografia do museu da Cidade de Lisboa, informou-me (ver foto) acerca do restauro e exposição da outrora bastante maltratada estátua de Eça de Queirós, "A Verdade", hoje substituída por uma réplica em bronze, no Largo Barão de Quintela (ao Chiado).
No próximo Domingo, após votarem por um Portugal mais limpo, ordenado e alternativo, sugiro uma visita a este Museu e logo depois, um bem gozado e derradeiro dia de praia no início deste Outono.
depois de no jantar terem sido expostos cenários de um futuro negro, em que ninguém tem ilusões sobre a politização do " povo contentinho ", que se queixa do mau governo que tem, como mostra à saciedade este post, mas que as sondagens ( eu sei que elas erram, mas...) elevam ao governo do contentamento de tantos sondados ( como?!? ), e só a leitura deste artigo me faz renascer a esperança no discernimento da outra parte de portugueses: Esta é a hora de reforçar a nossa força política. Sem vacilar, e contra as sondagens.

Daquele post, aqui fica a maior parte do discurso que hoje proferi a convite do Senhor Reitor da Universidade Técnica de Lisboa, na cerimónia de entrega das Bolsas por Mérito:
Mas hoje estamos aqui por um motivo objectivo: o nosso mérito. Estamos aqui porque no ano lectivo de 2007/2008, fomos os melhores estudantes de cada uma das faculdades que compõem a Universidade Técnica de Lisboa. Merecemos esta recompensa pelo esforço que desenvolvemos, porque cumpre um nobre ideal meritocrático, prosseguindo na senda do que deve ser um ensino superior de qualidade e elitista. Elitista não no sentido de ser apenas para os que têm maiores possibilidades financeiras, muito pelo contrário. Deve sim, ser elitista no sentido de criar uma elite culta, informada, estudiosa, que se dedique à academia, pelo menos durante uma pequena parte da sua vida.
A questão é que o ensino superior tem vindo a tornar-se, de certa forma, elitista no mau sentido, tornando-se cada vez mais plutocrático, quando deveria ser aristocrático. Relembro que em grego, aristos significa “os melhores”, e são esses que o ensino superior deve premiar e recompensar, obviamente em equilíbrio com o paradigma da igualdade nas oportunidades de acesso ao ensino superior. Porque todos devem também ter acesso ao ensino superior. Mas não se pode continuar a nivelar por baixo. Os aristos têm de ser melhor aproveitados pelas universidades e pelo país, quando se verifica uma crescente generalização da falta de exigência e quando muitos dos quadros mais qualificados acabam por emigrar. E para tal têm que ser criados mecanismos que permitam esse aproveitamento, por exemplo através de sistemas de tutoria e monitoria, incentivando a investigação e através de recompensas como a que hoje recebemos, levando os melhores a envolver-se ainda mais na vida da academia, cumprindo e contribuindo para os objectivos da Universidade, que em primeira instância devem ser a educação rigorosa, a investigação, a criação de saber novo, e a preparação de indivíduos que a continuem no mesmo nível, como há dias escrevia um professor do ISCSP num conhecido jornal.
A educação é a base do desenvolvimento e progresso de uma sociedade, dum país, duma nação. Já Sir Karl Popper ensinava que um dos objectivos primeiros de uma sociedade aberta, livre e democrática, é melhorar o nível da educação. Foi sempre este o objectivo principal da Universidade, e foi assim que assistimos ao longo dos séculos a magníficas evoluções tecnológicas, a um melhor conhecimento da realidade que nos rodeia, em última análise provendo e aumentando a qualidade de vida das populações.
Arquitectos, Engenheiros, Veterinários, Doutores, Economistas, Gestores, Professores, enfim, todos os que aqui se encontram, têm o dever de restituir à sociedade e ao país aquilo de que beneficiam e que também ajudam a criar e inovar: o conhecimento. Num momento em que muito se fala da crise internacional, convém lembrar a crise que já grassava em Portugal antes desta. Para que possamos sair de ambas as crises com sucesso, é necessário que aqueles que são os melhores nas suas áreas de formação contribuam activamente para a edificação de um país mais próspero. São estes que têm o dever de evitar que Portugal se torne plenamente um “estado exíguo”, na expressão cunhada pelo Professor Adriano Moreira, um dos maiores vultos do país e da nossa Universidade.
Neste sentido, a Universidade Técnica de Lisboa tem prestado um inestimável contributo com o seu saber e sentido de serviço público, tendo ao longo dos anos formado muitos dos que foram o passado, são o presente, e serão o futuro do país. E este é o ensinamento mais precioso que levo destes anos e do espírito de escola que me foi incutido. É isso que, para terminar esta intervenção, gostava de aqui partilhar convosco. Não devemos confundir serviço público com funcionalismo público. Muitas empresas, entidades privadas e ONG’s prestam um inestimável serviço público ao país. E é esse espírito que deve perpassar as nossas acções no futuro. Dar à sociedade o privilégio de que usufruímos ao contactar de perto com o conhecimento. Servir o país, para que possamos criar melhores condições de vida para todos.
Muito Obrigado
De saída para um jantarinho " melhorado ", e após uma sesta tardia, que atrasou os planos de escalpelar as notícias, certamente cinzentas, neste dia de Outono dourado, o tempo suficiente apenas para ler uma vez mais o desastre que será , neste momento crítico, a teimosia de levar em frente o projecto do TGV.
Não que ele não seja uma " mais valia ", mas agora? Olhe que não estamos a viver no melhor dos mundos, senhor Engenheiro. Surpresa?
1) O mérito a quem de seu:
The Portuguese Socialist Party, first winner of the PACE Gender Equality Prize.
Creio que, internamente, o que há a premiar é o ambiente favorável que foi criado na colocação das questões da igualdade de género, o aproximar do lobby ao poder institucional. Jorge Lacão esteve sempre presente. O resultado na Lei da Paridade foi uma vitória, apesar de haver outras áreas onde o avanço foi pouco ou nenhum (nas questões LGBT, por exemplo), e outras até mesmo um retrocesso. No entanto, no contexto Europeu, com a campanha Europeia 50/50, a componente política da Igualdade de Género pesou mais. É compreensível.
2) Resposta adiada, desde já com muitas desculpas, seguiu por comentário, dada a extemporaneidade da questão. O Verão foi passado de roda do Relatório de Estágio, uma ou outra actividade, e as viagens do costume (Lx-Mgl e vice-versa) pelo que não houve tempo para mais nada.
3) Um sentido agradecimento às/aos comentadoras/es dos posts do Samuel e do João, e também a estes, pela referência. Foram quatro anos atribulados, sempre entre Mangualde e Lisboa (Trieste entra em cena no último ano). O que mais guardo destes anos de Licenciatura são as viagens constantes no Intercidades verdinho, de Mangualde para Lisboa, de Lisboa para Mangualde, e a incerteza de dizer quando estava a chegar e quando estava a partir. A incerteza mantém-se... a identidade também: é hoje múltipla e ainda bem.
Poucos terão acreditado no total desconhecimento de Cavaco Silva acerca das alegadas - talvez existentes - escutas em Belém. Se o inábil presidente de nada soube quanto ás manobras do seu assessor - que é pago pelos contribuintes e eleva a fasquia da representação do Estado para mais de 17 milhões/ano -, acabou por ser conivente numa situação absolutamente escabrosa, encobrindo a efabulação até ao impossível. Há que dizer sem qualquer tipo de rebuços, que o presidente foi apanhado em flagrante, acabando por prejudicar o seu Partido. Já há alguns meses, quando não soube ou não conseguiu gerir o "caso Dias Loureiro", provou urbi et orbi a sua inacreditável impreparação para um cargo que no essencial, devia eximir o seu titular de todo e qualquer envolvimento na luta partidária.
Os republicanos, esmagados pelo mito messiânico de um jamais reconhecido sonho de recorte bonapartista, insistem no erro da demanda do "grande homem" e atribuem aos sucessivos residentes de Belém, atribuições que o arrastam para a arena onde age a plutocracia, resguardada pela armadura das organizações partidárias. Sabemos como tudo terminará.
Programa para Sábado, no CCB, entre as 9:30 e as 18:30.
Mais informações e inscrições em: http://demulherparamulher.redejovensigua
Ainda não estão online os clips do excelente programa de hoje, de onde se recomenda aquele em que demonstram uma certa incoerência de Alberto João Jardim em relação ao Presidente da República, Cavaco Silva. Mas os Gato Fedorento estão novamente em grande, parecendo ter reencontrado aquilo que os tornou tão célebres. Têm feito um especial uso, em particular, daquela técnica incomodativa que os jornalistas abandonaram nos últimos anos, mostrar declarações de uma dada personalidade numa dada altura, contradizendo aquilo que o mesmo diz noutra altura. Bom, entretanto, aqui fica a fulgurante entrada de Groucho Marx na campanha eleitoral do PS:
uma por cada ano daquela que, além de ser " a " mãe, continua a ser a abelha-mestra de uma daquelas PME tão maltratadas pelo Estado.
Uma mulher que humanizou o ambiente de trabalho de forma a que muitos dos trabalhadores a considerem a segunda mãe; muitos são aqueles que ela não esquece nunca nos respectivos aniversários, e eles não a esquecem também: amanhã (hoje ) vai ser inundada de flores por esses trabalhadores. É essa uma das razões porque " fervo " quando oiço falar no " monopólio do humanismo esquerdista "...
Parabéns mãe!
em que cada uma possa decidir do seu futuro, sem ditaduras de Bruxelas.

" Lisboa, parece, continua a "tremer" na Irlanda... Não nos referimos, felizmente, a qualquer tremor de terra ou terramoto, apenas às intenções dos irlandeses (esse povo, em nome da "democracia", obrigado a votar tantas as vezes quantas as necessárias ao voto "correcto") para o referendo de dia 2 de Outubro. Apesar da lavagem cerebral, e chantagem político-financeira, o campo do 'sim' está em queda. Antes assim. Confiemos aos irlandeses o derrube do mostro que, pelas piores razões, alardeia o nome de Lisboa nesta Europa de federastas."
Nesta altura, os DOIS líderes ( e as outras pessoas que os rodeiam, como MRS ) deviam concentrar esforços para que o PSD e CDS tivessem, juntos, o melhor resultado; porque apesar das notórias diferenças entre os dois partidos, neste momento é o que mais diferente temos do partido que nos está a afundar. Enquanto não houver melhor...
A B A I X O
A
REPÚBLICA !
Os acontecimentos das últimas horas, confirmam aquilo que dizemos há anos. A república não serve os interesses dos portugueses e urge a sua rápida e pacífica substituição, mostrando ao povo sem qualquer tipo de equívocos, a abertura de um novo capítulo na nossa história. Temos uma oportunidade única para uma Segunda Regeneração.
Não sabemos se Cavaco sabia desta lamentável estorieta na qual o país inteiro quis acreditar. Se sabia, fez mal em não se ter demarcado do "assessor habilidoso". Se não sabia, afinal não passa aos olhos de dez milhões de portugueses, de um mero joguete nas mãos de interesses bem identificados. Se participou na construção de um caso de contornos partidários, abusou das prerrogativas, usou da reserva mental e liquidou o escasso capital de confiança que a sua magistratura ainda consegue aos olhos dos mais distraídos. Se assim foi, nisto dou total razão ao oportuno ataque do sr. Louçã.
Tudo isto é uma vergonha susceptível de finalmente tornar patente à nação inteira, o estertor de um sistema indigno de um país da grande História, como é Portugal. Basta de república! Basta!
Estando praticamente confirmada a improbabilidade de uma maioria parlamentar que garanta a estabilidade do próximo governo, a recusa dos dois principais partidos em formar o bloco central, parece conduzir a eleições antecipadas, num horizonte não muito longínquo. Para dificultar a situação, Belém já se encontra envolvida - voluntária ou involuntariamente - na questão político-partidária e não parece que os próximos tempos sejam muito favoráveis ao exercício daquele que deveria ser um verdadeiro poder moderador.
A decadência do actual esquema partidário, pode propiciar um reordenamento de forças à esquerda e á direita, nem sequer nos surpreendendo a criação de um maior partido da direita (PSD+CDS e outros mais pequenos) e à esquerda, com um PS que à semelhança do passado (quanto absorveu o MES e a UEDS), poderá destacar-se nitidamente do actual PSD que tem procurado imitar, ao ponto de ter esvaziado a necessária oposição. A incógnita consistirá na resistência que as actuais estruturas que controlam os partidos apresentarão a uma reformulação que implica a cedência de posições.
A alternativa será o inevitável crescimento das organizações mais radicais. Estará o país preparado para esta possibilidade?
Miguel Castelo-Branco, in Combustões:
Há anos que a expressão anda no ar como um miasma. O "capitalismo selvagem" pegou. Repetem-na à exaustão todos quantos gostam da fartura da economia de mercado, sobretudo das bandas da socialite capitalista de subsidiação, ou seja, daqueles que não têm coragem nem engenho para abrir um café, mas sentem atracção quase vergonhosa pelos dinheiros públicos. Porém, se há flores do mal no capitalismo, o socialismo, todo o socialismo, vive marcado pelo pecado original do furto. Nisto, o socialismo, é selvagem por antonomásia: roubar aos ricos, pauperizar e proletarizar os remediados, fingir magnanimidade pelos pobres. Se há regime económico selvagem é o socialismo. Restaura, implacável e irremediavelmente, o regresso è economia primitiva, onde comer era a prioridade.

No “Prós e Contras” da semana que passou digladiaram-se os pequenos partidos candidatos às eleições legislativas. Entre muita ideia de algumas mentes completamente alienadas e alheadas da realidade que as rodeia, um dos temas em cima da mesa acabou por ser a questão da sustentabilidade da segurança social, especialmente relacionado com o decréscimo em termos demográficos que assola a Europa e o nosso país.
Aproveito, por isso, para colocar “no papel” um raciocínio que já me vem atormentando há algum tempo. Desde já um aviso: os meus conhecimentos de economia são parcos, por isso alerto a quem esteja bem mais dentro da matéria para que corrija os erros em que decerto incorrerei, até porque os valores serão apenas ideais, teóricos e, portanto, o raciocínio será bastante grosseiro.
O raciocínio é muito simples. Consideremos para efeitos de hipótese meramente académica a máquina estatal portuguesa. Uma administração pública com funcionários e instituições em excesso, muitas destas com funções sobrepostas e em que os vasos comunicantes são poucos ou nenhuns. Uma pesada máquina burocrática que consome metade da riqueza gerada no país apenas em despesa corrente. Isto num Estado que maltrata os seus cidadãos, que não sente os problemas destes como seus, que tem evidentes falhas de funcionamento.
Consideremos ainda os funcionários públicos, em geral, num determinado momento no tempo. Consideremos que as reformas que estes auferirão, se baseiam num determinado tempo de serviço, nas suas qualificações e, correspondentemente no seu mérito que determina o valor dos salários auferidos ao longo da vida.
Se a tecnologia evolui a um ritmo alucinante, se de geração para geração a qualidade da educação também deverá evoluir, pelo menos do ponto de vista teórico, logicamente que a produtividade deverá aumentar. Assim, as reformas dos actuais funcionários públicos, serão sustentadas pela produtividade do país que ao longo das gerações deverá aumentar em função da evolução tecnológica e da maior qualificação dos indivíduos, em teoria contribuindo para um menor despesismo e maior eficácia do Estado. Desta forma, a questão da insustentabilidade da segurança social tornar-se-ia uma falsa questão, visto que a produtividade de um indivíduo num determinado momento será pelo menos 2 vezes superior à de um outro indivíduo há 20 ou 30 anos atrás. Assim, neste dado momento, a reforma de 2 ou 3 indivíduos é sustentada pela produtividade de apenas 1.
Claro que a questão do declínio demográfico tem impactos evidentes, e muitas variáveis deveriam ser acauteladas neste exercício. Uma delas a emigração e a imigração. Em traços gerais, a imigração para o nosso país serve para preencher postos de trabalho pouco qualificados e remunerados, que obviamente os indivíduos qualificados que se encontram entre os 20 e 30/35 anos, não preencheriam. Por outro lado, mantendo-se uma máquina estatal extremamente envelhecida, dado que os funcionários são obrigados a trabalhar até aos 65/67 anos, e, consequentemente, cada vez menos eficiente – evoluindo a tecnologia a um ritmo alucinante, a maior parte dos indivíduos não consegue acompanhar essa evolução - , estamos apenas a adiar o inevitável, uma profunda reforma da administração pública, enquanto grande parte dos nossos melhores e mais qualificados quadros, não encontrando soluções num país que os aprisionou entre os recibos verdes e rendas elevadas, como há tempos fazia notar o Henrique Raposo, acabam por emigrar.
E também as variáveis tecnologia e educação não são necessariamente constantes na sua evolução, basta olhar para o descalabro em que se tem vindo a tornar o sistema de ensino em Portugal. Já Popper afirmava que um dos objectivos primordiais da democracia era melhorar o nível educacional, o que na nossa democracia é cada vez mais duvidoso.
Para concluir, fica a pergunta: não seria melhor reduzir a administração pública, permitir que grande parte dos funcionários mais velhos se reformasse, já que a produtividade destes será de apenas metade ou menos em relação a um indivíduo mais qualificado e mais jovem, e recrutar indivíduos mais qualificados, cuja produtividade torna o Estado mais eficiente e assegura o pagamento de 2 ou 3 reformas?
(também publicado no Novo Rumo)
Mas será que alguém me consegue explicar a mania de José Sócrates de andar com os punhos das camisas desapertados?
que já vem de trás, é uma chantagem inadmissível em democracia, Professor. E os resultados da divisão dos votos pelos " rotativos " aí estão.. Não que tenha uma confiança cega nos outros, mas ainda tenho esperança, e ceder a essa chantagem, não. Votar por convicções...
O colectivo "trotsko-estalinista" do alto-burguês BE, reagiu como se esperava às notícias da perda da nada credível virgindade colectiva tão ciosamente preservada diante de um público bastante mais atento. À má prestação de Louçã diante de Sócrates e Portas júnior, somam-se agora os "casos", os famosos podres colectivos que o Conducator tanto gosta de arremessar à cara dos seus rivais políticos. Não nos preocupando com a desmesurada e desproporcional presença em tudo o que é órgão de comunicação social - num comentadeirismo político ao estilo comicieiro -, nem sequer mencionando o alegado caso Salvaterra de Magos, as assessorias maternas e as colectivas mordomias que jamais rejeitaram como deputados da nação, os chefes do BE afinal pecam dos mesmos vícios pequeno-burgueses, da "imunda ralé exploradora e parasitária". Gostam de amealhar o dinheirinho em fundos de poupança - é legítimo e fazem muito bem - e pelo que parece, não resistem à tentação do jogo na Bolsa do capitalismo selvagem e neo-liberal.
O selecto ultrapopulista de caviar Louçã, veio a terreiro desculpar-se com um gargalhável ..."não olho pelos meus interesses, mas sim pelos interesses colectivos" ( ou seja, um claro "vejam como sou bonzinho e altruísta), afirmando ainda que os ditos irrisórios trinta mil Euros são o fruto da poupança de uma vida inteira ..."como professor universitário, funções pelas quais não recebo um tostão!" (sic). Enfim, são as habituais "desconjunâncias colectivas" da coisa que ontem Jerónimo de Sousa risonhamente comentou.
A kiki menina Joana Amaral nunca tentou enganar ninguém e basta olhar para a sua figura para nos apercebermos de um certo "cinhismo a Dias" de capa da Flash, Nova Gente ou Olá. Investiu nas acções dumas empresas ligadas ao Estado e em fase de privatização, "colectando" a mais-valiazita da praxe. Quanto à menina Ana Drago, aproveitou também para dragar uns cobres para arredondar o cofrezinho proletário do qual certamente aproveitará uns dividendos para "acções de solidariedade" na Bica do Sapato ou em qualquer outro local frequentado pelos marginais especuladores "colectivos" da nossa praça.
Os colectáveis dr. Rosas, Portas sénior e o outro senhor do Porto (não me recordo do nome), compõem o colorido e cheiroso ramalhete que confirma aquele velho dito do vigário e que a todos aconselhava "fazerem o que eu digo, mas não fazerem o que eu faço".
É de facto, uma campanha indecente contra o BE, coitadinhos dos colectivos.
Tenho é de me dirigir à sede da Almirante Reis e solicitar uma audiência de aconselhamento económico, pois por ali não faltarão peritos na matéria.
que tenho andado, só agora reparei que o caro confrade João Marchante tinha regressado às lides blogosféricas, e logo deparo com várias fotografias idênticas às que vi ontem, quando folheava « Muito lá de Casa », de João Bénard da Costa.
Claro que depois fui visitando todas as mensagens anteriores, com começo a 2 de Setembro, das quais não me apercebera.
has-de lembrar-te, de certo, d'aquellas deliciosas e amenissimas noites, com que Deus felicita a cidade letrada, desde que a primavera principia a espalhar flores por cima dos jardins e dos prados, até que o outonno se pôem a desprender dos ramos das arvores a folhagem amarellecida ".
Começa assim, com uma escrita que encontro atractiva na simplicidade descritiva de um ambiente sentido tão português, o livro que, em boa hora me aconselhou o caro Atrida: « A Caldeira de Pero Botelho ». Num primeiro momento, e porque desconhecia o escritor recomendado, Arnaldo Gama, pensei que facilmente o encontraria nas livrarias, mas logo o aconselhador me iria desenganar: talvez o encontrasse num alfarrabista, em tendo sorte...
Fui então pelo caminho mais fácil: perguntar ao meu pai, ele mesmo inveterado frequentador desses templos de livros que não se encontram já no mercado livresco; e é que tinha mesmo!
A recomendação de o tratar bem, pois que duma primeira edição, de 1866, se tratava...
Coisa de bibliófilos, essa de assim valorizar primeiras edições. Eu, a quem importa apenas o que no livro posso ler, será que um dia vou ceder a tal culto? Para já pouco me importa o ano em que foi editado, porém, com tal professor não me atrevo a dizer " nunca ".
Mas o objectivo primeiro deste apontamento é o de falar nas grandes potencialidades da blogosfera, dentre elas a de dar a conhecer novas penas...
A Real Associação de Lisboa (RAL) acusa a Câmara Municipal de Lisboa de ter retirado uma bandeira monárquica "hasteada há mais de sessenta anos "por "motivações políticas". A acusação vem do presidente da RAL, João Mattos e Silva, que considera que o executivo de António Costa retirou a bandeira "pela aproximação do centenário da República".
Contactado pelo DN, o gabinete de António Costa, disse que a retirada da bandeira (o que já aconteceu em Janeiro) "não está relacionada com questões políticas, mas sim com o não cumprimento dos regulamentos municipais". Recorde-se que para poder hastear uma bandeira ou colocar uma placa na fachada, é necessário contactar a autarquia.
A bandeira monárquica, junto à sede da Real Associação de Lisboa, no Largo Camões, já ali está há seis décadas, tendo sobrevivido ao Estado Novo, ao 25 de Abril e aos anos que se seguiram de democracia republicana.
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O PPM é um partido como qualquer outro, ou pelo menos, deveria sê-lo. A distingui-lo dos demais, sempre teve a coragem de assumir o M, embora outros haja que tendo uma suspeitada maioria monárquica - o PSD e o CDS -, jamais tenham ousado reivindicar uma verdade que é conhecida pelo país inteiro.
Não sendo "o Partidos dos monárquicos", era um Partido ecologista - o primeiro em Portugal -, de raiz fortemente municipalista, de fidelidade dinástica em detrimento do nacionalismo republicano e tradicional no que respeita à ligação de Portugal com o Ultramar na sua expressão histórica mais vasta. O PPM de Ribeiro Telles, tornou normais temas até então considerados excêntricos ou passíves de interpretação errónea, se abordados por outros sectores. O Directório Telles deu-lhe aquela respeitabilidade propiciadora de lugares no Parlamento, alianças autárquicas e sobretudo, a atenção de uma parte da imprensa. No campo da ecologia, sendo sucedido pelo MPT, o PPM foi deslizando em direcção a um anonimato entrecortado por uma ou outra presença em tempo de eleições, quando o PSD pretendeu encartar as suas listas com outras abrangências.
Este pequeno video dos Gato Fedorento, é bem a cabal demonstração da total vacuidade de um outrora bem considerado membro político do arco constitucional. Não existe uma ideia e nem sequer um simulacro de coerência organizativa numa agremiação que existe desde 1974 e que produziu ministros, secretários de Estado, presidentes autárquicos, deputados, professores de renome, etc. Nada. A ridícula obsessão pela visibilidade deste ou daquele membro de uma Direcção de índole estritamente familiar, conduziu à total desertificação de um Partido que hoje pouco ou nada significa até para os próprios monárquicos.
Não está em causa ou em análise, qualquer aversão pessoal à actual Direcção do PPM, da qual apenas se conhece publicamente o nome do senhor - ou melhor, dos senhores - Câmara Pereira. O que importa é a imagem desastrosa que a inabilidade de alguns transmite ao cada vez maior número de monárquicos que participam na vida política nacional, dentro ou fora do sistema partidário - PS, PSD, CDS, MPT e até no BE e MRPP! -, injustamente conotados com quem não partilha da inércia, ausência de projecto e e princípios ideológicos. Ninguém duvida da existência no PPM, de filiados bem intencionados e capazes de fazer do Partido uma pequena, mas bem organizada e inventiva associação de inteligências ao serviço dos portugueses. No entanto, cabe-lhes agora, a ingente tarefa da imposição de um novo caminho, o da refundação que volte a colocar o PPM na lista da desejável respeitabilidade que outrora bem mereceu e da qual recolheu abundantes frutos.
É que neste momento, se o Partido já não é Popular, Monárquico não é de certeza quase absoluta.
A última "fornada" pré-bolonhesa do ISCSP, com licenciaturas de 4 anos, vai terminando a pouco e pouco. Ontem foi a vez de grande parte, onde nos incluímos eu e a Silvia. Ambos terminámos as licenciaturas com média final de 16 valores e 18 na tese, em Relações Internacionais e Ciência Política respectivamente. E o mestrado começa já em Outubro. Por mim, pelo menos para já, não contribuirei para as estatísticas dos licenciados desempregados. Só gostava era de ter tido férias. Já agora, agradecendo ao João, alerto só que aquela fotografia já tem um ano. Até porque ontem nem fomos festejar nem nada...:)
Muitos Parabéns!
Dr. Samuel Pires
Dra. Silvia Vermelho
Sócrates "atentamente surpreendido" com as escutas a Cavaco; o cubaneiro Louçã acusa Cavaco de telenovelar à mexicana; Belmiro acicata o seu jornal; Cavaco não comenta mas encomenda informações acerca dos comentários escutados em Belém; o traste espiado que espia o exercício de espionagem dos que mandam nos espiões, está "acima da disputa eleitoral". Vê-se!
É isto, a república que este ano já não comemora o aniversário. Sempre assim foi, é e pior ainda poderá ser. Até ao dia...
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